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terça-feira, 3 de novembro de 2026

Polícia descarta indícios de crime em queda de caminhonete no Rio Ivinhema

Casal teria confundido rampa de acesso com estrada alagada; homem de 56 anos continua desaparecido

A Polícia Civil trata como acidente a queda de uma caminhonete no Rio Ivinhema, na região de Angélica, na noite de domingo (1º). A investigação aponta que o casal entrou na água por engano, ao confundir a rampa de acesso ao rio com uma estrada alagada.

Estela Thomazetto, de 48 anos, foi encontrada morta dentro do veículo, enquanto João Luiz dos Santos, de 56, continua desaparecido. O delegado Gustavo Oliveira, responsável pelo caso, descartou, até o momento, indícios de feminicídio ou suicídio.

"Inicialmente, trata-se de um acidente, uma fatalidade. Não há qualquer indício de feminicídio ou suicídio", afirmou o delegado, que apresentou nesta terça-feira (3) os resultados preliminares da investigação.

Local era desconhecido – Segundo Gustavo, vários fatores contribuíram para o acidente. O casal não conhecia a área, localizada em um condomínio fechado, e não morava e nem havia alugado imóvel no local. Para a polícia, os dois acessaram a propriedade por engano.

As condições das estradas da região também podem ter provocado a confusão. Conforme o delegado, há trechos alagados em que a água chega à altura das rodas de veículos altos, como a caminhonete S10 utilizada pelo casal. Por isso, os ocupantes podem ter acreditado que estavam atravessando mais um trecho de estrada coberto pela água.

Outro fator considerado pela investigação é o possível consumo de álcool. Gustavo afirmou que testemunhas relataram que as vítimas passaram o dia ingerindo bebidas alcoólicas. Ainda não há resultados de exames que confirmem o consumo ou indiquem eventual influência sobre a capacidade de dirigir.

A análise das imagens de segurança também reforçou a hipótese de acidente. Segundo o delegado, Estela aparecia sentada normalmente no banco do veículo, com uma das mãos segurando a alça de segurança, geralmente utilizada pelos passageiros durante a passagem por obstáculos.

"Não havia ninguém a segurando, tampouco estava agitada ou havia qualquer outro elemento que sugerisse estar em uma discussão ou sendo levada à força", explicou Gustavo.

Os peritos também observaram que os gritos de socorro dela começaram somente quando a caminhonete já estava dentro do rio e afundava.

Outro detalhe identificado nas gravações foi a reação do motorista. Quatro segundos após entrar na água, ele acionou o freio e engatou a marcha à ré, conforme a análise das luzes traseiras do veículo [veja o vídeo acima].

Motorista teria percebido erro – Para a Polícia Civil, a tentativa de retornar demonstra que o condutor percebeu o erro quando a caminhonete já estava na água. O delegado explicou que o nível elevado do rio encobria o declive acentuado da rampa de acesso. Em apenas quatro segundos, a água já havia tomado a cabine e coberto as portas, dificultando a saída dos ocupantes.

A profundidade também contribuiu para a gravidade do acidente. Conforme a investigação, o rio chega a seis metros logo nos primeiros metros da rampa. Com a pressão exercida pela água, a abertura das portas se torna extremamente difícil.

A análise pericial das imagens indicou ainda que nenhum dos ocupantes conseguiu sair da caminhonete enquanto ela afundava. Uma das portas teria se aberto somente quando o veículo já estava no fundo do rio, possivelmente devido à pressão da água.

A hipótese dos investigadores é que o homem tenha sido lançado para fora nesse momento. A força da correnteza deslocou a caminhonete por aproximadamente 40 metros no fundo do rio.

Gustavo também afirmou que a investigação não encontrou histórico de violência entre o casal ou qualquer outro elemento que sustente a suspeita de crime.

"Não há qualquer indício de morte intencional. Não há histórico de violência entre o casal, nem qualquer outro elemento que, até o momento das investigações, sugira outra linha investigativa que não a de acidente por erro de percepção", declarou.

O delegado classificou como desrespeitosas à família as conclusões divulgadas antes do esclarecimento das circunstâncias do caso.

Idade das vítimas – Na nota, o delegado também atribuiu parte das dificuldades enfrentadas pelo casal à idade, ao afirmar que os reflexos e a visão dos ocupantes já não seriam os mesmos. Ele classificou os dois como idosos ao explicar por que não conseguiram abrir as portas da caminhonete.

Entretanto, a mulher tinha 48 anos e o homem, 56. Conforme o Estatuto da Pessoa Idosa, a legislação brasileira considera idosas as pessoas com 60 anos ou mais. Nenhum dos ocupantes se enquadrava nessa condição. A polícia ainda não apresentou exames ou informações médicas que indiquem comprometimento da visão ou dos reflexos das vítimas em razão da idade.

Polícia descarta indícios de crime em queda de caminhonete no Rio Ivinhema
Bombeiros na rampa de acesso ao rio, onde caminhonete afundou (. Foto: Divulgação)

Buscas continuam – O Corpo de Bombeiros mantém as buscas por João Luiz dos Santos, que até a tarde desta terça-feira ainda não foi localizado. A mulher foi encontrada na segunda-feira (2), dentro da caminhonete submersa.

O trabalho dos mergulhadores enfrenta dificuldades devido ao nível elevado do Rio Ivinhema, à correnteza forte e à água turva, que reduz a visibilidade durante as buscas. A Polícia Civil mantém a hipótese de acidente por erro de percepção como principal linha de investigação.

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