Mortos por suspeita de furto, I.P, 58 anos, e seu companheiro de 60, tinham fama de “mexer nas coisas que não eram deles”, segundo vizinhos. O crime aconteceu na noite de terça-feira (21), no Bairro Jardim Noroeste, em Campo Grande. L.R.C., 25 anos, foi preso pelo duplo assassinato e também por ferir outro idoso que foi socorrido.
Ao Campo Grande News, comerciante que conhecia I.P contou que a mulher esteve no mercado logo cedo ontem para comprar carne. Depois, foi a vez de seu companheiro ir ao local para pedir a senha da internet pois queria falar com sua filha.
“Ele estava com problema na perna. Morava ali no barraco a mulher, o atual companheiro e o ex. Ela vinha sempre comprar aqui, mas no bairro todo mundo comenta dos furtos e por isso não gostavam deles. ”, relatou.
A fama foi comentada por outro vizinho. À reportagem, Nelson de Jesus contou que ficou sabendo do crime na manhã desta quarta-feira (22) e, apesar da “fama” do casal, achou muito triste toda a situação.
“Conhecia eles de vista. Eram pessoas tranquilas. Passavam sempre aqui na frente de casa, mas tinham a fama de mexer no que não era deles, de cometerem furtos. É triste porque são pessoas idosas”, disse Nelson.
A mulher assassinada brutalmente a golpes de foice em Campo Grande vivia em um barraco a cerca de 50 metros do local do crime, junto com o companheiro e o ex. O caso, que também deixou outro morto e uma terceira vítima ferida, segue sob investigação da Polícia Civil.

De acordo com o delegado Maurício Vargas, a terceira vítima foi ferida por acaso. “Ele só estava na casa e não tinha nada a ver com o suposto furto. Segundo o rapaz, o crime foi cometido pela mulher e pelo seu companheiro, mas na delegacia ele ficou em silêncio durante o depoimento”, disse o plantonista.
L.R.C. estava dormindo quando as equipes chegaram na chácara que pertence à sua tia. Ainda segundo o delegado, o rapaz não ofereceu resistência e confessou informalmente o crime.
“Ele disse que o casal furtou material de construção e alguns equipamentos. A mulher tinha ferimentos que apontam que ela tentou se defender. Foi indiciado por homicídio qualificado e pela tentativa. Agora ele vai passar por audiência de custódia e o caso vai ser investigado pela delegacia de área”, finalizou o delegado.
Caso
O crime ocorreu em um intervalo de poucos minutos, entre 20h26 e 20h29, na Rua Dom João VI, entre as ruas Atibaia e Bananal. De acordo com o boletim de ocorrência, a Polícia Militar foi acionada inicialmente para atender uma suposta situação de violência doméstica. No local, porém, os policiais encontraram um cenário de extrema violência.
I.P foi localizada caída na rua com uma das mãos decepada e um ferimento profundo no pescoço, praticamente degolada. Poucos metros à frente, os policiais encontraram idoso de 61 anos, com fratura exposta no cotovelo direito e ferimento no peito. Mesmo ferido, ele conseguiu relatar que o autor, conhecido como “Arrozinho”, invadiu o barraco de surpresa e o atacou com uma foice.
Enquanto o Corpo de Bombeiros prestava atendimento, um terceiro local foi indicado por uma testemunha. Em um barraco próximo, na esquina da Rua do Bananal, os policiais encontraram outra vítima fatal, identificada como C., caída ao lado da cama, com um corte profundo no pescoço.

Prisão
L.R.C. fugiu logo após os ataques e contou com a ajuda de familiares e conhecidos. Com isso, equipes da PM (Polícia Militar), BPChoque (Batalhão de Choque) e do GOI (Grupo de Operações e Investigações) iniciaram as buscas e um dos envolvidos na fuga indicou o paradeiro do rapaz.
O rapaz foi encontrado na casa de uma tia no distrito de Anhanduí e preso em flagrante. No momento da abordagem, ele foi informado de seus direitos e, em seguida, confessou o crime e foi encaminhado para a Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Cepol.
Aos policiais, o autor afirmou que foi até uma residência na Rua do Bananal com a intenção de recuperar objetos que, segundo ele, teriam sido furtados pelas vítimas, mas optou pelo silêncio ao chegar na delegacia. Armado com duas facas e uma foice, ele iniciou uma discussão que evoluiu para os ataques.
Após a prisão, o autor também indicou onde havia descartado as armas utilizadas no crime, que foram localizadas e apreendidas pela perícia. Um veículo usado na fuga também foi recolhido.
Um homem de 48 anos apontado como responsável por ajudar o suspeito a escapar foi autuado por favorecimento pessoal e liberado após prestar depoimento. O caso foi registrado como duplo homicídio qualificado (homicídio com circunstâncias que agravam a pena) e tentativa de homicídio e segue sob investigação da Polícia Civil.
L.R.C. tem passagens por violência doméstica, por favorecimento real. Equipe do 9º Batalhão da Polícia Militar prendeu o rapaz em 1º de dezembro de 2024 após denúncias de que ele e um adolescente estavam “jogando” drogas e celulares na Penitenciária Jair Ferreira de Carvalho, a Máxima.
Com L.R.C. foram encontrados um drone, 28 carregadores de celulares, um jumper (usado para lançar os pacotes), um controle remoto e duas baterias. Ele e o adolescente tentaram fugir, mas foram capturados.


