21.4 C
Dourados
domingo, 25 de outubro de 2026

‘Atoleiro’ ainda é maior desafio para indígenas chegarem aos locais de votação em Dourados

As condições das estradas ainda são o principal desafio da comunidade para ter acesso aos locais de votação na Reserva Indígena de Dourados. Muita lama e buracos dificultam a chegada dos eleitores às urnas neste domingo, dia 25, quando acontece o 2º turno das Eleições Gerais de 2026.

“O barro não está ajudando muito para as pessoas saírem de casa. Principalmente os que vêm de bicicleta, e a pé” relata o cacique terena, Marcos Almirão da Silva Lopes, 46 anos.

Ele relata que apesar desse desafio e de pedidos para que governantes coloquem asfalto nas Reserva, para ele, entre um cenário de “dificuldade geral” que os indígenas passam, a maior demanda é a implantação de creches.

“Todo mundo quer colocar asfalto dentro da comunidade. E a gente vê tantas crianças sem um teto, sem um lar, sem creche e muitos pais, muitas mães trabalham. Alguns deixam na cidade, fora do convívio, que é fora dos nossos costumes, os costumes dos pais, familiares. Então, fica na cidade e fica perdendo todas as suas origens. Então, eu acredito que uma creche, igual os ‘karais’ falam. Seria muito útil aqui, em vez de eles estar querendo colocar asfalto e outras coisas mais”, acredita o líder.

'Atoleiro' ainda é maior desafio para indígenas chegarem aos locais de votaçãoem Dourados

Cacique terena, Marcos Almirão da Silva Lopes. Foto: Clara Medeiros / Dourados News

Acompanhando a votação na Escola Municipal Indígena Tengatuí Marangatu, na aldeia Jaguapiru, o Dourados News encontrou novamente a indígena kaiowá Josiane Batista Januário, de 29 anos, que no 1º turno concedeu entrevista à equipe chegando para votar após quilômetros de caminhada da aldeia Bororó debaixo de chuva, com o marido, de 35 anos, e os dois filhos, de 4 e 11 anos, que não tinham com quem deixar.

Ela havia optado por seguir a pé justamente devido as condições das estradas que estavam intransitáveis. Desta vez, ela conseguiu ir de bicicleta com o filho de 11 anos, enquanto o marido ficava com o filho de quatro anos em casa aguardando a ela voltar. No entanto, o veículo ajudou apenas até a metade do trajeto.

'Atoleiro' ainda é maior desafio para indígenas chegarem aos locais de votaçãoem Dourados

Indígena kaiowá Josiane Batista Januário. Foto: Clara Medeiros / Dourados News

“Eu vim de bicicleta um pouquinho, e aí a gente veio metade, atolou. Graças a Deus que tinha água, a gente passou pela água e desatolou, aí veio embora de novo”, relata, contando que desta vez pretendia votar rápido para fugir da chuva.

Já a indígena kaiowá Marluce da Silva, de 40 anos, permaneceu vestida em uma capa de chuva por precaução. “Eu coloquei porque estava chovendo quando eu vim”, contou ela.

'Atoleiro' ainda é maior desafio para indígenas chegarem aos locais de votaçãoem Dourados

Indígena kaiowá Marluce da Silva. Foto: Clara Medeiros / Dourados News

Em Dourados, já choveu 18.9 mm neste domingo. A cidade ainda permanece até às 23h59 em alerta amarelo e laranja de tempestade. Isso significa que há risco de a chuva chegar a 100 mm ao longo do dia, os ventos alcançarem 100km/h e haver queda de granizo.

A movimentação nas seções localizadas na Reserva na manhã deste domingo estava maior do que no 1º turno. No entanto, ainda havia menos gente do que em anos anteriores. O tempo de votação variava em relação a cada eleição, sendo que em parte havia fila.

Ao todo são quatro locais de votação localizados nas aldeias Jaguapiru e Bororó, os quais possuem 6,9 mil eleitores aptos a irem às urnas.

Com a eleição para o Governo do Estado definida, os indígenas vão às urnas escolher o presidente da República. São candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

A votação encerra às 16h no horário de Mato Grosso do Sul. Para exercer o voto é preciso levar um documento pessoal com foto.

Leia também

Últimas Notícias