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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Caminhos da Celulose inicia operação com 56 veículos e prevê R$ 2 bi em obras

Estrutura atende 870 km de rodovias em MS; projeto inclui 484 câmeras, pedágio e duplicação da BR-262

A concessionária Caminhos da Celulose iniciou nesta segunda-feira (26) a operação de atendimento aos usuários em aproximadamente 870 quilômetros de rodovias de Mato Grosso do Sul, com a entrada em serviço de 56 veículos operacionais, 13 painéis móveis de mensagens e equipes especializadas em assistência e resgate. A entrega, promovida no Bioparque Pantanal, em Campo Grande, marca uma nova etapa da concessão, que prevê investimentos próximos de R$ 1 bilhão em 2026 e pelo menos R$ 2 bilhões em obras em 2027, quando também deverá começar a duplicação da BR-262.

A estrutura apresentada inclui 13 ambulâncias de emergência, 13 guinchos leves, sete veículos de inspeção, seis guinchos pesados, cinco caminhões-pipa, cinco caminhões guindauto e sete veículos de supervisão operacional. Os serviços serão prestados 24 horas por dia, com apoio de 13 bases distribuídas ao longo da malha concedida.

O projeto contempla ainda uma ampla estrutura tecnológica, com previsão de 484 câmeras de monitoramento, 43 sensores de pista, 28 sistemas de detecção de altura, 15 sistemas de controle de velocidade, 12 pontos de cobrança eletrônica de pedágio e outros equipamentos destinados à segurança e à gestão do tráfego.

Durante a solenidade de apresentação da operação, o governador Eduardo Riedel (PP) destacou a importância da nova estrutura para a segurança dos motoristas. Já o diretor-presidente da Caminhos da Celulose, Luiz Fernando De Donno, detalhou o cronograma de investimentos, recuperação do pavimento, duplicações e implantação dos serviços.

Em entrevista ao Campo Grande News, Riedel classificou o início da operação como um marco para a infraestrutura estadual. “É uma nova era, é um novo momento que a gente está passando no Mato Grosso do Sul, a partir dessa concessão, a partir de outras que estão por vir”, afirmou.

Frota reúne 56 veículos e atendimento permanente

A estrutura que começa a operar foi dimensionada para atender desde ocorrências mecânicas até acidentes envolvendo veículos de grande porte, especialmente nos corredores utilizados pelo transporte de madeira, celulose e outras cargas industriais.

As 13 ambulâncias de emergência serão utilizadas no atendimento pré-hospitalar, com equipes de resgate capacitadas para atuar em diferentes situações. O sistema também conta com duas ambulâncias reservas, destinadas a garantir a continuidade dos serviços quando houver necessidade de substituição.

Os 13 guinchos leves atenderão veículos de menor porte, enquanto os seis guinchos pesados foram incorporados para atender caminhões e outras composições de grande capacidade.

A operação inclui ainda sete veículos de inspeção, responsáveis por percorrer continuamente as rodovias para identificar situações de risco, prestar apoio aos usuários e realizar a sinalização inicial de ocorrências.

Cinco caminhões-pipa, cinco caminhões guindauto e sete veículos de supervisão operacional completam a frota apresentada pela concessionária.

Além dos veículos, entram em operação 13 painéis móveis de mensagens variáveis, que poderão ser deslocados para pontos estratégicos e utilizados para alertar os motoristas sobre obras, acidentes, interdições e outras situações.

O atendimento poderá ser solicitado pelo telefone 0800 040 6267, disponibilizado pela concessionária.

Ambulância elétrica e câmeras corporais estão entre as inovações

Caminhos da Celulose inicia operação com 56 veículos e prevê R$ 2 bi em obras
Câmera corporal utilizada pelas equipes de resgate da Caminhos da Celulose permitirá transmitir imagens em tempo real ao Centro de Controle Operacional, auxiliando a orientação médica à distância (. Foto: Juliano Almeida)

Uma das novidades apresentadas pela Caminhos da Celulose é a utilização de uma ambulância de emergência 100% elétrica, modelo Mercedes-Benz Sprinter, com previsão de pontos de recarga nas bases operacionais de atendimento.

