Quem bate o olho no nome Sistem of a Dog provavelmente percebe a referência antes mesmo de chegar perto da chapa. O trocadilho com System of a Down nasceu do gosto de Valdemir Júnior, de 39 anos, pelo rock e acabou dando identidade ao negócio de cachorro-quente que ele começou a levar para feiras e eventos de Campo Grande há cerca de três meses.
Engenheiro de produção e informação, Valdemir atualmente se apresenta também como empreendedor. A mudança profissional não começou exatamente por escolha. No início deste ano, ele foi desligado da empresa onde trabalhava e decidiu que não queria procurar outro emprego com carteira assinada. A saída foi recuperar um projeto que havia deixado pelo caminho uma década antes.
A primeira tentativa aconteceu em 2016. Na época, Valdemir era funcionário concursado dos Correios e começou a vender cachorro-quente como complemento da renda. A experiência durou apenas dois meses, apesar de, segundo ele, ter apresentado bons resultados. O trabalho fixo falou mais alto naquele momento e o pequeno negócio foi interrompido.
Em 2019, ele pediu desligamento dos Correios para trabalhar em sua área de formação. A ideia de ter o próprio negócio continuou guardada até o desemprego, no começo de 2026, mudar novamente os planos. “Fiquei desempregado e falei: ‘Não vou mais voltar para a CLT. Acho que vou voltar naquele projeto lá de 2016 para ver se dá certo’”, recorda.

System of a quê? – Com a decisão tomada, vieram os equipamentos, o planejamento dos produtos e uma questão fundamental: faltava batizar o negócio. Valdemir queria que o nome carregasse alguma coisa de sua personalidade e foi procurar inspiração justamente nas músicas que gosta de ouvir.
A primeira ideia também brincava com o inglês. “Eu sou roqueiro, gosto de rock. O primeiro nome seria Sleepy Dog. Aí eu pensei: ‘Não, acho que Sleepy Dog não vai colar’”, conta. Foi então que surgiu System of a Dog, trocadilho direto com o nome da banda de rock System of a Down.
Para Valdemir, a segunda opção tinha mais personalidade e combinava melhor com a proposta. “System of a Dog colou mais, ficou mais legal”, resume. Assim, o rock saiu dos fones e foi parar na identidade de um carrinho de cachorro-quente.
O retorno à gastronomia começou no fim de junho. Os primeiros compromissos foram pequenos eventos realizados em condomínios. Com três meses de atividade, Valdemir passou a ocupar também feiras maiores, incluindo eventos culturais, de economia criativa e feiras livres realizadas em bairros de Campo Grande.

A referência musical não ficou apenas no nome do negócio. No cardápio, Valdemir mantém o “Sistem Dog” como base dos cachorros-quentes, com versões simples e dupla, vendidas por R$ 13 e R$ 15. Os dois levam molho artesanal, salsicha, muçarela, milho, vinagrete e batata palha. Com purê de batata, os valores passam para R$ 15 e R$ 17, respectivamente.
Para quem prefere versões mais reforçadas, o cardápio ainda tem combinações com bacon, Catupiry, cheddar e costela desfiada. O Bacon Dog, referência à música B.OB, custa a partir de R$ 18, enquanto as opções com bacon e Catupiry variam de R$ 20 a R$ 22. Entre as novidades estão o Costela Cheddar Dog, por R$ 24 na versão simples e R$ 26 na dupla, e o Costela Purê Dog, que sai por R$ 25 ou R$ 27.
O molho artesanal aparece como ingrediente comum nas diferentes versões e faz parte da proposta de Valdemir de dar uma identidade própria ao cachorro-quente. Também é possível acrescentar ingredientes separadamente, como salsicha, muçarela, bacon, purê de batata, costela desfiada, Catupiry e cheddar, com adicionais que variam de R$ 2 a R$ 6.
Embora o cachorro-quente tenha sido o escolhido para a retomada, o desejo de Valdemir era mais amplo. “Eu queria empreender em alguma coisa na gastronomia”, explica. Cozinhar já fazia parte de seus interesses, e a experiência de 2016 serviu como ponto de partida para decidir o que colocar novamente à venda.
Antes de retornar, ele diz ter analisado quais produtos apareciam com maior frequência nos eventos e onde poderia encontrar espaço. Pastéis e espetinhos, por exemplo, já tinham presença consolidada. Na avaliação dele, havia margem para investir no cachorro-quente. “Eu falei: ‘Acho que vai ser de novo o hot dog. É um segmento que falta muito nos eventos’”, conta.
Rock, molho e segunda tentativa – Desta vez, porém, Valdemir quis voltar com uma proposta mais planejada. Ele passou a pensar na composição dos lanches, na escolha dos ingredientes e em maneiras de diferenciar o produto. Uma delas foi apostar em molho artesanal e dedicar mais atenção à preparação.

“Eu vou fazer um diferencial, colocar produtos de qualidade, material de qualidade, meu molho vai ser artesanal. Colocar carinho e fazer aquilo que você gosta faz sentido”, afirma. Para ele, trabalhar com comida também resolveu uma questão que já estava definida antes mesmo da escolha pelo cachorro-quente. “Eu gosto de gastronomia, eu adoro cozinhar".
Dez anos depois da primeira tentativa, Valdemir voltou ao mesmo produto, mas em uma fase completamente diferente da vida. O projeto que começou como renda extra de um funcionário dos Correios agora é sua principal aposta profissional. E, se naquela época o negócio durou apenas dois meses, desta vez ele pretende seguir.
“Quando decidi empreender, tinha certeza de que seria algo voltado para gastronomia. Acabei retornando este ano e está dando super certo”, finaliza.
Para acompanhar onde o System of a Dog estará, o empreendedor mantém o perfil @sistemofadog_cg no Instagram.

