Mato Grosso do Sul busca ampliar sua presença no mercado de energia limpa com investimentos em biometano, combustíveis sustentáveis e expansão da cadeia sucroenergética. O cenário é debatido durante o BioEnergy Summit, realizado nesta terça e quarta-feira, em Campo Grande.
O encontro reúne produtores, especialistas, investidores e representantes do poder público para discutir os caminhos da transição energética e o aproveitamento de matérias-primas geradas pelo agronegócio e pela indústria.
O Estado possui 22 usinas em funcionamento e produção anual superior a 4 bilhões de litros de etanol. Para a safra 2025/2026, a previsão apresentada no evento é de moagem de 52 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, fabricação de 5 bilhões de litros de etanol e 2,1 milhões de toneladas de açúcar.
A cadeia sucroenergética emprega mais de 34,5 mil trabalhadores diretos e terceirizados, movimenta cerca de R$ 1,4 bilhão em salários e responde por 19% do Produto Interno Bruto industrial sul-mato-grossense, conforme dados divulgados durante o summit.
Para o economista Hudson Garcia, sócio-diretor da Agricon Consultoria, o próximo passo é diversificar a produção de energia renovável. Ele destacou o potencial estimado de 7 milhões de metros cúbicos de biometano por dia no Estado, combustível obtido a partir de resíduos orgânicos.
Além do biometano, o setor aposta em mercados como o diesel verde e o combustível sustentável de aviação, conhecido pela sigla SAF. Segundo Garcia, a consolidação desses projetos depende de regras estáveis e segurança jurídica para atrair investidores.
O avanço da bioenergia ocorre em um momento de crescimento da economia estadual. Dados apresentados no evento apontam alta de 13,4% no PIB de Mato Grosso do Sul em 2023, impulsionada principalmente pelo agronegócio.

