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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Preso por suspeita de estupro, homem levou crianças para passar o dia na piscina

Denúncia veio à tona após amiga da enteada contar à mãe o que teria presenciado na residência do suspeito

O padrasto suspeito de abusar sexualmente de três crianças foi preso no sábado, após denúncias de atos que teriam ocorrido durante um dia de piscina na casa dele, no Jardim Santa Felicidade, em Campo Grande. O homem é ex-companheiro da mãe de dois dos menores: uma menina de 11 anos e um menino de 12. Nesta segunda-feira (26), ele passou por audiência de custódia, e a juíza Eucélia Moreira Cassal decretou a prisão preventiva. Ao ser questionado sobre as acusações, o suspeito optou por ficar em silêncio.

Segundo o boletim de ocorrência, o homem buscou os dois irmãos e uma amiga deles, de 10 anos, para passar o dia em sua residência, onde há piscina. A menina mais nova contou à própria mãe o que teria presenciado no local. A mulher procurou, então, a mãe dos irmãos e relatou o ocorrido.

Conforme o registro policial, o suspeito teria esfregado as crianças contra as partes íntimas dele e tocado as nádegas dos três menores. A enteada de 11 anos também contou à mãe que, durante o banho de piscina, o homem retirou seu biquíni e tocou suas partes íntimas.

A mãe da menina afirmou à polícia que a filha já havia relatado abusos sexuais praticados pelo padrasto desde 2024. Segundo ela, os episódios teriam ocorrido repetidamente, em algumas ocasiões todos os dias.

Conforme o relato da mãe, a filha contou que o padrasto a obrigava a praticar sexo oral nele e também teria cometido atos sexuais com penetração. A menina disse que essas situações aconteciam diariamente antes de 3 de outubro deste ano.

Naquela data, segundo a mãe, a criança já havia sofrido um acidente de trânsito e sentia dores decorrentes das lesões. Por isso, as tentativas de repetir os atos com penetração não teriam sido concluídas. A mulher afirmou que, desde então até o atendimento policial, não houve novos episódios consumados dessa natureza.

A mãe contou que começou a desconfiar de que algo estava errado depois que a filha foi atropelada por uma motocicleta ao voltar da escola, naquela semana. A menina sofreu escoriações e lesões no rosto e na perna.

Ao ajudar a criança durante o banho, a mulher tentou se aproximar das partes íntimas da filha, mas ela não permitiu o toque, alegando sentir dor. Questionada se alguém havia tocado nela ou praticado algum ato contra ela, a menina inicialmente negou.

Mais tarde, conforme a mãe, a filha revelou que tinha medo de contar o que acontecia porque o padrasto ameaçava matar a mãe e dizia que também morreria caso os fatos fossem revelados. A menina decidiu falar após saber que a amiga de 10 anos também havia contado à própria mãe sobre o comportamento do homem durante a visita à casa com piscina.

Mãe não desconfiava do ex – A mãe afirmou que não imaginava que o ex-companheiro pudesse cometer os abusos relatados. Segundo ela, o homem era prestativo e carinhoso com as crianças, dava presentes e dinheiro à menina de 11 anos e a buscava frequentemente para passar tempo com ele, tanto na residência quanto na conveniência de sua propriedade.

Em outro relato à equipe policial, o menino de 12 anos disse que o ex-padrasto costumava fazer brincadeiras desagradáveis, como bater em suas nádegas e tocar suas coxas. Segundo o boletim, essas situações ocorreram algumas vezes. O garoto afirmou que considerava o comportamento estranho, mas não havia suspeitado de algo mais grave até a irmã contar o que teria acontecido.

A mãe da menina de 10 anos, amiga dos irmãos, foi procurada pelos policiais. Inicialmente, informou que estava trabalhando e não sabia dos fatos. Depois, compareceu à residência para conversar com a equipe e receber mais informações.

A Polícia Militar foi acionada para atender à denúncia de estupro de vulnerável. Quando os policiais deram voz de abordagem, o homem teria ficado agitado e avançado contra a equipe. Foi necessário usar força física para contê-lo e colocar as algemas.

No local, a mãe dos irmãos estava profundamente abalada, enquanto a menina de 11 anos chorava intensamente. Na presença dos policiais, ela afirmou que o suspeito havia praticado os atos que relatara.

A criança e a mãe foram encaminhadas à UBS (Unidade Básica de Saúde) Tiradentes. A menina passou por escuta especializada com uma assistente social, cujo relatório foi enviado diretamente ao delegado plantonista.

Ela também recebeu atendimento médico, realizou testes rápidos para infecções sexualmente transmissíveis e recebeu medicação e vacina contra o HPV como medidas preventivas.

Conforme as informações policiais, foi providenciado o exame de corpo de delito para verificar a eventual existência de vestígios relacionados aos fatos relatados. Também foram solicitadas medidas protetivas para as crianças e o Conselho Tutelar foi comunicado.

Durante a condução à delegacia, o suspeito apresentava escoriações pelo corpo, atribuídas à intervenção policial necessária para contê-lo. Ele estava com uma pochete que continha um celular iPhone, documentos pessoais, cartões e um relógio dourado.

Mãe contestou dúvidas sobre denúncia – Em publicação nas redes sociais no domingo, a mãe da menina de 11 anos contestou comentários que colocaram em dúvida a denúncia após um exame pericial apontar que o hímen da criança não estava rompido. Ela afirmou que o resultado não significa que os abusos não tenham ocorrido e pediu que o relato da filha seja tratado com seriedade.

A mulher disse que a menina demorou cerca de três anos para contar o que teria vivido e que as ameaças feitas pelo padrasto contribuíram para o silêncio. Segundo ela, o vínculo afetivo também dificultava a situação, já que a criança considerava o suspeito como pai.

A mãe relatou que a filha entrou em pânico quando o homem foi preso, chorando e chamando-o de pai, mas também confirmou aos policiais as acusações que havia feito anteriormente.

Em entrevista ao Campo Grande News nesta segunda-feira (26), a mulher descreveu o ex-companheiro como alguém de quem as pessoas gostavam e em quem confiavam. Ela disse que ainda tenta conversar com o filho de 12 anos para entender se ele passou por outras situações, mas pretende respeitar o tempo dele para falar.

A mãe também afirmou que o suspeito vendia bebidas alcoólicas a adolescentes na conveniência onde é proprietário. Segundo ela, chegou a questioná-lo por vender bebidas a menores, inclusive a garotos de 13 anos.

Ao tornar o caso público, a mulher disse que quer que a filha seja ouvida e que as denúncias sejam investigadas, independentemente do resultado do exame pericial.

Conforme apurado pela reportagem, o suspeito tem passagens policiais por violência doméstica e porte ilegal de arma. A investigação segue para apurar as denúncias.

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