Mato alto, descarte irregular de lixo e uma infestação de ratos preocupam moradores do Bairro Serraville, região próxima ao Jardim Noroeste, em Campo Grande. Na Avenida Flores da Cunha, a vegetação tomou conta da área destinada ao canteiro central e, segundo relatos, os roedores passaram a invadir as casas.
A vendedora autônoma Ederlin Garcia Stasiak, de 25 anos, conta que a presença dos animais é percebida há mais de um ano, mas se intensificou nos últimos cinco meses. Na casa dela, eles entram por frestas, passam pelo telhado e chegam ao forro. “À noite, a gente acorda assustada porque parece que a qualquer momento o forro vai cair por causa dos ratos. Eles brigam dentro do forro, passam pelo telhado e por cima do muro. A gente não consegue dormir”, relata.
A família tenta conter a infestação com ratoeiras e armadilhas adesivas, sem sucesso. Ederlin diz que encontra fezes dos animais na cozinha com frequência. “Todo dia eu acordo com cocô de rato no fogão, na pia e no chão. Eles entram pelas frestas e a gente não consegue controlar. O nosso quintal está limpo, mas os ratos vêm da rua”, afirma.
A situação também fez com que ela desistisse da horta que cultivava no quintal depois que as plantas começaram a ser destruídas. Ederlin ainda relata ter gastado mais de R$ 1,2 mil com atendimento veterinário após sua cachorra adoecer, o que associa ao contato com os roedores.

Na área coberta pela vegetação, também há descarte de lixo, entulho e até animais mortos. “A principal reclamação é realmente o mato. Além dos ratos, o pessoal joga muito bicho morto e fica uma carniça. Ninguém aguenta ficar dentro ou fora de casa”, diz.
Durante a estiagem, segundo a vendedora, há registros de fogo na vegetação, e a fumaça e a fuligem chegam às residências. Nos períodos de calor, outra preocupação são os escorpiões. Ela afirma que já encontrou mais de dez dentro de casa.
As condições das vias também são alvo de reclamações. A rua onde Ederlin mora não é asfaltada, tem buracos e faz parte do itinerário do transporte coletivo. Ela pede que a prefeitura faça o patrolamento do trecho. Em outra via principal do bairro, também utilizada por ônibus, um buraco que começou pequeno aumentou ao longo dos últimos meses e hoje, segundo ela, compromete parte da pista.
Ederlin afirma que já procurou representantes políticos e tentou encaminhar as demandas aos órgãos responsáveis, mas ainda não houve solução. Apesar das condições das ruas, ela considera a limpeza da área e o combate à infestação as medidas mais urgentes. “A rua também precisa de patrolamento, mas hoje isso é o de menos. O que mais preocupa a gente são os ratos. É desesperador, porque, além do prejuízo, eles podem trazer doenças”, afirma.

A reportagem entrou em contato com a Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) e aguarda retorno.

