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sexta-feira, 13 de março de 2026

Denúncias de assédio sexual no trabalho crescem 266% em MS, aponta MPT

Registros passaram de seis casos em 2021 para 22 em 2025; todas as denúncias partiram de trabalhadoras

O número de denúncias de assédio sexual registradas no Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul (MPT-MS) aumentou 266% entre 2021 e 2025. Os dados divulgados pelo órgão indicam uma tendência de crescimento nas notificações, refletindo que mais trabalhadoras têm buscado apoio institucional para relatar situações de violência e constrangimento de natureza sexual no ambiente de trabalho.

De acordo com o levantamento, foram registradas seis denúncias em 2021. Já em 2025, o número chegou a 22 casos, representando um crescimento de 3,6 vezes no período.

Na esfera judicial, também houve aumento nas ações relacionadas ao tema. Segundo o Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região (TRT-MS), o volume de processos envolvendo assédio sexual no ambiente de trabalho cresceu 66,7% em 2025. No último ano, foram contabilizados 125 novos processos, frente a 75 registrados em 2024.

Outro dado destacado pelo MPT-MS é que todas as denúncias recebidas partiram de mulheres, evidenciando um recorte de gênero nas ocorrências de assédio sexual que chegam ao conhecimento das instituições.

Para a procuradora do trabalho Rosimara Delmoura Caldeira, que também atua como vice-coordenadora da Coordigualdade (Coordenadoria de Igualdade de Oportunidades e Eliminação da Discriminação no Trabalho), os números reforçam a necessidade de ampliar o debate público e fortalecer políticas de prevenção.

Apesar do aumento nas denúncias, a procuradora ressalta que os dados oficiais ainda não refletem a dimensão real do problema. Segundo ela, muitos casos continuam sem registro, pois diversas vítimas deixam de denunciar por medo de retaliações, receio de perder o emprego, constrangimentos no ambiente profissional ou descrença de que serão levadas a sério.

Por outro lado, o crescimento nos registros também pode indicar um avanço na confiança das trabalhadoras em procurar as instituições e romper o silêncio diante de situações de assédio no ambiente de trabalho.

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