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quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Ladrão é amarrado ao arrancar fiação de restaurante e dar prejuízo de R$ 60 mil

Autor danificou o forro ao invadir estabelecimento pelo telhado na madrugada desta quinta-feira

Ladrão foi detido por vizinhos após invadir um restaurante e choperia na Avenida Gury Marques, no Bairro Universitário, em Campo Grande, na madrugada desta quinta-feira (8). Segundo o comerciante Calisto Couto Martins, o suspeito entrou pelo telhado, caiu de uma altura de aproximadamente quatro metros e tentou deixar o prédio pela chaminé. O prejuízo causado pela invasão é estimado em R$ 60 mil.

“Eu acredito que ele entrou aqui entre umas 3h30 e 4h da manhã. Ele deve ter tido dificuldade para soltar a telha e caiu para dentro. Como ali é alto, deve dar uns quatro metros e pouco. Ele foi caindo em cima aí e, quando desceu, foi puxando a fiação. Onde tinha fio, foi estourando o forro todinho”, relatou Calisto, que está há 18 anos no local.

Durante a invasão, o homem arrancou fios, tomadas e cabos de equipamentos, incluindo os da geladeira. “A geladeira, ele cortou todos os cabos que dão acesso à tomada e arrancou todas as tomadas que tinha aqui. O que ele podia arrancar de fio, ele arrancou. Eu calculo ter uns R$ 60 mil de prejuízo”, afirmou.

Ladrão é amarrado ao arrancar fiação de restaurante e dar prejuízo de R$ 60 mil
Buraco no telhado por onde o ladrão entrou no restaurante durante a madrugada (. Foto: Direto das Ruas)

Os vizinhos perceberam a movimentação e conseguiram deter o suspeito quando ele tentava deixar o imóvel carregando um bolo de fios. Segundo Calisto, cerca de 20 pessoas cercaram o homem e o amarraram com um dos próprios fios retirados do estabelecimento.

“Os guris pegaram ele. Ele estava saindo ali pelo telhado. Saiu de novo pelo telhado, pulou e caiu. Ele já entrou se machucando aqui, quando entrou, caiu”, contou.

A Polícia Militar foi acionada e estava levando o suspeito. Calisto relatou que o homem apresentava ferimentos no rosto e que havia sangue no nariz. “Nós seguramos ele, está amarrado aí”, disse.

O comerciante contou ainda que o suspeito tentou deixar o local pela chaminé após entrar pelo telhado. O homem acabou sendo contido pelos vizinhos antes de conseguir fugir.

O estabelecimento não possui câmeras de segurança porque o prédio está com a energia desligada, já que há tentativa de locação ou venda do imóvel.

Calisto afirmou que a invasão desta quinta-feira não foi a primeira. “Esses dias atrás entraram, quebraram um pouco desse gesso, levaram a fiação do poste, a fiação de cima. E agora entraram e terminaram de quebrar”, relatou.

Na noite anterior, por volta da meia-noite, o comerciante disse ter encontrado outro homem deitado embaixo do estabelecimento. “Eu passei aqui, era meia-noite e pouco, ele estava deitado debaixo aí. Eu falei: ‘Não quero ninguém aqui. Pode sair’. Ele caiu fora”, contou.

Por volta da 1h, ao retornar ao endereço, Calisto encontrou outras duas pessoas. “Eu fui buscar um carro que tenho, um guincho, voltei era 1 hora da manhã. Tinha outros dois aí que não eram ele. Coloquei para correr também, foram embora”, afirmou.

Segundo o comerciante, furtos de fios, baterias e outros materiais são frequentes na região. “Todo dia você tem esse problema. Nossos vizinhos aqui, nosso quarteirão, nossa região, são todo dia furtados. Fiação de poste, os caras entram para dentro, arrancam fiação de dentro, bateria de veículo, é tudo que eles podem furtar”, disse.

Calisto também afirmou que o homem contou que costuma vender os materiais furtados em um estabelecimento que compra metais e cobre na região. Segundo ele, o suspeito disse que o quilo do cobre estaria sendo vendido por R$ 59.

“Ele mesmo dizendo aqui para nós que vende ali na JJ, onde compra esses metais, cobre, esses negócios. Ele disse que o cobre está R$ 59 o quilo. Então, para eles, compensa roubar”, relatou.

Ladrão é amarrado ao arrancar fiação de restaurante e dar prejuízo de R$ 60 mil
Local por onde o ladrão tentou deixar o restaurante após invadir o estabelecimento pelo telhado (. Foto: Direto das Ruas)

O comerciante também citou prejuízos enfrentados por outros estabelecimentos próximos. Segundo ele, um vizinho do ramo de hortifruti teria deixado de trabalhar após uma ocorrência e acumulado prejuízo de aproximadamente R$ 90 mil.

“Meu vizinho aqui da laranja teve um prejuízo de mais ou menos uns R$ 90 mil, porque ele não pôde trabalhar. Ficou um dia parado, com vários caminhões para descarregar e entregar para os mercados”, contou.

Calisto também mencionou uma empresa de sucos que perdeu uma carga após a fiação ser cortada. “Esses dias, perdeu uma carga porque cortaram a fiação. Ele foi ver na segunda, descongelou todo o suco. Como que vai vender?”, afirmou.

Para o comerciante, os furtos ocorrem principalmente durante a madrugada. “Durante o dia eles não aparecem. Eles ficam à noite. À noite fica um dormindo, cuidando aí, para dar sinal para os outros, às vezes de madrugada subir. À noite eles descansam, de dia eles descansam, porque à noite estão na ativa”, disse.

Calisto afirmou que está há 18 anos no local e reclama há muito tempo da situação. “Nós estamos à mercê desses vagabundos . Nós somos vítimas deles. O que nós vamos fazer? A polícia não faz nada, o governo não faz nada, a prefeitura não ajuda nós em nada”, reclamou.

Ele também criticou a demora no atendimento policial. “A polícia demora duas horas, duas horas e meia. Ela vem e fala que não pode fazer nada. E ainda fala para a gente ficar mais tranquilo, que isso acontece em Campo Grande inteiro”, afirmou.

Diante dos furtos recorrentes, o comerciante citou uma reportagem publicada pelo Campo Grande News, em agosto, sobre moradores do Bairro Cafezais que passaram a discutir medidas próprias de segurança diante da sequência de ocorrências na região.

“A gente tem que fazer igual o Cafezais está fazendo, se armar e ficar esperando o vagabundo . Porque nós estamos nessa situação e não é de agora. A gente reclama há muito tempo, mas estamos completamente abandonados pelo poder público”, declarou.

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