Foi encontrado na manhã desta terça-feira (20), em uma estrada rural de Pedro Juan Caballero, no Paraguai, o corpo de Marcelo Juan Ortiz Moura, de 26 anos, sequestrado por um grupo de homens armados na madrugada de segunda-feira (19). Ele também tinha documento brasileiro com o nome de Marcelo Ruan Lázaro Ortiz.
A identidade foi confirmada pela Polícia Nacional do Paraguai. Durante o sequestro, a companheira dele, a brasileira Carolina Benites Arce, de 27 anos, foi executada a tiros de fuzil em frente à residência do casal, no Bairro Obrero, na cidade paraguaia separada por uma rua de Ponta Porã.
O cadáver de Marcelo foi localizado por volta das 6h30, em uma estrada de terra na Colônia Portera Ortiz, área atendida pela 15ª Delegacia de Cerro Corá'i, região norte da cidade. Moradores acionaram a polícia por telefone ao encontrarem o homem caído na margem da estrada.
Conforme informações divulgadas pela rádio paraguaia América FM, o corpo estava de bruços, com parte do tronco descoberta. Marcelo vestia uma bermuda vermelha e tinha sacos de plástico preto sobre a cabeça e os pés.
Peritos confirmaram a identificação após realizarem exames e utilizarem o AFIS (Sistema de Identificação Automatizada de Impressões Digitais), responsável pela comparação de impressões digitais. O procedimento permitiu estabelecer que o homem encontrado era o mesmo levado à força durante a invasão da residência na madrugada anterior.

Camioneta queimada
Outra descoberta ocorreu na Colônia Potrero Sur, no distrito de Zanja Pytã, a cerca de 20 quilômetros do local onde o corpo estava. Policiais encontraram uma camioneta Toyota Fortuner completamente incendiada, com danos na carroceria, nas portas, nos pneus e no interior. O modelo é idêntico à Hilux SW4, que no Paraguai recebe o nome de Fortuner.
Localizado a aproximadamente 12 quilômetros da área urbana de Pedro Juan Caballero, o veículo pode ser um dos utilizados pelos criminosos que sequestraram Marcelo e mataram Carolina. Segundo a imprensa paraguaia, investigadores trabalham com essa hipótese, mas ainda não há confirmação pericial de que a Toyota tenha participado do ataque.
Equipes de investigação e perícia estiveram no local para recolher vestígios que possam ajudar na identificação dos responsáveis. O incêndio destruiu grande parte do veículo, mas as autoridades buscam elementos que permitam relacioná-lo à ação criminosa.
Ataque na madrugada
Marcelo foi sequestrado por volta das 4h de segunda-feira (19), quando pelo menos 10 homens armados com fuzis chegaram à residência onde ele estava com Carolina, na Rua Valois Rivarola, nas proximidades da Rua Choferes del Chaco, no Bairro Obrero.
Câmeras de segurança registraram a chegada do grupo em duas SUVs da Toyota. Uma era branca e a outra cinza. Os criminosos usavam roupas táticas pretas e estavam fortemente armados.
Parte dos homens permaneceu na rua, enquanto os demais forçaram o portão da garagem e invadiram a casa. Marcelo foi retirado do imóvel e colocado à força em um dos veículos.
Carolina também foi levada para a área externa da residência, onde foi executada por disparos de fuzil. O médico legista Gustavo Galeano identificou 5 ferimentos provocados por tiros de calibre 7,62. Um dos disparos atingiu a região da orelha, atravessou o crânio e provocou graves lesões no rosto.
O promotor de Justiça Emilio Álvarez, responsável pela investigação, afirmou que as imagens de segurança indicam que tanto Marcelo quanto Carolina eram alvos dos criminosos. Segundo ele, a gravação mostra que a mulher foi derrubada por um dos integrantes do grupo antes de receber os disparos.
Durante a perícia na residência, investigadores recolheram quatro cápsulas deflagradas de calibre 7,62 e duas munições intactas de calibre 5,56. Também foram apreendidos carregadores, documentos relacionados a armas de fogo, celulares e equipamentos do sistema de câmeras de segurança.

Procurado pela Justiça brasileira
Marcelo Juan Ortiz Moura era considerado foragido da Justiça brasileira por tráfico de drogas. O paraguaio também possuía documentos brasileiros em nome de Marcelo Ruan Lázaro Ortiz.
Essa identidade estava vinculada a uma ordem de recaptura expedida em 5 de março de 2023 pelo juiz Albino Coimbra Neto, da 2ª Vara de Execução Penal de Campo Grande.
Uma linha de investigação considera informações sobre um antigo relacionamento de Carolina com um homem que também seria procurado por tráfico de drogas no Brasil. Entretanto, a polícia ainda não apresentou elementos que confirmem alguma ligação entre essa circunstância e o ataque.
Uma terceira pessoa estava na residência durante a invasão. O brasileiro Geovanne Matheus Rodrigues Martínez, de 28 anos, apontado como possível secretário de Marcelo, não foi atacado pelos criminosos. Ele foi encaminhado ao Ministério Público paraguaio para prestar depoimento.

