Mato Grosso do Sul aparece entre os estados brasileiros com maior capacidade de solucionar homicídios. Levantamento divulgado pelo Instituto Sou da Paz mostra que 71% dos assassinatos analisados entre 2020 e 2023 foram esclarecidos no Estado, índice que coloca MS na quinta posição do ranking nacional e muito acima da média brasileira, estimada em cerca de 40%.
O estudo, intitulado “Diagnóstico sobre a Investigação de Homicídios no Brasil”, avaliou o desempenho das unidades da federação na elucidação de homicídios dolosos e procurou identificar os fatores que influenciam os resultados alcançados pelas polícias e pelo sistema de Justiça.
No levantamento, apenas Goiás (86%), Distrito Federal (81%), Minas Gerais (75%) e Paraná (72%) registraram índices superiores ao de Mato Grosso do Sul. Apesar de Goiás liderar numericamente o ranking, o Instituto Sou da Paz destaca o Distrito Federal como a principal referência nacional, por manter desempenho elevado com regularidade durante todo o período analisado. No caso goiano, os dados foram disponibilizados para apenas um dos quatro anos da série histórica.
Na outra ponta da lista aparecem Rio Grande do Norte, com apenas 9% dos homicídios esclarecidos, Bahia (14%), Rio de Janeiro e Piauí (23% cada) e Ceará (27%). Alagoas, Rio Grande do Sul e Tocantins ficaram fora da comparação por não apresentarem dados suficientes.
O que é considerado um homicídio esclarecido
A pesquisa considera como esclarecido o homicídio doloso que resulta em denúncia criminal apresentada pelo Ministério Público até o fim do ano seguinte ao crime. O indicador mede a responsabilização inicial dos autores e não inclui etapas posteriores, como julgamento ou eventual condenação.
Segundo os pesquisadores, a diferença entre os estados evidencia que o desempenho das investigações não depende apenas da atuação das forças de segurança, mas também das condições sociais, econômicas e institucionais de cada região.
Fatores que influenciam os resultados
O estudo identificou que estados com melhores indicadores de desenvolvimento costumam apresentar maiores taxas de esclarecimento de homicídios.
Entre os fatores associados aos melhores resultados estão:
- maior renda domiciliar per capita;
- Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) mais elevado;
- maior grau de urbanização;
- população com mais anos de escolaridade.
Por outro lado, a pesquisa aponta que cenários marcados por maior vulnerabilidade social tendem a registrar índices menores de resolução dos crimes. Entre os fatores relacionados ao pior desempenho estão:
- desemprego elevado;
- maior número de homicídios cometidos com arma de fogo;
- assassinatos de jovens entre 15 e 29 anos;
- analfabetismo;
- maior desigualdade de renda.
De acordo com o Instituto Sou da Paz, esses elementos dificultam o trabalho investigativo ao reduzir a produção de provas, dificultar a localização de testemunhas e aumentar os desafios para identificação dos autores.
Estrutura também faz diferença
O diagnóstico conclui ainda que o sucesso na investigação de homicídios não está ligado exclusivamente ao volume de recursos investidos na segurança pública. A pesquisa destaca que medidas como a redução da circulação de armas de fogo, respostas mais rápidas das forças policiais e políticas voltadas à diminuição das desigualdades sociais contribuem para elevar os índices de esclarecimento dos crimes.
Ranking de esclarecimento de homicídios (média entre 2020 e 2023)
- Goiás – 86%
- Distrito Federal – 81%
- Minas Gerais – 75%
- Paraná – 72%
- Mato Grosso do Sul – 71%
- Rondônia – 67%
- Santa Catarina – 65%
- Mato Grosso – 57%
- Sergipe – 55%
- Espírito Santo – 48%
- Acre – 47%
- Maranhão – 41%
- Amazonas – 41%
- São Paulo – 40%
- Paraíba – 39%
- Roraima – 39%
- Pernambuco – 33%
- Amapá – 30%
- Pará – 29%
- Ceará – 27%
- Rio de Janeiro – 23%
- Piauí – 23%
- Bahia – 14%
- Rio Grande do Norte – 9%
Alagoas, Rio Grande do Sul e Tocantins não integraram a série histórica por falta de informações suficientes no período analisado.

