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sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Cabeleireiro que matou amiga de namorada por ciúme é condenado por feminicídio

Crime aconteceu em setembro de 2024; vítima ficou três meses internada, mas não resistiu aos ferimentos

Cabeleireiro, Matheus Henrique de Oliveira Domingues, de 24 anos, acusado de matar a amiga da ex-namorada, Kamyla Scarllet Fernandes Cristaldo, de 28 anos, foi condenado pelos crimes de homicídio qualificado e feminicídio. O crime aconteceu em 2024, quando Matheus atirou diversas vezes contra a vítima. Ela ainda tentou lutar pela vida, mas após três meses internada, não resistiu e faleceu na Santa Casa. Para a família, a condenação do réu é um "acalento", após anos esperando por justiça.

Conforme a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, Kamyla morava na casa da amiga e com o réu. Na tarde de 1° de setembro daquele ano, enquanto a vítima aguardava por uma motocicleta de aplicativo na frente de casa, Matheus se aproximou e atirou diversas vezes contra a vítima, sendo que dois tiros atingiram o pescoço de Kamyla.

Depois do ocorrido, Matheus fugiu do local e a vítima foi encaminhada para a Santa Casa, onde ficou internada por três meses, e não resistiu aos ferimentos.

Matheus foi denunciado por homicídio por motivo torpe, mediante recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio por menosprezo ou discriminação à condição de mulher.

Na manhã desta sexta-feira (2), a família de Kamyla falou com o Campo Grande News sobre a dor que ainda fica, mesmo após dois anos. A "mãe velha" de Kamyla, Elizeth Fernandes Cristaldo, relatou que Matheus matou a neta sem motivo nenhum. "Ele pegou a arma […] e atirou na minha neta, pelas costas, sem motivo nenhum, sem nada. Ele simplesmente atirou".

Cabeleireiro que matou amiga de namorada por ciúme é condenado por feminicídio
Elizeth Fernandes Cristaldo, no Fórum de Campo Grande, na manhã desta sexta-feira, onde foi acompanhar o julgamento do homem que matou sua neta (. Foto: Juliano Almeida)

Ela detalhou ainda, que o filho pequeno da jovem ainda chama pela mãe. "Esses dias ele veio e falou: 'vovó, você não tem o número de telefone da minha mãe? […] Eu precisava falar com a minha mãe um pouquinho'", relembrou Elizeth. Em outro episódio marcante, ao cair uma chuva de granizo fino no dia em que a mãe completaria 29 anos, o garoto correu para contar que a mãe estava "tomando refrigerante e derramando o gelo no chão".

Em depoimento, Matheus negou o envolvimento na morte da jovem e afirmou que estava sendo acusado injustamente. Ao juiz Aluízio Pereira dos Santos, o réu contou que a convivência com a vítima durou cerca de dois meses e terminou após episódios de cobrança no imóvel.

“Ela estava morando lá na minha casa há dois meses. A casa estava no meu nome e tudo. E aí, com o tempo, eu pedi para ela sair da minha casa porque estavam indo pessoas lá na porta, no portão, atrás dela. Por causa de problema dela, eu não sei o porquê que era, se era dívida, o que era, mas tinha gente lá”, declarou.

No banco dos réus, o rapaz negou qualquer desavença com Kamyla por ciúmes e afirmou que a única discussão entre os dois foi envolvendo a segurança da casa. “Aí foi na hora que eu mesmo não achei mais seguro para mim ficar morando naquela casa e eu ia tirar do meu nome os documentos. Falei para ela que eu ia entregar a casa e foi a única discussão que eu tive com ela no tempo que ela morou lá”, completou.

Cabeleireiro que matou amiga de namorada por ciúme é condenado por feminicídio
Menino de 3 anos acompanha julgamento no Fórum de Campo Grande com a bisavó (. Foto: Juliano Almeida)

Durante o julgamento, o Ministério Público pediu a condenação pelo homicídio com as três qualificadoras. A defesa, por sua vez, pediu a absolvição do acusado, alegando que ele não foi o autor do crime, além de solicitar a retirada das qualificadoras. Também sustentou que o caso poderia ser considerado lesão corporal seguida de morte e pediu a absolvição por clemência. Em relação ao porte ilegal de arma, a defesa também pediu a absolvição.

Os jurados, porém, consideraram o acusado culpado pelo homicídio com as três qualificadoras: motivo torpe, recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio. Com isso, foram rejeitadas as principais teses da defesa. Por outro lado, o Conselho de Sentença absolveu o réu da acusação de porte ilegal de arma de fogo.

Na sentença, a Justiça fixou a pena do homicídio em 17 anos de prisão. Para chegar ao tempo, a decisão considerou, entre outros pontos, que a vítima foi atingida por dois tiros na região do pescoço, ficou tetraplégica, passou mais de três meses internada, permaneceu em coma e morreu após o período de hospitalização.

Ao Campo Grande News, o tio da vítima, Flávio Chacall, disse estar satisfeito com a condenação, apesar de esperar uma pena maior. Segundo ele, a pena aplicada levou em consideração a legislação vigente na época do crime, cometido 45 dias antes da mudança na lei do feminicídio.

“Estou satisfeito, estou falando com meus familiares que agora estamos com o sentimento de justiça, de que a justiça foi realizada. Como família, sempre queremos uma punição maior. Se no Brasil houvesse leis como as de outros países, com prisão perpétua, nós desejaríamos algo assim. Como nossa legislação não permite, essa condenação de 17 anos nos acalenta. Agora é tocar a vida, seguir em frente”, afirmou.

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