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sábado, 31 de outubro de 2026

Pai descobre estupro da filha após carta e vizinho é denunciado pelo MP

Laudo confirmou conjunção carnal e denúncia aponta abusos dos 7 aos 11 anos da adolescente

Adolescente relatou ter sido vítima de estupro dos 7 aos 11 anos por um vizinho da família, em Campo Grande. O caso veio à tona em agosto de 2026, depois que a menina, agora com 14 anos, deixou uma carta em casa contando que havia sido abusada por uma pessoa que continuava fazendo parte do convívio familiar. O Ministério Público de Mato Grosso do Sul ofereceu denúncia contra o investigado por estupro de vulnerável.

Conforme o boletim de ocorrência registrado em 17 de agosto, o pai procurou a DEPCA (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente) depois de descobrir os abusos, que teriam ocorrido enquanto a família morava no bairro Octávio Pécora.

Segundo os documentos da investigação, o suspeito era pai de uma amiga da menina. A adolescente frequentava a residência da família e, conforme o relato apresentado à perícia, era abusada quando dormia no local.

No laudo de sexologia forense, a menina contou que o homem aproveitava a ausência da mãe da amiga para levá-la até a própria cama. Segundo o relato, ele tampava sua boca, passava as mãos nos seios e na região genital e introduzia o pênis na vagina dela.

A adolescente afirmou aos peritos que nunca havia namorado ou mantido relação sexual com outra pessoa.

O exame foi realizado em 17 de agosto de 2026, no Imol (Instituto de Medicina e Odontologia Legal). O documento descreve ruptura do hímen e registra que a adolescente apresentou relato coerente e seguro sobre os acontecimentos.

Na discussão pericial, o médico-legista considerou possível relacionar a ruptura do hímen à conjunção carnal investigada. O laudo respondeu positivamente ao quesito sobre a existência de conjunção carnal que pudesse ser relacionada ao crime.

Em relação à violência empregada e a outros atos libidinosos, o perito informou que não era possível chegar a uma conclusão ou afastar essas possibilidades devido ao tempo transcorrido entre os fatos e o exame.

Carta revelou violência – Em entrevista ao Campo Grande News neste sábado (31), o pai contou que a descoberta aconteceu depois que a filha deixou uma carta em um móvel da casa, próximo ao local onde a família costumava preparar café. Inicialmente, ele não reconheceu a autoria do texto e acreditou que tivesse sido escrito pelo filho de 28 anos.

A carta mencionava que a adolescente gostaria de ter mais liberdade para conversar com os pais e revelava que uma pessoa que havia cometido violência contra ela ainda fazia parte do convívio da família.

Após descobrir que a escrita era da filha, o pai percebeu a gravidade da situação. Ele suspeitou de um antigo vizinho, com quem mantinha uma relação próxima de amizade e confiança.

Segundo o relato, as famílias haviam se aproximado quando passaram a morar no mesmo bairro. As crianças tinham idades semelhantes, frequentavam as casas umas das outras e os adultos mantinham convivência próxima.

O pai contou que o homem ajudou a família durante a mudança e participava de momentos da rotina das crianças. A proximidade era tanta que ele era considerado uma pessoa de confiança.

O pai também relatou que, antes da descoberta, a filha havia apresentado mudanças de comportamento. Ela deixou de ir à casa do vizinho, afastou-se da amizade com a filha do suspeito e começou a se isolar. Na época, os familiares não conseguiram relacionar os sinais aos abusos.

Após tomar conhecimento da violência, a família procurou a delegacia especializada. A adolescente passou por atendimento psicossocial e exame pericial.

A Justiça também concedeu medidas protetivas de urgência para impedir que o investigado mantenha contato com a menina. A decisão estabelece distância mínima de 300 metros da vítima e dos familiares, além de proibir qualquer comunicação, inclusive por telefone, mensagens, redes sociais ou intermédio de terceiros.

O descumprimento das determinações deverá ser comunicado às autoridades policiais.

Ministério Público ofereceu denúncia – Após a conclusão da investigação, o Ministério Público Estadual ofereceu denúncia contra o investigado por estupro de vulnerável.

A acusação considera ainda a continuidade delitiva e circunstâncias agravantes relacionadas à relação de autoridade sobre a vítima, à convivência doméstica ou hospitalidade e ao fato de o crime ter sido cometido contra criança.

O Ministério Público também requereu o recebimento da denúncia, a citação do acusado, a oitiva da vítima e das testemunhas e o interrogatório do investigado, com posterior condenação.

O pai afirmou que decidiu procurar a imprensa principalmente para alertar outras famílias sobre a possibilidade de violência sexual praticada por pessoas próximas e que conquistam a confiança dos responsáveis.

Ele também demonstrou preocupação com outras crianças que frequentaram a residência do investigado e que podem ter passado por situações semelhantes.

O processo tramita sob sigilo por envolver uma vítima menor de idade.

Posicionamento da defesa – A reportagem tentou contato com o homem denunciado por meio de ligações telefônicas e mensagens, mas não obteve retorno. Posteriormente, o advogado de defesa, Dijalma Mazali, entrou em contato com a equipe e apresentou o posicionamento sobre o caso.

Segundo o advogado, ele conhece o investigado desde 1998, quando trabalharam juntos. Ele afirmou que ficou surpreso ao saber da denúncia e que, inicialmente, teve resistência em acreditar na versão apresentada pelo cliente. No entanto, após ouvir o investigado e a esposa dele, analisar mensagens, fotografias e documentos, além de buscar outras informações, decidiu assumir a defesa.

"Quando eu soube dessa denúncia, fiquei chocado. Ele me falou o que estava acontecendo. Esse tipo de processo eu não pego. Mas, após ele me passar todas as situações, mandar mensagens e fotos, ouvi-lo bastante, ouvir a esposa dele e conferir as informações, cheguei à conclusão de que existe uma probabilidade enorme de ele estar falando a verdade e de que esse suposto estupro nunca ocorreu. Diante desse cenário, aceitei defendê-lo", declarou.

O advogado também afirmou que, inicialmente, considerou natural dar maior credibilidade ao relato da adolescente, mas que mudou sua percepção após analisar os elementos apresentados pelo cliente.

"Num primeiro momento, tive uma resistência natural em acreditar na inocência dele, porque a tendência é dar maior valor ao que uma adolescente de 14 anos fala. Mas, conforme fui estudando o caso, as informações, os dados e os documentos que me foram enviados, sinceramente, não consigo mais enxergar sequer a possibilidade de esse crime ter ocorrido. Particularmente, estou convencido da inocência dele", afirmou.

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