26.6 C
Dourados
sábado, 24 de outubro de 2026

De bonecas de milho a 300 peças, Marlene abre bazar de lembranças

Aos 63 anos, aposentada já vendeu 100 exemplares de sua coleção e mantém o espaço no Jardim Seminário

Quem passa pelas ruas do Jardim Seminário, em Campo Grande, pode ter percebido uma movimentação diferente no bairro. Placas anunciando um bazar de bonecas novas e seminovas, com preços que variam conforme a peça, chamam a atenção de quem circula pela região.

Por trás dos anúncios está Marlene Mielo Colombo, de 63 anos, que decidiu colocar à venda parte de seu acervo pessoal de 300 bonecas. O que parece apenas um bazar esconde uma história de infância marcada pela falta de dinheiro, mas também pela criatividade e pelo amor às bonecas.

Aposentada, Marlene trabalhou durante 30 anos como bancária e hoje dedica parte do tempo aos trabalhos manuais. Entre suas atividades estão a confecção de bonecas de pano, a decoupage em MDF e a costura criativa. Mas a relação com as bonecas começou muito antes da aposentadoria. Ainda criança, ela sonhava em ter brinquedos da marca Estrela, mas a realidade financeira da família nem sempre permitia realizar esse desejo.

Sem condições de comprar as bonecas que a filha tanto queria, o pai encontrou uma alternativa no que tinha à disposição. Em vez de brinquedos de plástico, Marlene ganhava espigas de milho, que se transformavam em personagens de diferentes aparências.

De bonecas de milho a 300 peças, Marlene abre bazar de lembranças
Bonecas de diferentes modelos e tamanhos fazem parte do acervo de 300 peças de Marlene Mielo Colombo (. Foto: Amanda Ferreira)

“Todo sonho de menina é ter boneca, né? E eu não tinha condição, meu pai não tinha condição de me dar boneca. Então, o que ele conseguia me dar era espiga de milho. Eu tinha a boneca loirinha, a ruiva, morena, negra, mas era tudo com a mesma roupinha verde, que era a espiga do milho”, relembra.

Mesmo com a simplicidade dos brinquedos improvisados, Marlene guardou o carinho por cada um deles. A primeira boneca de verdade chegou quando ela tinha apenas 3 anos, presente do avô.

“Mas era a bonequinha que eu tinha. A primeira boneca que eu ganhei foi do meu avô com três anos”, conta. Décadas depois, aquele encanto da infância continua presente na vida da aposentada, que agora transforma parte de sua coleção em um bazar no Jardim Seminário.

Ideia do Bazar – A ideia de abrir o bazar na Rua Ciro Macuco, 7 – Jardim Seminário surgiu quando Marlene percebeu que tinha bonecas demais guardadas em casa. Ao todo, chegou a reunir cerca de 300 exemplares, sem contar os que ela mesma confeccionou ao longo dos anos. Como já trabalhava com bonecas de pano há oito anos, decidiu aproveitar os conhecimentos de costura e artesanato para dar uma nova vida às peças antigas. Há um mês, começou a receber clientes no espaço montado no Jardim Seminário.

Antes de colocar as bonecas à venda, a aposentada faz um trabalho de recuperação. Algumas precisam de roupas novas, outras passam por uma limpeza completa e há aquelas que exigem pequenos reparos.

De bonecas de milho a 300 peças, Marlene abre bazar de lembranças
Marlene restaura bonecas antigas, confecciona roupas novas e faz a higienização dos brinquedos antes da venda. (. Foto: Amanda Ferreira)

“Eu comecei a restaurar, roupinhas novas, higienizar completamente”, explica. O processo exige paciência, principalmente quando os brinquedos são antigos e precisam de cuidados para preservar suas características.

O interesse pela restauração surgiu da curiosidade e da vontade de aprender. Marlene conta que sempre gostou de trabalhos manuais e que a mãe, que era costureira, teve influência nesse caminho. Ainda menina, observava como ela trabalhava com tecidos e linhas, aprendendo a fazer pequenos detalhes à mão. Com o tempo, passou a costurar sozinha e também buscou cursos para aperfeiçoar suas habilidades.

A paixão por bonecas ganhou força em 2014, quando Marlene se interessou ainda mais pelo artesanato. Entre suas preferidas estão os modelos antigos da Estrela, principalmente as bonecas maiores e aquelas que imitam bebês. Embora tenha passado a infância desejando esses brinquedos, a aposentada afirma que nunca teve uma Barbie. O encanto sempre esteve nas bonecas tradicionais, especialmente nas que marcaram outras gerações.

Desapego – Mesmo com tantas peças acumuladas, decidir vender parte da coleção não foi fácil. Marlene admite que demorou para aceitar a ideia de se desfazer dos brinquedos que guardou durante anos. A falta de espaço em casa, porém, acabou pesando na decisão. “Sim, eu demorei muito pra tomar essa decisão, mas eu vi que vale a pena. Porque tem que chegar uma hora que você não tem mais onde guardar. Pra que ficar guardando se outras pessoas podem ser felizes com essas bonecas?”, questiona.

De bonecas de milho a 300 peças, Marlene abre bazar de lembranças
Bazar no Jardim Seminário reúne bonecas novas e seminovas que fizeram parte da coleção pessoal da aposentada. (. Foto: Amanda Ferreira)

A reação das crianças que visitam o bazar ajudou Marlene a perceber que a decisão fazia sentido. Segundo ela, os pequenos ficam encantados ao encontrar modelos diferentes, muitos deles semelhantes aos brinquedos que fizeram parte da infância de seus pais e avós. O movimento é maior aos sábados, quando mais pessoas procuram o espaço para conhecer e comprar as bonecas.