A concessionária também incorporou ferramentas elétricas de desencarceramento, utilizadas para retirar vítimas presas às ferragens em acidentes. Os equipamentos dispensam motores a combustão e oferecem maior mobilidade às equipes de resgate.

Outra inovação é o uso de câmeras corporais, conhecidas como body cams, que permitirão a transmissão de imagens em tempo real ao CCO (Centro de Controle Operacional).

Com essa tecnologia, o médico responsável pela regulação poderá acompanhar remotamente as condições do atendimento, orientar os socorristas e auxiliar na definição dos procedimentos necessários.

As unidades de resgate também contarão com DEA (desfibriladores externos automáticos), destinados ao atendimento de emergências cardíacas.

O sistema terá regulação médica 24 horas por dia, permitindo a comunicação entre as equipes que atuam nas rodovias, o centro operacional e as unidades hospitalares que receberão os pacientes.

Tecnologia prevê 484 câmeras e monitoramento das rodovias

Além dos equipamentos que entram em operação neste momento, a concessionária apresentou a estrutura tecnológica prevista para a modernização dos trechos concedidos.

Caminhos da Celulose inicia operação com 56 veículos e prevê R$ 2 bi em obras
Diretor-presidente da Caminhos da Celulose, Luiz Fernando De Donno, apresenta a estrutura operacional e o cronograma de investimentos da concessão durante solenidade em Campo Grande (. Foto: Juliano Almeida)

O projeto contempla a instalação de 484 câmeras de CFTV (circuito fechado de televisão), destinadas ao monitoramento das condições de tráfego e à identificação de ocorrências.

Também estão previstos 43 sensores de pista, 28 sistemas de detecção de altura, 15 sistemas de controle de velocidade e oito sistemas de pesagem.

A estrutura contará ainda com 12 painéis fixos de mensagens variáveis, complementando os 13 painéis móveis que começam a operar.

Outro componente será a implantação de 12 pontos de cobrança eletrônica de pedágio, pelo sistema free flow, que permite a passagem dos veículos sem necessidade de parada.

A concessionária também apresentou a previsão de 26 pontos de abastecimento para veículos elétricos, além de serviços de Wi-Fi e vigilância patrimonial.

A implantação dessas tecnologias ocorrerá conforme o cronograma de investimentos e as obrigações previstas no contrato de concessão.

Recuperação de 870 quilômetros mobiliza cerca de 2 mil trabalhadores

De Donno explicou que o primeiro ano da concessão está concentrado na recuperação do pavimento e na implantação da estrutura operacional. Segundo ele, os trabalhos de recuperação já ultrapassaram a metade do volume previsto para esta etapa.

As intervenções incluem fresagem e recomposição do asfalto, com a retirada de partes comprometidas da estrutura antes da aplicação de novas camadas de pavimento.

A concessionária trabalha para ampliar de seis para oito as frentes de pavimentação, buscando acelerar os serviços antes dos períodos de maior incidência de chuvas.

Atualmente, aproximadamente 2 mil trabalhadores diretos e indiretos estão envolvidos nas diferentes atividades da concessão, incluindo recuperação das rodovias, construção das bases operacionais e implantação de outras estruturas.

De Donno destacou que a empresa mantém simultaneamente diversas frentes de trabalho para cumprir as obrigações previstas no primeiro ano.

Duplicação começa em 2027 com 10 quilômetros na BR-262

A partir de 2027, a concessionária deverá iniciar uma nova fase dos investimentos, com obras de ampliação da capacidade das rodovias.

A principal intervenção será a duplicação da BR-262, começando pelos primeiros 10 quilômetros a partir da saída de Campo Grande em direção a Ribas do Rio Pardo.

O projeto prevê mais de 100 quilômetros de duplicação nesse corredor, considerado estratégico para o transporte de cargas e para a expansão da indústria de celulose no Estado.

“Já estamos trabalhando no projeto. É um trecho bem desafiador, são muitas interferências, mas estamos muito otimistas”, afirmou De Donno.

