Dourados está entre os municípios mais adiantados no plantio da soja da safra 2026/2027 em Mato Grosso do Sul. Até 2 de outubro, cerca de 40% da área prevista no município já havia sido semeada, percentual mais que duas vezes superior à média estadual, de 18%. Os dados são do SIGA-MS (Sistema de Informação Geográfica do Agronegócio), divulgados no Boletim Casa Rural desta terça-feira (6).
O ritmo de Dourados acompanha o cenário observado no sul do Estado, que concentra os municípios mais avançados nesta etapa da safra. A região tinha, em média, 25,3% da área plantada, contra 11,4% na região central e menos de 0,4% no norte de Mato Grosso do Sul. No conjunto do Estado, aproximadamente 877,4 mil hectares já estavam semeados.
Dentro da região Sul, porém, o avanço é bastante desigual. Conforme o gráfico do levantamento, Juti aparece na dianteira, com aproximadamente 60% da área plantada, seguida por Fátima do Sul, com cerca de 55%. Dourados está no grupo seguinte, próximo dos 40%, juntamente com municípios como Caarapó, Deodápolis e Glória de Dourados. Em outras localidades, como Angélica, Douradina e Ivinhema, o percentual ainda é menor. Os números municipais são apresentados graficamente pelo levantamento e, por isso, alguns percentuais devem ser considerados aproximados.
A largada mais rápida no sul ajuda a colocar Mato Grosso do Sul bem à frente do ritmo observado no mesmo período da temporada passada. Em 2 de outubro, 18% da área estadual estava plantada, avanço de 14,1 pontos percentuais em relação à safra 2025/2026 na mesma data.
Segundo o boletim, o avanço no Centro-Sul foi favorecido pelas condições adequadas de umidade do solo. As chuvas também têm contribuído para o estabelecimento das plantas. O levantamento, no entanto, chama atenção para o risco de selamento superficial do solo, situação que pode dificultar a emergência das plântulas. No norte do Estado, a semeadura permanece mais lenta porque as chuvas ainda não se normalizaram. A expectativa é de aceleração a partir da segunda quinzena de outubro.
Área plantada
Apesar do plantio mais rápido, a projeção para a temporada é de maior área cultivada, mas menor produtividade. Mato Grosso do Sul deve plantar 4,874 milhões de hectares de soja, crescimento de 5,5% sobre o ciclo anterior. A produtividade estimada é de 52,4 sacas por hectare, queda de 13,2%. Com isso, a produção projetada chega a 15,331 milhões de toneladas, 8,4% abaixo da safra passada. A estimativa de produtividade é baseada na média dos últimos cinco anos acompanhados pelo SIGA-MS.
O cenário significa que a expansão da área, sozinha, não deverá ser suficiente para compensar a produtividade menor prevista inicialmente. Na safra passada, Mato Grosso do Sul cultivou cerca de 4,62 milhões de hectares, com produtividade de 60,4 sacas por hectare e produção de 16,744 milhões de toneladas.
O acompanhamento é feito pela Aprosoja/MS (Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul) e pelo Sistema Famasul, por meio de consultas a produtores, sindicatos rurais e empresas de assistência técnica. Os números ainda são estimativas e podem mudar ao longo da safra, especialmente porque o levantamento de produtividade da soja ocorre entre fevereiro e abril.

Soja na economia de Dourados
Dados da PAM (Produção Agrícola Municipal), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mostram que a oleaginosa gerou R$ 1,091 bilhão em valor da produção no município em 2025.
No conjunto de Mato Grosso do Sul, a soja foi a cultura de maior valor econômico em 2025. Foram R$ 25,081 bilhões, contra R$ 11,254 bilhões do milho em grão e R$ 8,146 bilhões da cana-de-açúcar. A soja respondeu, portanto, por mais da metade do valor somado das três principais culturas agrícolas do Estado.
Em Dourados, essa produção sustenta uma cadeia que vai além das propriedades rurais. O movimento da safra gera demanda por sementes, fertilizantes e defensivos, máquinas e manutenção, assistência técnica, armazenagem e transporte.
Depois da colheita, parte dos grãos ainda abastece atividades de comercialização e processamento. Além de trabalhadores contratados diretamente pelas propriedades rurais, a produção também movimenta empregos e renda na indústria, no transporte, no comércio e nos serviços ligados ao agronegócio.
O peso da soja também chega ao comércio exterior. A cultura é um dos principais produtos da pauta exportadora de Mato Grosso do Sul e, consequentemente, o desempenho das lavouras influencia o volume de mercadorias disponível para embarque.
Somente a soja movimentou mais de R$ 1 bilhão em Dourados em 2025, dentro de um mercado estadual que alcançou R$ 25 bilhões.
No ano passado, empresas com domicílio fiscal em Dourados exportaram US$ 906,52 milhões e importaram US$ 106,34 milhões. Assim, o município teve superávit comercial de US$ 800,18 milhões. O município respondeu por 8,44% das exportações de Mato Grosso do Sul no ano, ficando atrás de Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo.

