O proprietário de uma casa lotérica de Dourados desconfiou de uma possível fraude e acionou a Polícia Militar nesta quinta-feira (15), depois que um homem apresentou comprovantes de Pix que somavam R$ 28 mil e pediu que o dinheiro fosse depositado em duas contas bancárias.
No dia anterior, o mesmo estabelecimento havia recebido uma transferência de R$ 4.225 que acabou contestada pelo titular da conta de origem.
Conforme o relato do proprietário aos policiais, a primeira operação foi realizada na quarta-feira (14), quando um homem solicitou um procedimento envolvendo o valor de R$ 4.225. Posteriormente, a pessoa titular da conta de origem informou que não havia autorizado a transferência e alegou que seus dados bancários teriam sido utilizados por terceiros.
Com a contestação, o proprietário foi avisado de que os R$ 4.225 seriam retirados da conta da lotérica. Na prática, isso significava que o estabelecimento poderia perder o dinheiro recebido na operação.
Na quinta-feira, o jovem de 22 anos voltou ao local e apresentou comprovantes de duas transferências via pix, de R$ 20 mil e R$ 8 mil. Ele pediu que os valores fossem depositados em duas contas diferentes.
Como já havia enfrentado problemas com a transação do dia anterior, o proprietário desconfiou da nova movimentação, recusou o pedido e chamou a Polícia Militar.
A suspeita é de que o homem estivesse sendo utilizado para intermediar operações financeiras com dinheiro de origem questionável.
Segundo o relato feito à polícia, ele afirmou que recebia comprovantes de Pix e procurava casas lotéricas para solicitar depósitos em contas indicadas por terceiros. Disse também que não tinha acesso às contas bancárias nem controle sobre os valores movimentados.
O jovem relatou que havia vindo de Campo Grande para Dourados após ser contratado por intermédio de um amigo. Ele afirmou receber instruções de pessoas que não sabia identificar e disse manter contato com elas pelo WhatsApp.
Antes da chegada da equipe policial, ele tentou sair do local, mas foi contido por um cabo da Polícia Militar que estava de folga e presenciou a situação.
Durante o deslocamento para a delegacia, o proprietário informou que os R$ 28 mil ainda estavam na conta da lotérica e que havia solicitado à Caixa Econômica Federal o bloqueio do valor. Até aquele momento, porém, a medida não havia sido efetivada.
O suspeito foi encaminhado à Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário). O caso deve ser apurado como possível estelionato. A origem dos valores, a participação do homem e a eventual atuação de outras pessoas deverão ser esclarecidas pela investigação.

