A Operação Colete de Troia, deflagrada nesta quarta-feira (21) pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), investiga sucessivas entregas de materiais ilícitos por drones na PED (Penitenciária Estadual de Dourados). A apuração também busca esclarecer por que algumas equipes conseguiram apreender pacotes, enquanto outras ocorrências terminaram sem a recuperação dos objetos.
Entre junho e outubro deste ano, drones sobrevoaram a penitenciária durante a madrugada e deixaram malotes diretamente nas celas. Em algumas ocasiões, os equipamentos teriam feito mais de dez viagens em poucas horas.
As entregas incluíam drogas, celulares, chips e outros itens proibidos. Parte dos pacotes foi apreendida, mas outros chegaram aos detentos sem que o conteúdo fosse recuperado.
Conforme a Agepen, um dos pontos investigados é a diferença nos resultados entre os plantões. Há equipes com registros de apreensões e intervenções, enquanto ocorrências atendidas por outros grupos frequentemente terminavam sem a localização dos materiais.
Policiais penais justificavam a falta de intervenção imediata pela escassez de servidores, armamento e equipamentos de proteção, especialmente durante a madrugada. Segundo os relatos, as condições de segurança dificultavam a ação mesmo quando os drones eram identificados pelo sistema de monitoramento.
O Gaeco apura se as diferenças decorrem das limitações operacionais ou de possíveis omissões deliberadas. A investigação também examina a falta de um protocolo uniforme para impedir as entregas clandestinas e a suspeita de conivência de servidores com o esquema.

