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sábado, 3 de outubro de 2026

Cartolas da CBF disputam eleição ao Senado em Alagoas com Lira e Renan

Gustavo Dias, vice-presidente da confederação, e Gustavo Feijó, diretor de seleções, são suplentes de Renan Calheiros e Arthur Lira, respectivamente

SÃO PAULO E BRASÍLIA – Cartolas da alta cúpula da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), entidade com dirigentes ligados a lideranças políticas, estão na disputa pelo Senado em Alagoas. Trata-se de Gustavo Dias Henrique e Gustavo Feijó, que são suplentes, respectivamente, de Renan Calheiros (MDB) e Arthur Lira (PP), conhecidos desafetos políticos.

Vice-presidente com mais poder entre os oito na CBF, Gustavo Dias é o primeiro suplente na chapa de Calheiros, que tenta a reeleição para um quinto mandato.

Dias é personagem influente na confederação. O brasiliense faz articulação política para a entidade e costuma ser consultado pelo presidente Samir Xaud.

É comum vê-lo em treinos da seleção brasileira e até no palco, discursando em compromissos importantes da entidade, incluindo durante o megaevento com centenas de convidados que a CBF organizou para Carlo Ancelotti divulgar a lista dos jogadores convocados para a Copa do Mundo.

Ele foi da diretoria da Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal (Terracap) e, depois, indicado à presidência da Biotic S/A, subsidiária da Terracap, na gestão do governador Ibaneis Rocha (MDB).

Antes de ser vice, Dias foi diretor de relações governamentais da CBF. Foi ele o responsável por uma casa de eventos no Lago Sul, bairro nobre repleto de mansões, que a CBF abriu em 2024, ainda sob a gestão de Ednaldo Rodrigues.

Dias é natural de Brasília e fez sua carreira na capital federal. A indicação dele para a suplência de Renan Calheiros foi uma articulação do governador Paulo Dantas (MDB), com quem o cartola tem relações de longa data.

O suplente de Arthur Lira

Gustavo Feijó é diretor de futebol masculino da CBF. Na prática, porém, trabalha como diretor de seleções, cargo que o coloca em posição destacada no organograma da seleção brasileira.

Feijó compôs a delegação que esteve nos Estados Unidos para a disputa da Copa do Mundo e voltou a ter prestígio na confederação desde que Xaud assumiu a presidência da entidade, em maio do ano passado.

Ele viaja com a seleção e aparece com frequência perto de Ancelotti. No entanto, não foi em nenhum dos três amistosos do Brasil na Austrália e na Índia para se dedicar à campanha.

Feijó também foi vice-presidente nas gestões de Marco Polo Del Nero e Rogério Caboclo. Dizia que atuava com discrição e “sem alarde”, embora costumasse fazer questionamentos.

Feijó chegou a ser aliado de Ednaldo Rodrigues, relação que se deteriorou posteriormente. Em 2022, tentou concorrer à presidência da CBF, mas não conseguiu registrar sua chapa. Naquele ano, o alagoano buscou suspender o pleito que elegeria Ednaldo pela primeira vez.

O cartola é conhecido na política alagoana. Foi duas vezes prefeito de Boca da Mata, cidade a 70 km da capital Maceió, com mandatos entre 2012 e 2020.

Como prefeito da cidade do interior do Alagoas, foi investigado por desvio de R$ 28 milhões da prefeitura local e chegou a ser afastado pelo Ministério Público local por 180 dias, em 2019.

Em 2022, foi declarado inelegível pela Justiça Eleitoral de Alagoas por oito anos por, segundo a juíza Paula de Goes Brito Ponte, “incorrer em abuso de poder político” ao usar a prefeitura para beneficiar a campanha de seu sobrinho Bruno Feijó em 2020. A decisão foi revista posteriormente.

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