Diante das reclamações de moradores sobre a segurança no entorno do novo Centro POP (Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua), no Bairro Amambaí, o secretário especial de Segurança e Defesa Social, Anderson Gonzaga da Silva Assis, pediu “paciência” e afirmou que a GCM (Guarda Civil Metropolitana) manterá presença no local. Segundo ele, ainda haverá duas ou três operações na região nesta semana.
“No início, havia muito mais gente do lado de fora. Hoje isso diminuiu. Acredito que, se continuarmos com esse trabalho preventivo e com a presença da Guarda, vamos reduzir bastante esse problema”, disse o secretário nesta terça-feira (29), durante uma agenda de entregas da Prefeitura.
Anderson afirmou que encontrou menos pessoas do lado de fora da unidade em visita feita nesta terça. Também disse que a GCM não registrou ocorrências de furto relacionadas à situação no local. “As pessoas ficam ali, mas isso não significa que estejam cometendo furtos”, declarou.
O secretário afirmou que a atuação da Guarda, em conjunto com a SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania), tem se concentrado na orientação das pessoas atendidas. “Não podemos obrigar as pessoas a entrar no Centro POP; isso tem que acontecer de forma voluntária”, explicou.
Entre as medidas anunciadas, Anderson citou a instalação de uma base da GCM dentro do Centro POP e a permanência de uma viatura em frente à unidade durante a madrugada e até pela manhã. Ele também disse ter solicitado apoio preventivo ao 1º Batalhão da Polícia Militar.

Impasse — A declaração ocorre um dia após o Campo Grande News publicar relatos de moradores do Amambaí sobre pessoas dormindo nas calçadas e circulando perto da Escola Municipal José Rodrigues Benfica, ao lado do novo Centro POP.
A presidente da associação de moradores do bairro, Rosane Nely Lima, manifestou preocupação com estudantes, comerciantes e moradores. Ela também afirmou ter recebido queixas de furtos no entorno.
Já vem acontecendo vários transtornos, comerciantes roubados ali no entorno, acúmulo de moradores de rua, de pessoas em situação de rua na porta da escola, na esquina e vários transtornos, como a gente já tinha relatado que ia acontecer”, disse Rosane. Os relatos de furtos, no entanto, não estabelecem ligação entre os casos e os usuários do Centro POP.
A escolha do endereço na Rua dos Barbosas motivou protestos antes mesmo da abertura da unidade. A associação afirma que não se opõe ao atendimento à população em situação de rua, mas questiona a proximidade com a escola e a situação no entorno do imóvel. A Prefeitura informou que a entrada dos usuários ocorre pela Rua Orfeu Baís, separada do acesso à escola e ao Cadastro Único.
O Centro POP começou a atender no Bairro Amambaí em setembro, após deixar a antiga sede, cuja estrutura havia sido questionada em ação do Ministério Público. A associação recorreu à Justiça para tentar impedir a instalação no novo endereço.
Conforme a reportagem publicada na segunda-feira (28), o pedido de liminar foi negado. Uma audiência de conciliação entre moradores e Prefeitura está marcada para 6 de outubro, às 14h.

