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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Câncer de intestino também atinge jovens e exige atenção aos primeiros sinais

Especialista do Humap orienta sobre sintomas, fatores de risco e caminhos para investigar a doença pelo SUS

Sangue nas fezes, cansaço sem explicação e mudanças persistentes no funcionamento do intestino não devem ser tratados como problemas passageiros sem avaliação médica. Mesmo entre pessoas jovens, esses sinais podem exigir investigação para câncer colorretal, doença que atinge o cólon e o reto e pode se desenvolver sem sintomas nas fases iniciais.

A morte da atriz e cantora Lua Blanco, aos 39 anos, no domingo (18), após enfrentar um câncer de intestino, trouxe o assunto novamente à atenção do público. Segundo relatos de familiares à imprensa, a artista havia recebido o diagnóstico com a doença já avançada. O caso reforça um alerta: embora o risco aumente com a idade, ser jovem não elimina a possibilidade de desenvolver o tumor.

Em Campo Grande, o médico Odinilson Almeida Fonseca, da Coloproctologia do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS), orienta que alterações intestinais persistentes sejam avaliadas, principalmente quando acompanhadas de sangramento, perda de peso ou anemia sem causa esclarecida.

O cuidado começa por não atribuir automaticamente esses sintomas a hemorroidas, alimentação ou estresse. Essas e outras condições podem provocar manifestações semelhantes, mas identificar a origem do problema depende de avaliação clínica e, quando necessário, de exames.

O câncer colorretal pode surgir a partir de pólipos, pequenas lesões na parede interna do intestino que, em alguns casos, evoluem para tumores malignos ao longo do tempo. Como o processo pode ocorrer silenciosamente, a ausência de dor ou de sangue visível nas fezes não é garantia de que esteja tudo bem.

Entre as manifestações que merecem atenção estão diarreia ou prisão de ventre persistentes, desconforto abdominal frequente, sensação de evacuação incompleta e emagrecimento involuntário. Pequenas perdas de sangue, imperceptíveis a olho nu, também podem provocar anemia, com fraqueza, palidez e cansaço.

Esses sinais não significam, necessariamente, câncer. A orientação é procurar atendimento para esclarecer a causa, sem esperar que o quadro se agrave.

O histórico familiar também pesa na avaliação. Pessoas com parentes que tiveram câncer colorretal, especialmente em idades mais jovens, devem informar essa ocorrência ao profissional de saúde. Antecedentes de pólipos, síndromes hereditárias e doenças inflamatórias intestinais, como retocolite ulcerativa e doença de Crohn, também podem exigir acompanhamento específico.

Há ainda fatores associados aos hábitos de vida, como tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas, obesidade e sedentarismo. Alimentação saudável e atividade física ajudam a reduzir riscos, mas não substituem a investigação de sintomas nem eliminam a possibilidade de adoecer.

Uma mudança anunciada pelo Ministério da Saúde deve ampliar o rastreamento na rede pública. A pasta informou que distribuirá inicialmente 400 mil testes imunoquímicos fecais, conhecidos pela sigla FIT, com implantação gradual nas unidades básicas a partir de novembro, começando por capitais e municípios com mais de 500 mil habitantes. A estratégia será destinada a homens e mulheres de 50 a 75 anos sem sintomas.

O exame identifica pequenas quantidades de sangue oculto nas fezes. Um resultado positivo não confirma câncer: indica a necessidade de investigação, que pode incluir colonoscopia. O anúncio nacional, porém, não informa quando o teste estará disponível em cada unidade de Campo Grande.

A distinção entre rastreamento e investigação é fundamental. O primeiro procura sinais da doença em quem não apresenta manifestações. Quem já tem sangramento, anemia inexplicada ou alterações intestinais persistentes precisa de avaliação médica, independentemente da idade, sem esperar a chegada do novo teste.

Pelo SUS, a busca por atendimento pode começar na Unidade Básica de Saúde ou com a equipe de Saúde da Família. Na consulta, é importante explicar quando os sintomas começaram, com que frequência aparecem e se há casos da doença na família.

Conforme a avaliação, o profissional pode solicitar exames de sangue e encaminhar o paciente para atendimento especializado. A colonoscopia permite examinar o interior do intestino e coletar material para biópsia, utilizada para confirmar o diagnóstico.

Se houver confirmação do câncer, outros exames ajudam a determinar a extensão da doença e a planejar o tratamento. Cirurgia, quimioterapia e radioterapia estão entre as possibilidades, conforme a localização do tumor, o estágio e as condições clínicas do paciente.

Dor abdominal intensa, barriga muito distendida, vômitos persistentes ou dificuldade para evacuar e eliminar gases exigem atendimento de urgência, pois podem indicar uma complicação, como obstrução intestinal.

Para quem percebe alterações menos intensas, mas persistentes, a recomendação também é agir: procurar a unidade de saúde e relatar os sintomas. A idade, a vergonha de falar sobre o intestino ou a suposição de que seja “apenas hemorroida” não devem adiar essa conversa.

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