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quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Operação sobre esquema bilionário de combustíveis que já cumpriu mandados em Dourados tem nova fase

Uma nova etapa das investigações sobre um esquema bilionário envolvendo o setor de combustíveis foi deflagrada nesta quinta-feira (24), com foco na estrutura financeira que, segundo os investigadores, teria sido utilizada para ocultar patrimônio e viabilizar a aquisição de uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país.

Batizada de Operação Crédito Oculto, a ação é um desdobramento da Operação Carbono Oculto e cumpre mandados de busca e apreensão contra 13 pessoas e 19 empresas em sete estados. São 26 alvos em São Paulo e um em cada um dos estados do Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Mato Grosso do Sul não está entre os locais alvo desta nova fase.

Embora a nova fase não tenha mandados em MS, a investigação já teve desdobramentos no Estado. Na Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025, foram cumpridos um mandado em Dourados e outros sete em Iguatemi.

Mais recentemente, uma indústria instalada no Distrito Industrial de Dourados também foi citada em denúncia do Ministério Público de São Paulo relacionada ao esquema. Esses desdobramentos ajudam a contextualizar a presença de Mato Grosso do Sul na investigação, mas a Operação Crédito Oculto desta quinta-feira concentra as medidas judiciais em outros sete estados.

A operação é realizada pela Receita Federal, Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo, Polícia Militar e Polícia Civil, com apoio de equipes do Gaeco de outros estados.

De acordo com a investigação, os envolvidos teriam utilizado uma combinação de empresas, fundos de investimento, holdings, empresas patrimoniais, empresas de fachada, fintech e instituições financeiras para criar camadas de ocultação entre os recursos e os verdadeiros beneficiários das operações.

A apuração aponta que a primeira etapa envolveu a ocultação dos reais proprietários de uma usina sucroalcooleira no interior de São Paulo. Embora a titularidade formal estivesse distribuída entre fundos e empresas aparentemente independentes, os investigadores identificaram elementos que indicariam a manutenção do controle econômico pelo grupo.

Um dos principais pontos identificados foi uma operação de aproximadamente R$ 370 milhões em direitos creditórios da usina. Segundo os levantamentos, uma empresa ligada à estrutura de investimentos adquiriu os créditos por meio da transferência de cotas de um fundo, enquanto parte relevante dos recursos teria origem em outros fundos controlados pelo mesmo grupo.

Para os investigadores, o mecanismo teria criado um fluxo financeiro circular, dando aparência de legitimidade à operação e dificultando a identificação dos reais beneficiários.

R$ 100 milhões na aquisição

A investigação aponta ainda que a estrutura montada para a usina teria sido utilizada posteriormente na aquisição de uma grande distribuidora de combustíveis.

Segundo os investigadores, R$ 100 milhões enviados pela organização criminosa teriam passado por diferentes contas de empresas e fintechs antes de chegar à usina. Os valores foram posteriormente aportados em um fundo de investimento criado para viabilizar o negócio.

Na sequência, o dinheiro teria sido movimentado por meio de uma operação envolvendo um Certificado de Depósito Bancário Vinculado (Cdbv). Conforme a apuração, o fundo adquiriu um CDB de um banco, que realizou uma operação associada à emissão de duas cédulas de crédito bancário para empresas apontadas como de fachada.

De acordo com a investigação, essas empresas teriam sido utilizadas para ocultar os verdadeiros beneficiários da operação de aquisição da distribuidora.

Além da aquisição da distribuidora, os investigadores apontam que recursos também foram empregados na compra integral de cotas de um fundo imobiliário. Os imóveis relacionados à operação teriam sido previamente transferidos para empresas patrimoniais e, posteriormente, para fundos, mantendo o controle econômico dos bens com o grupo investigado, mas afastando-os de seus patrimônios pessoais.

Estrutura financeira

Segundo a investigação, cada empresa ou veículo financeiro teria desempenhado uma função específica dentro da estrutura. A fintech seria utilizada para circulação e fragmentação dos recursos; a usina, para receber e incorporar os valores à atividade formal; os fundos, como financiadores de fato; as holdings, para realizar aquisições; e as empresas-veículo, para criar distância entre a origem dos recursos e os beneficiários dos ativos.

Os fundos imobiliários também teriam sido utilizados para concentrar imóveis relacionados aos investigados, oferecendo suporte econômico às operações e mantendo os bens em patrimônios segregados.

Outro dado que chamou a atenção dos investigadores é a movimentação de aproximadamente R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025 por uma empresa financeira empregada na aquisição simulada da usina sucroalcooleira.

Para a investigação, o volume movimentado, associado aos demais elementos reunidos, reforça os indícios de utilização da estrutura para ocultação patrimonial, dissimulação da origem dos recursos e lavagem de capitais.

Operação sobre esquema bilionário de combustíveis que já cumpriu mandados emDourados tem nova fase

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