Ceramistas indígenas de diferentes regiões do País se encontram neste fim de semana em Mato Grosso do Sul para trocar técnicas e conhecimentos sobre a produção de peças feitas com barro e pigmentos naturais. O 2º Encontro Ancestral de Cerâmica Indígena será realizado de sábado (10) a segunda-feira (12), entre a aldeia Alves de Barros, em Porto Murtinho, e Bodoquena.
Participam artistas das etnias Kadiwéu, Macuxi e Wai Wai. Além da troca de experiências sobre a produção das peças, a programação terá treinamento sobre preços e vendas e termina com um bazar aberto ao público.
Na aldeia Alves de Barros, as mulheres Kadiwéu mantêm uma tradição passada entre gerações. Para produzir as peças, elas coletam o barro e utilizam pigmentos naturais encontrados em nascentes, pedras e riachos. A resina do pau-santo é usada para criar detalhes pretos e brilhantes.
A árvore, chamada de Elegigo na língua Kadiwéu, está ameaçada de extinção e faz parte dos conhecimentos tradicionais usados na produção das cerâmicas.
A relação com o território também está presente no trabalho das mulheres Macuxi. Na comunidade Raposa I, na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, a produção de cerâmica é um conhecimento compartilhado entre mulheres de diferentes idades.
Para Creuza Vergilio, presidente da Associação das Mulheres Artistas Kadiwéu (AMAK), a cerâmica representa “toda a sua vida”. A continuidade da produção também depende da preservação dos locais onde são encontrados os materiais utilizados pelas artistas.
O primeiro encontro foi realizado em 2022, na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, com artistas Macuxi, Kadiwéu e Terena. Desta vez, são as mulheres Kadiwéu que recebem as participantes em Mato Grosso do Sul.
“Dar continuidade ao encontro iniciado pelas comunidades de Roraima, com Sônia Rigueira e Enoque Raposo, é reconhecer o trabalho de quem criou essa aproximação. Agora, no território Kadiwéu, as artistas terão outra oportunidade de compartilhar seus conhecimentos e conversar sobre as condições de que precisam para seguir produzindo, ensinando e comercializando sua arte”, afirma Reinaldo Lourival, diretor executivo do Instituto Terra Brasilis.
Programação
No sábado (10), das 10h às 16h, a aldeia Alves de Barros recebe um treinamento sobre formação de preços e estratégias de venda, além de conversas sobre a comercialização das peças.
No domingo (11), também das 10h às 16h, será realizado o 2º Encontro Ancestral de Cerâmica Indígena. O dia será dedicado às técnicas, aos processos de produção e às formas de valorização da cerâmica.
Já na segunda-feira (12), feriado, a programação chega a Bodoquena. Das 9h às 17h, o público poderá visitar o Bazar da Associação das Mulheres Artistas Kadiwéu (AMAK), com venda de cerâmicas, cestarias, roupas e biojoias Kadiwéu.
O bazar será realizado na sede da Associação das Comunidades Indígenas da Reserva Kadiwéu (ACIRK), na Rua Guilherme Maidama, 128, em Bodoquena.
O encontro é promovido pelo projeto Vidas e Vozes Kadiwéu, realizado pelo Instituto Terra Brasilis em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental.

