O desmatamento e a construção de tanques em uma APP (Área de Preservação Permanente) de Mata Atlântica em Coronel Sapucaia, a 400 km de Campo Grande, são investigados pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul). O inquérito tem como alvo a empresa PAP Empreendimentos e Participações, proprietária da Fazenda Manancial, e foi divulgado pela instituição nesta terça-feira (20).
Segundo a investigação do MP, imagens de satélite que abrangeram um período de 20 anos mostraram intervenções sucessivas na vegetação nativa. Foram identificados episódios de desmatamento nos anos de 2009, 2018, 2019, 2020, 2022, 2023 e 2025.
O documento aponta que, em 2020, a propriedade já havia sido fiscalizada por desmatamento ilegal. A apuração deu origem a uma ação civil pública que posteriormente foi arquivada pela Justiça.
Em fiscalização realizada em julho de 2026, a PMA (Polícia Militar Ambiental) identificou a construção não autorizada de quatro tanques destinados à piscicultura. As estruturas foram instaladas em limites que abrangem a APP da propriedade e eram abastecidas por uma nascente do local.
Na vistoria presencial, os agentes confirmaram a eliminação da cobertura vegetal nativa. As áreas afetadas foram convertidas em pastagens para a alimentação de rebanho bovino.
Segundo relatório do Nugeo (Núcleo de Geoprocessamento do Ministério Público), a propriedade acumula o desmatamento não autorizado de 10,71 hectares de vegetação nativa de Mata Atlântica, mapeada por meio de satélite remoto.
Confira a galeria de imagens:



As análises por satélite constataram ainda a presença irregular de silos do tipo bag para o armazenamento de silagem. As estruturas foram instaladas no interior da área proposta para a Reserva Legal do imóvel rural.
Pelas infrações, a empresa foi multada em R$ 87 mil pelo Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) em três autos de infração: R$ 5 mil pelos danos na APP , R$ 12 mil pelas intervenções na Reserva Legal e R$ 70 mil pelo desmatamento no Bioma Mata Atlântica.
A 1ª Promotoria de Justiça de Coronel Sapucaia notificou a empresa para prestar esclarecimentos no prazo de 10 dias úteis. A investigada deverá apresentar as certidões de registro do imóvel, a documentação do CAR (Cadastro Ambiental Rural) e informar se pretende firmar um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta).
O Campo Grande News entrou em contato com o responsável pela Fazenda Manancial, mas não obteve retorno até o fechamento da matéria. O espaço segue aberto.

