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segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Réus do jogo do bicho recebem aval da Justiça para votar e realizar cirurgia

Entre os beneficiados estão um ex-assessor de Neno Razuk e um investigado em prisão domiciliar

Dois investigados na Operação Successione, que apura a atuação de organização criminosa ligada à exploração do jogo do bicho em Mato Grosso do Sul, receberam autorização da Justiça para exercer o direito ao voto. Um deles, Samuel Ozório Junior, também obteve permissão para passar por cirurgia. O outro beneficiado é Marco Aurélio Horta, ex-chefe de gabinete do então deputado estadual Neno Razuk.

As decisões foram divulgadas nesta segunda-feira (19), no Diário da Justiça e tratam de concessões individuais aos dois réus, investigados por suposta participação no esquema criminoso.

Em janeiro, Samuel Ozório Junior já havia obtido prisão domiciliar por questões de saúde. Naquele período, a Justiça autorizou que ele deixasse o estabelecimento prisional e permanecesse em casa, sob monitoramento eletrônico, enquanto passava por avaliação médica.

Na ocasião, a 4ª Vara Criminal de Competência Residual determinou a realização de perícia para verificar o estado de saúde do réu e se ele poderia receber tratamento adequado no sistema penitenciário.

A decisão estabeleceu o uso de tornozeleira eletrônica, a proibição de contato com outros denunciados e a necessidade de autorização judicial para deixar a residência, exceto em situações de emergência médica.

Segundo a denúncia do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), Samuel teria integrado a organização criminosa entre 2019 e novembro de 2025. Ele é apontado como um dos envolvidos na manutenção e expansão da exploração do jogo do bicho, principalmente em Campo Grande.

A concessão de voto também foi dada ao ex-chefe de gabinete do então deputado estadual Neno Razuk. Conhecido como Marquinho, ele trabalhou por quase 20 anos para a família Razuk e foi preso durante a quarta fase da Operação Successione, deflagrada em novembro de 2025.

Horta é investigado por suspeitas de envolvimento com organização criminosa e crimes de corrupção. Na época da operação, estava afastado das atividades na Assembleia Legislativa por licença médica, após passar por uma cirurgia.

Em dezembro de 2025, depois da prisão, pediu exoneração do cargo de chefe de gabinete, com efeitos retroativos ao primeiro dia daquele mês.

Conforme revelado pelo Campo Grande News, a investigação aponta que Horta teria atuado na movimentação financeira relacionada à família Razuk. Segundo o Gaeco, o ex-assessor realizava pagamentos de despesas pessoais de Neno Razuk e familiares, além de disponibilizar cartão de crédito ao então parlamentar.

Outro ponto apurado envolve a compra de uma aeronave avaliada em R$ 1,1 milhão. Durante as investigações, foi encontrada na residência de Horta uma via original do contrato de compra e venda do avião.

Em depoimento, ele afirmou que, apesar de o documento estar em nome de Neno Razuk, o verdadeiro proprietário seria Roberto Razuk, pai do então deputado. O patriarca morreu no dia 15 de outubro.

Investigação – A 4ª fase da Operação Successione foi deflagrada em 25 de novembro de 2025, com o cumprimento de 20 mandados de prisão preventiva e 27 de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, Paraná, Goiás e Rio Grande do Sul.

Entre os principais investigados estão integrantes da família Razuk, incluindo o ex-deputado estadual Roberto Razuk e os filhos Jorge e Rafael Razuk.

Conforme o Ministério Público, a organização criminosa teria aproveitado o espaço deixado por grupos atingidos pela Operação Omertà para ampliar o controle da exploração do jogo do bicho em Campo Grande e outras cidades.

A investigação também envolve suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção e outros crimes associados à manutenção e expansão das atividades ilegais. Segundo o Gaeco, os envolvidos atuavam por meio de uma estrutura organizada, com divisão de funções e movimentações financeiras destinadas à sustentação do esquema.

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