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domingo, 20 de setembro de 2026

Dúvida constante sobre parceiro pode ser sinal de TOC de relacionamento, alerta psiquiatra

Elisabete Castelon Konkiewitz explica que comparações, verificações e medo de errar alimentam ciclo de ansiedade e recomenda ajuda profissional

Questionamentos persistentes sobre estar ou não com a pessoa certa, sentir atração pelo parceiro ou possuir um relacionamento tão bom quanto o de outras pessoas podem indicar uma manifestação do transtorno obsessivo-compulsivo, o TOC, voltada à vida afetiva.

O tema foi abordado pela médica psiquiatra Elisabete Castelon Konkiewitz, de Dourados, em vídeo publicado em seu canal no YouTube. Especialista em Neurologia e Psiquiatria pela Alemanha e doutora em Neurologia pela Technische Universität München, ela atua há mais de 30 anos no atendimento clínico, na pesquisa e no ensino superior.

Segundo a médica, o chamado TOC de relacionamento é marcado por pensamentos circulares e repetitivos sobre diferentes aspectos da relação. A pessoa pode questionar continuamente se ama o companheiro, se sente atração, se está satisfeita sexualmente ou se teria uma vida melhor com outra pessoa.

As dúvidas também podem levar a comparações frequentes com relacionamentos anteriores, casais próximos ou pessoas vistas na rua, na televisão e no cinema. Mesmo quando encontra argumentos favoráveis à relação, a pessoa não consegue alcançar uma conclusão definitiva e volta a questionar os próprios sentimentos.

Elisabete explica que esses pensamentos podem ocupar várias horas do dia e provocar ansiedade, medo, angústia, insatisfação e desconforto. Para tentar obter certeza, a pessoa passa a adotar comportamentos de verificação, como pesquisar sobre relacionamentos, pedir conselhos, observar as próprias reações durante momentos íntimos e confessar ao parceiro pensamentos ou atrações por terceiros.

Também podem surgir comportamentos de evitação. Com receio de não sentir atração suficiente, por exemplo, a pessoa pode evitar relações sexuais ou outras situações capazes de despertar novas dúvidas.

Conforme a psiquiatra, essas tentativas de controle não resolvem o problema. Ao contrário, aumentam a importância atribuída aos pensamentos, reforçam o ciclo de verificações e ampliam a angústia. O quadro pode gerar sofrimento para o paciente e para o parceiro, prejudicar outras atividades e até provocar o fim de relacionamentos que poderiam ser saudáveis.

A especialista afirma que, por trás dessas obsessões, geralmente estão o medo de errar, a busca pelo relacionamento perfeito e a dificuldade de conviver com as incertezas da vida. Tentar simplesmente afastar os pensamentos ou fazer força para não pensar no assunto também não costuma funcionar.

O primeiro passo é reconhecer quando as dúvidas se tornam excessivas, repetitivas e prejudiciais. Atividades físicas e trabalhos manuais podem ajudar momentaneamente na conexão com o presente, mas não substituem o acompanhamento especializado.

Entre as abordagens mencionadas pela médica estão a psicoterapia, a terapia de exposição com prevenção de resposta e estratégias de aceitação. Ela explica que o objetivo é ajudar o paciente a identificar o pensamento obsessivo sem entrar em uma discussão mental interminável nem realizar rituais para buscar certezas impossíveis.

Nos casos mais intensos, o tratamento também pode incluir medicamentos, sempre mediante avaliação e prescrição médica. Elisabete reforça que o vídeo tem caráter de alerta e que pessoas afetadas por sofrimento persistente devem procurar psicólogo ou psiquiatra com experiência no tratamento do TOC.

A médica destaca que o problema tem tratamento e que a ajuda profissional é fundamental para romper o ciclo de obsessões, verificações e ansiedade.

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