Carro antigo nunca perde a graça e sempre acaba no radar do Lado B. Mas, em meio a uma feira de economia criativa, foi uma lambreta que roubou a cena. Ela faz parte da história de Fernando César de Carvalho Moraes, de 61 anos, professor de Educação Física e apaixonado por motocicletas e por tudo que envolve esse universo. Dono da “Barraca da Lambreta”, ele transformou a paixão em negócio e expõe em seu estande camisetas, luvas, balaclavas e outros itens voltados aos motociclistas.
A história da barraca, porém, começou antes de existir qualquer intenção de montar um negócio. Motociclista desde os 18 anos de idade , Fernando conta que tinha dificuldade para encontrar camisetas e acessórios que representassem esse universo. Nas viagens de moto, aproveitava para comprar peças que encontrava pelo caminho. Logo, os amigos começaram a fazer encomendas. “Perguntavam onde eu tinha comprado a camiseta e, quando eu ia viajar, pediam para trazer uma para eles”, lembra.
O mesmo acontecia com bordados usados nos coletes de motociclistas para registrar os lugares por onde passaram. Como nem sempre eram fáceis de encontrar, Fernando comprava mais de um quando encontrava algum diferente, seja para guardar, presentear ou compartilhar com amigos. Com o tempo, camisetas, bordados e outros acessórios começaram a se acumular em casa.

Foi neste ano que aquilo que era coleção e paixão ganhou cara de lojinha. Fernando mora com o pai e a madrasta, ambos aposentados e com experiência no comércio. A ideia era justamente criar uma atividade para os dois. Como ele vive a poucos metros da Praça do Peixe e já frequentava as feiras realizadas no local, a madrasta sugeriu colocar os produtos à venda.
Nasceu assim a barraca especializada em artigos ligados ao motociclismo. Há jaquetas customizadas, bordados, bottons, luvas, lenços, camisetas e balaclavas, entre outros itens. Nem tudo exige uma moto na garagem. Algumas peças, como luvas e roupas de proteção solar, também são usadas por ciclistas e praticantes de outras atividades físicas.
Depois da Praça do Peixe, Fernando passou a participar também da feira do Bosque da Paz e chegou à Feira da Lagoa Itatiaia, onde o Lado B encontrou a barraca. Quem cuida do negócio é a família. O pai e a madrasta participam da atividade, enquanto Fernando ajuda a montar e desmontar o estande e, como ele próprio admite, acaba ficando boa parte do tempo conversando com quem passa por ali.
A Mineirinha – A estrela da barraca tem até apelido. Fernando chama a lambreta de 1964 de “mineirinha”, referência a Minas Gerais, onde foi buscá-la. A relíquia está com ele há 3 anos, é restaurada, documentada e continua em funcionamento.
Quando surgiu a ideia de montar uma barraca dedicada ao universo das duas rodas, foi justamente ela que saiu da garagem para completar o cenário, inicialmente apenas como item de decoração. Hoje, Fernando brinca com a relação que criou com a companheira: “Eu falo que estou apaixonado por uma mineirinha de 62 anos”.

Só que a decoração começou a chamar mais atenção do que o previsto. Crianças se aproximavam por curiosidade, enquanto adultos reconheciam na lambreta uma lembrança da juventude. Fernando passou a convidar o público para subir no veículo e tirar fotografias. Para fazer isso com segurança, instalou uma plataforma que mantém a lambreta firme e evita que ela se desloque. Foi aí que o objeto decorativo acabou dando nome ao negócio: “Barraca da Lambreta”.
A relíquia também virou uma pequena aula de história. Fernando explica aos curiosos detalhes que hoje parecem estranhos, como a ausência de pisca e a presença de um estepe.
“Na época, o equipamento de sinalização não era obrigatório e carregar um pneu reserva fazia sentido em um tempo em que encontrar uma borracharia ou pedir socorro pelo telefone não era tão simples quanto hoje”, conta.
Há ainda quem pare diante dela e volte algumas décadas no tempo. “Eu tive uma dessa na minha juventude” e “meu pai teve uma dessas” estão entre as histórias que Fernando diz ouvir nas feiras. Diferentemente de uma peça cercada por cordões e placas de “não toque”, ali a proposta é justamente permitir a aproximação.

A relação dele com a lambreta também vem da infância. Fernando conta que a primeira motocicleta em que andou, por volta dos 5 anos, foi justamente uma lambreta, levado para passear por um tio. Por isso, hoje faz questão de deixar principalmente as crianças experimentarem a mesma sensação.
“A alegria de uma criança quando sobe numa moto, numa lambreta, não tem preço”, resume. E avisa aos pais desconfiados que a fotografia não custa nada: “O pagamento é o sorriso das crianças”.
Fernando ressalta que não é preciso ser motociclista para aproveitar. Entre os produtos estão luvas, polainas, segundas peles e óculos, além de jaquetas customizadas, coletes, camisetas, calças e bonés. Há ainda chaveiros, miniaturas, bottons, pins, patches bordados, lenços, placas e outros itens que ajudam a explicar o nome completo escolhido para o negócio: “Barraca da Lambreta – acessórios para motociclistas… e não motociclistas”.
Onde encontrar – A Barraca da Lambreta participa de 4 feiras de Campo Grande. Na Praça do Peixe, na Rua Bom Pastor, fica nos segundos sábados e domingos de cada mês, das 17h às 22h. Na Praça da Mandioca, no Bairro Chácara Cachoeira, participa nas terceiras sextas-feiras, das 16h às 22h.
No Bosque da Paz, no Carandá Bosque, está presente nos terceiros domingos, das 9h às 15h. Já na Lagoa Itatiaia, a barraca pode ser encontrada nos quartos domingos do mês, das 16h às 21h30.


