Mais do que roupas bonitas, cabelos arrumados e maquiagem, o que chamou a atenção na passarela foram as histórias de mulheres que enfrentaram o câncer e hoje celebram a vida. Nesta quarta-feira (14), cerca de 17 mulheres participaram de um desfile no Hospital de Amor, em Campo Grande, para mostrar que, depois de um diagnóstico difícil, também existem motivos para sorrir, se arrumar e comemorar cada conquista.
Com o tema "Prevenir é acreditar em mais vidas", o evento chegou à quinta edição e reuniu mulheres que passaram pelo diagnóstico e pelo tratamento da doença. A programação contou com música, sorteios, palestras sobre prevenção e relatos de superação, enquanto os atendimentos da unidade continuavam normalmente.
As participantes tiveram direito a uma preparação especial, que começou ainda nas primeiras horas da manhã. Com apoio de parceiros, receberam cuidados com cabelo, maquiagem, roupas e calçados para entrar na passarela. O momento mais marcante foi o desfile, quando as mulheres puderam compartilhar com o público um pouco da caminhada entre a descoberta do câncer e a recuperação.
Histórias que inspiram – Entre as participantes estava a técnica de enfermagem Regina de Barros, de 43 anos. Para ela, desfilar representa muito mais do que participar de uma comemoração. É uma oportunidade de incentivar outras mulheres a cuidarem da saúde e não deixarem os exames preventivos para depois.

"Para nós, mulheres que estamos nessa recuperação, é muito importante participar desses eventos, porque conseguimos mostrar para outras mulheres a importância da prevenção. É um dia muito importante para nós", relata.
Regina também destaca que o apoio recebido durante o enfrentamento da doença foi fundamental para continuar a caminhada. A fé, segundo ela, esteve presente em todos os momentos. "O que eu senti foi que Deus estava me apoiando o tempo inteiro. Fui vencendo passo por passo e estar aqui é um símbolo de cura e libertação também", conta.
A técnica de enfermagem reforça que o diagnóstico não deve ser encarado como uma sentença e lembra a importância do acompanhamento médico desde o início. "Para nós, o câncer tem cura, sim, desde que seja acompanhado desde o começo", afirma.

Para a auxiliar de limpeza Adriana Silva, o desfile teve um significado ainda mais especial. Há exatamente um ano, ela recebia o diagnóstico de câncer de mama no mesmo hospital onde agora celebra a recuperação.
Depois de enfrentar sessões de quimioterapia e radioterapia, voltar ao local para desfilar foi uma mistura de emoção, gratidão e superação.
"Quando recebi o diagnóstico, fiquei muito mal, mas segui em frente. Hoje faz um ano que descobri o câncer de mama neste mesmo lugar. Voltar aqui curada é uma emoção muito grande, um sentimento de gratidão e felicidade. É como se eu tivesse nascido novamente", conta.

A profissional de educação física e nutricionista Andreza dos Santos também encontrou no desfile uma oportunidade de reviver lembranças e celebrar a vida. Diagnosticada com câncer em 2008, ela passou pelo tratamento em outra cidade e continuou com o acompanhamento médico ao longo dos anos.
"Participar do desfile foi muito bom . Confesso que consegui reviver alguns momentos. Foi uma sensação diferente, porque tivemos a oportunidade de mostrar para a comunidade mulheres que passaram pelo câncer e hoje estão curadas", relata.
Para Andreza, o evento também serviu como um incentivo para quem ainda enfrenta a doença. Mais do que desfilar, ela quis mostrar que o diagnóstico não precisa representar o fim dos planos e que o cuidado com a saúde deve fazer parte da rotina das mulheres.
"Mulheres, procurem se tocar, se descobrir e se conhecer. O câncer tem cura, sim. O que conseguimos passar para a comunidade hoje é justamente essa mensagem", afirma.
Ao lembrar dos desafios enfrentados durante o tratamento, Andreza destaca a fé como uma das forças que a ajudaram a seguir em frente. Para ela, compartilhar a própria experiência é uma maneira de encorajar outras mulheres que estão passando pelo mesmo processo.
"Não é fácil, é muito difícil. Mas vocês que estão passando por esse momento, sintam-se encorajadas. Deus nos dá forças para superar os desafios".

Fim de ciclo – Segundo Flávia Miranda, que trabalha há 13 anos no Hospital de Amor, a ideia de organizar o desfile surgiu a partir do reencontro com pacientes que haviam passado pela unidade anos antes.
O hospital de Campo Grande atua na prevenção e no rastreamento dos cânceres de mama e do colo do útero. Quando há diagnóstico da doença, as pacientes são encaminhadas para tratamento na rede parceira.
Flávia explica que algumas mulheres chegaram à unidade para realizar exames preventivos, descobriram o câncer e precisaram enfrentar o tratamento. Anos depois, retornaram ao hospital para continuar o acompanhamento, mas já vivendo uma nova fase.
"A gente via essas mulheres voltando depois de um tempo, em outra fase da vida. Um dia, elas entraram pela porta da unidade de prevenção, fizeram o exame e receberam um diagnóstico que trouxe um impacto muito grande. Depois de alguns anos, voltaram para fazer os exames de rotina já em uma nova fase", conta.
Foi justamente essa transformação que inspirou a criação do desfile, realizado para valorizar as histórias de quem passou pelo tratamento e reforçar a importância do diagnóstico precoce.
Além da celebração, o encontro serviu para lembrar que os exames preventivos e o acompanhamento médico são fundamentais para identificar alterações e aumentar as chances de sucesso do tratamento.

