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domingo, 4 de outubro de 2026

Filho inventa passeio e surpreende mãe com coral de Dani Black

Angela foi homenageada no Parque das Nações por sua história de luta e amor pela família

Angela Maria Viana saiu de casa achando que ia tomar água de coco com o filho. Voltou para casa sem saber direito como explicar o que tinha acontecido. Técnica de enfermagem do Hospital Universitário, mãe, avó e dona de uma história marcada por perdas e recomeços, Angela foi escolhida pelo próprio filho para receber uma homenagem do cantor Dani Black, em uma surpresa que reuniu um coral formado por pessoas de Campo Grande no Parque das Nações Indígenas. O detalhe é que Angela não desconfiou de nada.

O filho tratou de construir a desculpa até o fim. “Meu filho falou que eu ia vir tomar uma água de coco aqui”, contou. Quando chegou ao local, ainda procurava pela tal banca. Foi então que um homem se aproximou e perguntou: “Vocês aceitam um presente?”. Ela estranhou, claro. “Eu fiquei assim: hum, que será, né? Que será que está acontecendo?”.

Pouco depois, estava sentada diante de Dani, sem imaginar que dezenas de pessoas ao redor já sabiam exatamente o que iria acontecer. A surpresa fazia parte do projeto “Muda Tudo”, criado por Dani a partir de histórias enviadas pelo público. Nas redes sociais, ele pediu que as pessoas indicassem alguém importante em suas vidas.

O filho de Angela escreveu contando a trajetória da mãe. “O filho dela escreveu para a gente, comoveu a gente, já começou o especial daí”, explicou Dani. A partir daquele relato, veio o convite para Angela, sem revelar, obviamente, que ela seria a personagem principal.

Combinado – Enquanto Angela conversava com Dani, o pessoal do coral precisava desempenhar outro papel: o de desconhecido. Antes da apresentação, o próprio músico havia orientado os participantes a não falar com ele, não demonstrar que se conheciam e agir como quem simplesmente estava passeando pelo parque.

Filho inventa passeio e surpreende mãe com coral de Dani Black
ani conduziu a surpresa ao lado do coral formado por moradores de Campo Grande (. Foto: Amanda Ferreira)

O combinado era esperar o violão aparecer. Quando Dani começasse a cantar, eles se aproximariam aos poucos. Na segunda vez da música, entrariam juntos. E foi assim que aconteceu. A música falava sobre sorriso, abraço e presença. Quando percebeu que aquelas pessoas estavam se aproximando para cantar para ela, Angela desabou. “Meu Deus, meu Deus do céu, toda essa gente que eu nem conheço, que coisa linda”, contou. Ela ainda tentou dimensionar o que estava sentindo: “É muita bênção, né?”.

No meio da surpresa, ela também compreendeu o motivo de estar ali. “Eu nunca imaginei uma coisa dessa acontecer na minha vida”, disse. E completou: “Eu, justo eu, não sou ninguém importante, não sou nada, eu sou só uma mãe”. Mas, para o filho, Angela é exatamente o contrário disso. Foi ele quem contou a Dani que a mãe passou por uma sequência de dificuldades desde a infância e que, mesmo assim, nunca parou de lutar.

“No momento que os médicos diziam que não tinha chance, ela falou: ele vai viver”, relatou, lembrando da própria infância. Segundo ele, a mãe enfrentou perdas e separações, voltou a estudar já adulta e construiu uma trajetória profissional. “Ela sempre lutou, ela venceu, ela insistiu”, disse. Hoje, além de trabalhar, ela também cuida dos netos.

A história familiar também carrega uma ferida que ainda emociona Angela: a morte da filha Luciana. Religiosa, ela estava se preparando para uma vida de consagração quando morreu. “A perda maior que eu tive na vida foi a da minha filha, a minha primeira filha, Luciana, uma menina muito religiosa”, contou Angela.

Filho inventa passeio e surpreende mãe com coral de Dani Black
Emocionada, Angela se viu cercada por pessoas que ela nem conhecia, mas que foram ao parque para cantar para ela (. Foto: Amanda Ferreira)

A filha deixou os filhos e uma lembrança que a mãe carrega até hoje. “Ela me deixou os meus netos e é isso, foi uma perda muito grande”, disse. No meio de tantas lembranças difíceis, a homenagem ganhou um significado ainda maior. Para Dani, fazer a apresentação em Campo Grande também não foi uma escolha aleatória.

Apesar de não ter nascido na cidade, ele cresceu tendo a capital sul-mato-grossense presente na vida por causa da família Espíndola e da mãe, Tetê Espíndola. “Eu venho pra cá desde sempre por causa da minha família Espíndola, da minha mãe Tetê Espíndola e de toda a família Espíndola”, contou. A estreia fora de São Paulo (SP), portanto, aconteceu justamente em um lugar com o qual ele tem uma ligação afetiva.

“Que bom que foi em Campo Grande, que em Campo Grande deu certo”, comemorou. Depois da apresentação, Angela ainda queria uma coisa: ver o vídeo da própria surpresa. “Eu quero ver esse vídeo, eu tô louquinha pra ver esse vídeo. Eu fico imaginando: como será que eu me comportei?”, brincou. Dani, por sua vez, saiu com a sensação de que a missão tinha sido cumprida.

Para ele, a medida do projeto está justamente na emoção provocada. E, em Campo Grande, a fórmula funcionou: uma desculpa envolvendo água de coco, um violão, um monte de gente fingindo não se conhecer e uma mãe que descobriu, no meio do parque, que alguém achava que a história dela merecia ser contada.

Filho inventa passeio e surpreende mãe com coral de Dani Black
No final, todo mundo parou para tirar foto com Dani Black que segue com shows no Paraná (. Foto: Amanda Ferreira)

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