O Brasil articula a inclusão do Rio da Prata, o principal de Jardim/MS, como área prioritária para conservação de peixes de água doce durante a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre Espécies Migratórias (COP15), realizada em Campo Grande.
O encontro, promovido pela Organização das Nações Unidas, reúne países para definir estratégias de proteção de espécies migratórias e ampliar a lista de áreas e animais incluídos no tratado internacional.
Durante o evento, ocorre o lançamento da Avaliação Global de Peixes Migratórios de Água Doce, considerado o estudo mais abrangente já feito sobre o tema. O relatório reúne dados de aproximadamente 15 mil espécies, com base em levantamentos da União Internacional para a Conservação da Natureza.
Entre as prioridades apresentadas está a inclusão da bacia do Rio da Prata-Paraná e do bagre-pintado, espécie símbolo da região pantaneira e bastante valorizada em Mato Grosso do Sul, especialmente no Pantanal e na bacia do Rio Paraná.
Segundo a convenção, rios estratégicos em diferentes continentes estão no foco das ações globais, como Amazonas e Prata-Paraná na América do Sul, Danúbio na Europa, Mekong na Ásia, Nilo na África e Ganges-Brahmaputra no subcontinente indiano.
A inclusão no Apêndice 2 da convenção indica a necessidade de acordos internacionais para garantir a preservação das espécies migratórias, com ações coordenadas entre países. Atualmente, 325 espécies de peixes de água doce são candidatas a esse tipo de proteção, sendo 55 delas presentes na América do Sul.
Situação crítica em Mato Grosso do Sul
Enquanto a pauta avança no cenário internacional, a realidade local acende alerta. A bacia do Rio da Prata, especialmente na região de Jardim, enfrenta uma crise ambiental agravada pela estiagem dos últimos meses.
Em setembro, a redução do nível da água deixou peixes isolados em trechos do rio, exigindo ações de resgate por voluntários — situação que tem se repetido nos últimos anos.
Além da seca, o rio sofre com o assoreamento, provocado pelo acúmulo de sedimentos, principalmente em áreas fora dos atrativos turísticos, como no afluente Rio Verde. Em alguns pontos, cerca de 11 quilômetros do curso d’água chegaram a desaparecer, evidenciando o avanço da degradação ambiental.
O cenário reforça a urgência de medidas efetivas de preservação e coloca Mato Grosso do Sul no centro das discussões ambientais internacionais.

