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quinta-feira, 5 de março de 2026

Mato Grosso do Sul está entre os estados mais violentos para mulheres no país

Relatório nacional aponta 39 feminicídios em 2025 e coloca o estado com uma das maiores taxas proporcionais do Brasil

Mato Grosso do Sul aparece entre os estados com maior índice proporcional de feminicídios no Brasil. De acordo com o relatório “Retrato dos Feminicídios no Brasil (2021–2025)”, divulgado nesta quarta-feira (4) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o estado registrou 39 mulheres assassinadas em 2025 em crimes classificados como feminicídio.

Com esse número, Mato Grosso do Sul alcançou a taxa de 2,7 feminicídios para cada 100 mil mulheres, índice bem acima da média nacional, que foi de 1,43. No ranking proporcional, o estado ocupa a quarta posição entre os mais violentos para mulheres, ficando atrás apenas do Acre (3,2) e de Rondônia (2,9).

O levantamento também aponta que, entre 2021 e 2025, houve crescimento de 14,3% nos casos registrados em Mato Grosso do Sul. Outro dado que chama atenção é que o estado, junto com o vizinho Mato Grosso, permaneceu durante todos os anos analisados entre os cinco com maiores taxas de feminicídio do país, cenário considerado preocupante pelos pesquisadores.

Panorama nacional

Em todo o Brasil, o relatório contabilizou 1.568 mulheres vítimas de feminicídio apenas em 2025, número que representa aumento de 4,7% em relação ao ano anterior.

Desde que o feminicídio passou a ser tipificado como crime no Código Penal, em março de 2015, pelo menos 13.703 mulheres foram assassinadas em razão de sua condição de gênero no país.

Nos últimos cinco anos, o crescimento acumulado de feminicídios no Brasil chegou a 14,5%. O aumento mais significativo ocorreu entre 2021 e 2022, quando os registros subiram 7,6%. Nos dois anos seguintes, entre 2022 e 2023 e 2023 e 2024, a alta foi menor, cerca de 1% ao ano. No entanto, entre 2024 e 2025, houve novo avanço de 4,7%, indicando que a violência contra mulheres continua em expansão.

Lei Maria da Penha completa 20 anos

O estudo também destaca os avanços trazidos pela Lei Maria da Penha, que em 2026 completa duas décadas de criação e é considerada um dos principais instrumentos de proteção às mulheres vítimas de violência doméstica.

Apesar dos avanços legais, o relatório ressalta que o cenário ainda exige atenção permanente das autoridades e fortalecimento das políticas públicas, com atuação constante das forças de segurança e do sistema de justiça para garantir a aplicação efetiva das medidas de proteção e prevenção.

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