Um motociclista de aplicativo, de 36 anos, foi sequestrado, agredido e roubado por três homens na tarde de terça-feira (20), na região do Bairro Coronel Antonino, em Campo Grande. Armados, os suspeitos obrigaram a vítima a entrar em uma caminhonete, fizeram transferências bancárias pelo celular dela e a levaram até uma estrada de chão nos fundos do Bairro Nova Lima, onde a agrediram com pauladas e efetuaram disparos de arma de fogo durante a fuga.
Um dos suspeitos, Kleydson Baez Quintino, de 25 anos, foi preso em flagrante na madrugada de quarta-feira (21), após a PM (Polícia Militar) localizar a motocicleta roubada e rastrear o celular da vítima. Ele foi autuado por roubo majorado pelo concurso de pessoas e pelo emprego de arma de fogo, além de extorsão qualificada.
Conforme o boletim de ocorrência, a vítima conduzia uma Honda Fan 160 Start pela Avenida Presidente Castelo Branco quando, por volta das 17h, foi abordada por três homens que estavam em uma caminhonete Chevrolet S10 branca. Um deles apontou uma arma e ordenou que o motociclista descesse e entrasse no veículo.
Dentro da caminhonete, o homem foi agredido e obrigado a desbloquear o celular. Os suspeitos acessaram o aplicativo bancário e transferiram R$ 700 via Pix para uma conta de outro envolvido. Em seguida, a vítima foi levada até uma estrada de chão.
No local, os criminosos mandaram que ela saísse do veículo e a atingiram com três pauladas, no ombro, na coxa e na canela. Depois, ordenaram que corresse. Enquanto fugia em direção a uma área de mata, o motorista ouviu dois disparos e se jogou no chão, com medo de ser atingido. Os suspeitos deixaram o local. Além do dinheiro, foram levados a motocicleta e o celular.
Prisão — O homem então procurou a polícia e registrou o caso. Na noite de terça-feira, por volta das 19h22, policiais militares foram até um terreno baldio na Rua Eugênia Lima, após denúncia de que havia uma moto abandonada. O veículo foi encontrado em meio à vegetação.
Na sequência, os militares receberam informações sobre o rastreamento da motocicleta e do celular roubados, além de relatos sobre uma caminhonete branca em atitude suspeita. A equipe foi até a Rua Guilherme de Almeida, onde abordou Kleydson e outro homem.
Segundo o registro policial, Kleydson foi apontado como suspeito de participação no crime e acabou preso. O outro homem foi submetido a reconhecimento pela vítima na delegacia, mas não foi identificado como um dos autores.
A polícia fez buscas na residência de Kleydson, mas não encontrou objetos ilícitos. A motocicleta foi encaminhada à Defurv (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Furtos e Roubos de Veículos). O celular, avaliado em R$ 1 mil, foi devolvido à vítima.
Informalmente, segundo a PM, o suspeito afirmou que a vítima lhe devia R$ 1,6 mil e aí a atraiu até o local. Ele chamou outros dois homens que foram com ele encontrar o motociclista de aplicativo para cobrar a dívida. No entanto, em depoimento formal, Kleydson optou por ficar em silêncio.
Liberdade – No pedido de liberdade provisória, a defesa de Kleydson argumentou que os indícios de participação dele no crime são frágeis. Segundo o advogado, a vítima não reconheceu o suspeito pessoalmente e apenas identificou a caminhonete. A defesa também destacou que os R$ 700 transferidos por Pix foram enviados para uma terceira pessoa e que nenhum objeto ilícito foi encontrado na casa do investigado.
O advogado Mário Ângelo Guarnieri Martins, pediu ainda que seja desconsiderado o relato informal atribuído a Kleydson pelos policiais durante a abordagem. Conforme a petição, não há registro de que ele tenha sido informado previamente do direito de permanecer em silêncio. Na delegacia, acompanhado do defensor, o suspeito optou por não responder às perguntas e afirmou que só se manifestaria em juízo.
A defesa também contestou a necessidade da prisão preventiva, alegando que a representação policial se baseou na gravidade do crime, sem apontar elementos concretos que justificassem a manutenção da custódia. Para sustentar o pedido, informou que Kleydson tem residência fixa, trabalha como comerciante autônomo, possui empresa registrada, vive com a companheira grávida e é pai de uma criança de 3 anos.
Como alternativa à prisão, o advogado propôs medidas cautelares, como comparecimento periódico em juízo, proibição de contato e aproximação da vítima, restrição para deixar a comarca e recolhimento domiciliar noturno. A defesa também admitiu a possibilidade de uso de tornozeleira eletrônica, caso o Judiciário considere necessário.