Além da duplicação, estão previstos acostamentos e outras melhorias para ampliar a segurança e a capacidade de circulação.

O diretor-presidente afirmou que os investimentos devem se aproximar de R$ 1 bilhão em 2026, com previsão de pelo menos R$ 2 bilhões em obras no próximo ano.

Pedágio eletrônico pode começar entre janeiro e fevereiro

O início da cobrança de pedágio está previsto para o primeiro bimestre de 2027, condicionado ao cumprimento das obrigações contratuais e à autorização da agência reguladora.

A cobrança será realizada pelo sistema eletrônico free flow, sem necessidade de parada dos veículos em praças convencionais.

Caminhos da Celulose inicia operação com 56 veículos e prevê R$ 2 bi em obras
Governador Eduardo Riedel explica que a liberação da cobrança de pedágio eletrônico nas rodovias concedidas à Caminhos da Celulose dependerá do cumprimento das obrigações contratuais e da autorização da agência reguladora (. Foto: Juliano Almeida)

O governador Eduardo Riedel explicou que a implantação dependerá do cumprimento de uma série de requisitos previstos no contrato. “A partir do momento que elas estiverem conclusas ou em andamento, aí está autorizado a instalar os free flows”, afirmou, referindo-se às obrigações da concessionária.

Segundo o governador, o processo deverá incluir divulgação das regras e procedimentos de teste antes do início da cobrança.

De Donno confirmou que a previsão é solicitar autorização para o início da cobrança entre janeiro e fevereiro, após a conclusão dos trabalhos iniciais exigidos contratualmente.

Treze bases e cobertura de celular ao longo dos trechos

A operação contará com 13 bases de atendimento aos usuários, inicialmente instaladas em estruturas provisórias. As unidades definitivas estão em construção e deverão ser entregues no 12º mês da concessão. “Quem passa na rodovia já começou a ver, já estão começando a subir, já estão em construção”, explicou De Donno.

Outro investimento é a implantação de infraestrutura de telefonia móvel ao longo dos trechos concedidos. Segundo o diretor-presidente, a BR-262 está praticamente toda contemplada pelas estruturas de conectividade, restando ajustes técnicos de integração entre as antenas.

A expectativa é que as primeiras torres comecem a funcionar no início de 2027, ampliando as condições de comunicação dos usuários e das equipes operacionais.

Riedel destaca segurança jurídica e transformação logística

Ao comentar o avanço da concessão, o governador Eduardo Riedel ressaltou que a participação da iniciativa privada é parte da estratégia estadual de modernização da infraestrutura.

Caminhos da Celulose inicia operação com 56 veículos e prevê R$ 2 bi em obras
Governador Eduardo Riedel destaca os avanços na segurança viária e os investimentos previstos com o início da operação da Caminhos da Celulose em Mato Grosso do Sul (. Foto: Juliano Almeida)

Segundo ele, a segurança jurídica dos contratos é fundamental para atrair investimentos de longo prazo e assegurar o cumprimento das responsabilidades estabelecidas. “Ninguém investe onde não tem segurança jurídica”, afirmou ao Campo Grande News.

Riedel também destacou que a implantação dos sistemas de monitoramento poderá contribuir para as ações de segurança pública, por meio da integração de informações com as forças policiais.

Para o governador, os investimentos rodoviários integram um processo mais amplo de transformação logística de Mato Grosso do Sul, que envolve também ferrovias, hidrovias e outros corredores de transporte.

Concessão acompanha expansão da indústria de celulose

A modernização das rodovias ocorre em um contexto de expansão da indústria de base florestal, especialmente na região leste de Mato Grosso do Sul.

O crescimento da produção industrial e da movimentação de madeira, celulose e insumos amplia a demanda por rodovias capazes de suportar veículos de grande porte e fluxos elevados de transporte.

De Donno destacou que a estrutura operacional foi planejada considerando essas características, com a incorporação de guinchos pesados e outros equipamentos adequados ao atendimento de bitrens, tritrens e caminhões de grande capacidade.

“O desenvolvimento dessa região do Mato Grosso do Sul está intrínseco ao desenvolvimento da nossa concessão”, afirmou.

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