O ex-deputado estadual Roberto Razuk Filho, o Neno Razuk, chegou a Campo Grande no fim da tarde de ontem, após ser preso no domingo a caminho de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia.
A prisão dele foi feita em parceria entre a Polícia Federal (PF), o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e a Fuerza Especial de Lucha Contra el Narcoticos (Felcn) da Bolívia. No mesmo dia da entrega do preso, autoridades bolivianas anunciaram que uma delegacia da PF será instalada no país vizinho.
Condenado por assalto à mão armada e integrar organização criminosa, Neno Razuk estava foragido há um mês. Segundo a Polícia Federal, a “atuação coordenada permitiu o compartilhamento de informações, a realização de diligências e o alinhamento operacional” que resultou na prisão do ex-deputado.
Conforme o governo boliviano, Roberto Razuk Filho deu entrada no país vizinho no dia 1º de julho, pelo Posto de Controle Migratório que fica na cidade de San Matías, região que faz fronteira com o Brasil por Mato Grosso, no município de Cáceres. Conforme apurado, ele fazia uma viagem com destino a Santa Cruz de la Sierra.
A distância entre a cidade onde ele deu entrada na Bolívia e o destino para o qual seguia é de quase 700 quilômetros.
Nesse trajeto, ele foi parado em uma fiscalização e ao apresentar seu documento de identidade, a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), as autoridades bolivianas identificaram o mandado de prisão em aberto, que tem validade até o dia 6 de julho de 2046, por conta do crime de integrar organização criminosa.
Depois disso, ele foi levado até Puerto Quijarro, na fronteira com Corumbá, para dar saída obrigatória do país boliviano. Consta também no documento de expulsão da Bolívia que ele apresentou documento falso ou adulterado.
Neno Razuk ficou custodiado na Delegacia da Polícia Federal em Corumbá no domingo e foi transferido para Campo Grande por meio terrestre na manhã de ontem, com escolta do Gaeco. Por isso mesmo, a audiência de custódia que estava marcada para as 15h de ontem acabou sendo adiada.
A Coordenadoria de Custódia da Comarca de Campo Grande é quem passa a tratar da questão, remetendo o caso para a 4ª Vara Criminal da Capital, que expediu o mandado de prisão.
O mandado de prisão expedido contra ele é datado doa dia 8 de julho deste ano, quando Neno Razuk já tinha fugido e se abrigado na Bolívia. As autoridades do país vizinho não detalharam se o plano do foragido era instalar-se de forma ilegal em Santa Cruz de la Sierra.
No dia 24 de julho, o ex-deputado entrou para a lista vermelha de procurados da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol), após a suspeita de que ele teria deixado o Brasil, o que se confirmou após sua prisão.
O pedido para inclusão na lista internacional foi apresentado pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) e encaminhado à Polícia Federal por determinação do juiz José Henrique Kaster Franco, titular da 4ª Vara Criminal de Campo Grande.
A inclusão na lista vermelha da Interpol permite que autoridades policiais de outros países sejam alertadas sobre a existência da ordem de prisão e possam auxiliar na localização do procurado.
Segundo a defesa de Razuk, ele ficou sabendo da decretação da prisão por meio da imprensa e não teria se apresentado imediatamente por ainda existirem recursos pendentes de julgamento, “cujo eventual acolhimento poderia reverter a decisão que culminou na perda de seu mandato parlamentar, circunstância diretamente relacionada aos fundamentos da decretação da prisão”, diz em nota.
Os advogados de Neno Razuk ainda afirmam que ele se manifestou nos autos dizendo que se entregaria voluntariamente após o julgamento desfavorável sobre o seu mandato e também sobre a revogação de sua prisão, mas que a abordagem da polícia boliviana e a entrega dele à Polícia Federal impossibilitaram que isso acontecesse.
Neno Razuk foi condenado a 15 anos e 7 meses de prisão por assalto à mão armada e organização criminosa em uma das denúncias resultantes da Operação Sucessione, do Gaeco, que teve como alvo a alta cúpula do jogo do bicho de Mato Grosso do Sul. Além dele, o pai, Roberto Razuk, e os irmãos, Rafael Razuk e Jorge Razuk, também foram presos.
Segundo as investigações, o grupo liderado pela família Razuk tentava comandar, na marra, à base de assaltos à mão armada e troca de tiros, o jogo do bicho em Campo Grande, que teria sido vendido da família Name para um grupo de São Paulo.
DELEGACIA
A fuga de procurados da justiça brasileira para a Bolívia, usando a fronteira com Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, não é uma novidade. Por causa disso, autoridades bolivianas anunciaram ontem a construção de uma delegacia da Polícia Federal em Puerto Suárez, na fronteira com Corumbá.
“Nas próximas semanas estamos lançando um plano que vai se chamar Fronteiras Seguras. Vamos começar com o Brasil instalando mecanismos de controle e repressão de delitos nas fronteiras com Cobika, Guayaramerín, San Matías y Puerto Suárez, que são pontos por onde sai a droga, entram malfeitores e vamos fazer atos entre a polícia boliviana e a polícia brasileira”, disse o ministro boliviano Marco Antonio Oviedo.
Outro foco da delegacia é o combate às organizações criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), que também estão em guerra na Bolívia por rotas do tráfico.
*SAIBA
A prisão de Neno Razuk é a última dos considerados “capos” do jogo do bicho em Mato Grosso do Sul. Antes dele foram para a cadeia seu pai, Roberto Razuk, Jamil Name, Jamil Name Filho, Fahd Jamil, José Eduardo Abdulahad e Rhiad Abdulahad.

