A sexta-feira (16) começou com o levantamento dos estragos provocados pelo temporal que atingiu Campo Grande na tarde de quinta-feira (15). Em entrevista esta manhã, o coordenador da Defesa Civil de Campo Grande, Enéas Netto, disse que está mobilizando as secretarias para reunir informações sobre os danos, identificar as regiões mais afetadas e organizar o atendimento à população. Apesar dos transtornos, até o momento não há registro de pessoas desalojadas ou desabrigadas.
Netto explicou que o trabalho desta manhã está concentrado no cruzamento das ocorrências recebidas pelo órgão e pela Ouvidoria Municipal. A partir desse levantamento, serão definidas as prioridades de atendimento.
Segundo o coordenador o atendimento envolve diferentes setores da administração municipal, conforme a necessidade identificada em cada região. Entre eles estão a Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito), a Emha (Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários) e a assistência social.
O coordenador afirmou que a chuva atingiu toda a cidade, mas causou transtornos significativos no Chácara dos Poderes, por exemplo. Segundo ele, são necessárias pelo menos 24 horas para reunir informações mais precisas sobre os efeitos do temporal.
Na quinta-feira, a chuva veio acompanhada de granizo e rajadas de vento. Conforme balanço divulgado pela Prefeitura, o acumulado médio chegou a 82 milímetros em 24 horas, segundo o Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul).
Os volumes variaram conforme a região. Dados do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), atualizados às 16h50 de ontem, apontavam 83,8 milímetros no Jardim Panamá, 80,4 milímetros no Córrego Anhanduizinho e 72,4 milímetros na região da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Aparecida Gonçalves Saraiva, no Bairro Universitário, em 24 horas.
Considerando as 48 horas anteriores à medição, o acumulado chegava a 108,8 milímetros no Córrego Anhanduizinho, 91,6 milímetros no Jardim Panamá e 86,6 milímetros na região da UPA.
Transtorno – O temporal deixou um rastro de alagamentos e prejuízos. Na Avenida Rachid Neder, a água subiu rapidamente e deixou um carro parcialmente submerso. Na Ernesto Geisel, uma motorista relatou que a enxurrada chegou perto da altura do vidro do veículo. Já na Avenida Gunter Hans, na altura do Coophavila II, um carro ficou tomado pela água.
Na região sul, várias ruas intransitáveis nos bairros Jardim Los Angeles, Parque Lageado, Jardim Centro Oeste, Parque das Meninas e Centenário. Na Avenida dos Cafezais, moradores e comerciantes ficaram ilhados. Uma ponte que liga o Jardim Morenão ao Roselândia também ficou coberta pela água.
Os estragos não se limitaram aos alagamentos. No Parque do Sol, uma vala aberta pela enxurrada deixou um caminhão carregado de refrigerantes atolado. Na Chácara dos Poderes, a correnteza arrastou terra e pedras pelas ruas, dificultando o acesso às propriedades.
Netto classificou a chuva como atípica para o período e associou o fenômeno ao El Niño. A previsão divulgada pelo Cemtec relaciona as instabilidades à passagem de uma frente fria, associada à formação de um ciclone extratropical no Oceano Atlântico.