“Do meu acervo de 300 bonecas, cerca de 100 já foram vendidas e me mudei para cá faz um mês apenas. Além das bonecas, também vendemos peças de cerâmica e outros itens de decoração para a casa, como pratos, colheres, quadros, esculturas e miniaturas".

De bonecas de milho a 300 peças, Marlene abre bazar de lembranças
Marlene já vendeu cerca de 100 bonecas desde que abriu o bazar, há um mês. (. Foto: Amanda Ferreira)

Apesar do desapego, algumas peças continuam fora de negociação. Marlene guarda com carinho uma boneca Beijoca e outra conhecida como Bate-Palminha, modelos que marcaram sua infância, entre as décadas de 1960 e 1970. São lembranças das quais não pretende se desfazer, independentemente do interesse de possíveis compradores.

Entre os brinquedos antigos que ainda conserva está a Magali, boneca da Turma da Mônica. Marlene conta que chegou a ter outros personagens da coleção, mas, com o passar dos anos, restou apenas uma das peças. Cada exemplar tem características próprias, desde os olhos e cabelos até os mecanismos que permitiam que algumas bonecas chorassem ou emitissem sons.

Nem todas, porém, continuam funcionando como antigamente. A aposentada explica que alguns brinquedos perderam os mecanismos de som e movimento ao longo dos anos. Embora consiga realizar reparos simples, admite que recuperar as partes eletrônicas exige conhecimentos mais específicos.

De bonecas de milho a 300 peças, Marlene abre bazar de lembranças
Além das bonecas, o bazar oferece peças de cerâmica, quadros, esculturas e miniaturas para decoração(. Foto: Amanda Ferreira)
De bonecas de milho a 300 peças, Marlene abre bazar de lembranças
Placas anunciando a venda de bonecas novas e seminovas chamam a atenção de quem passa pelas ruas do Jardim Seminário. (. Foto: Amanda Ferreira)

“Tem muitas que funcionavam e choravam, só que aí tiram a caixinha do choro. Tem que ter uma técnica mais apurada. Eu ainda não tive esse tempo pra isso”, explica.

Além de vender as peças da própria coleção, Marlene também recebe bonecas de outras pessoas para avaliação e restauração. Ela faz o serviço mediante orçamento, conforme o estado do brinquedo e o trabalho necessário. Entre os cuidados estão a higienização, a confecção de roupas e pequenos reparos que ajudam a recuperar a aparência original.

O bazar também se tornou uma oportunidade de mostrar o trabalho manual que desenvolve desde que deixou a carreira bancária. Acostumada a lidar com linhas, tecidos e acessórios, Marlene encontra na recuperação dos brinquedos uma maneira de manter viva uma habilidade que começou a aprender observando a mãe.

Agora, aos 63 anos, Marlene prefere imaginar que as bonecas poderão fazer parte de outras infâncias, em vez de permanecerem guardadas em casa.

Para quem deseja visitar o espaço, o bazar fica na Rua Ciro Macuco, nº 7, no Jardim Seminário, e funciona às sextas-feiras, no período da tarde, e aos sábados, pela manhã. No Instagram, pelo perfil @marlene.mielocolombo, Marlene compartilha fotos das bonecas de pano que confecciona. Assim que terminar de vender seu acervo de bonecas antigas, ela pretende colocar suas próprias criações à venda no bazar.

Confira a galeria de imagens:

De bonecas de milho a 300 peças, Marlene abre bazar de lembranças
De bonecas de milho a 300 peças, Marlene abre bazar de lembranças
De bonecas de milho a 300 peças, Marlene abre bazar de lembranças
De bonecas de milho a 300 peças, Marlene abre bazar de lembranças
De bonecas de milho a 300 peças, Marlene abre bazar de lembranças
De bonecas de milho a 300 peças, Marlene abre bazar de lembranças
De bonecas de milho a 300 peças, Marlene abre bazar de lembranças
De bonecas de milho a 300 peças, Marlene abre bazar de lembranças
De bonecas de milho a 300 peças, Marlene abre bazar de lembranças
De bonecas de milho a 300 peças, Marlene abre bazar de lembranças
De bonecas de milho a 300 peças, Marlene abre bazar de lembranças
De bonecas de milho a 300 peças, Marlene abre bazar de lembranças
De bonecas de milho a 300 peças, Marlene abre bazar de lembranças
De bonecas de milho a 300 peças, Marlene abre bazar de lembranças
De bonecas de milho a 300 peças, Marlene abre bazar de lembranças
De bonecas de milho a 300 peças, Marlene abre bazar de lembranças
De bonecas de milho a 300 peças, Marlene abre bazar de lembranças
De bonecas de milho a 300 peças, Marlene abre bazar de lembranças
De bonecas de milho a 300 peças, Marlene abre bazar de lembranças
De bonecas de milho a 300 peças, Marlene abre bazar de lembranças
De bonecas de milho a 300 peças, Marlene abre bazar de lembranças
De bonecas de milho a 300 peças, Marlene abre bazar de lembranças
De bonecas de milho a 300 peças, Marlene abre bazar de lembranças
De bonecas de milho a 300 peças, Marlene abre bazar de lembranças

Leia também

Últimas Notícias