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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Nas ruas de Campo Grande, eleitores pedem mais emprego e melhoria na economia

Após a vitória de Lula, população fala sobre suas expectativas para o futuro

Passada a disputa do 2° turno nas urnas, o debate entre os eleitores dá lugar a uma nova questão: o que esperar para os próximos 4 anos? Nas ruas, as expectativas são diferentes, mas alguns temas aparecem com frequência nas falas da população: geração de empregos, melhoria dos serviços públicos, recuperação da economia e aplicação dos recursos públicos.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 51,79% dos votos, foi reeleito presidente da República no domingo (25), ao derrotar o senador Flávio Bolsonaro (PL), que teve 48,21% dos votos.

Entre os eleitores que votaram em Lula, que segue pelo 4º mandato, as primeiras cobranças passam pelo cumprimento das promessas de campanha e pela manutenção de direitos e benefícios sociais. Já entre aqueles que votaram no Flávio Bolsonaro, a expectativa é de atenção especial à economia, ao mercado de trabalho e à destinação do dinheiro público.

Para o vendedor ambulante Eleilson Alessandro Macedo, de 37 anos, morador do bairro São Conrado, a escolha eleitoral está ligada à própria realidade financeira. Ele trabalha há 12 anos nessa área.

Nas ruas de Campo Grande, eleitores pedem mais emprego e melhoria na economia
Vendedor ambulante Eleison dando entrevista sobre as eleições (. Foto: Juliano Almeida)

“Sou vendedor ambulante. Trabalho, sou pobre, é por isso que eu sou Lula. Eu não tenho carro, não tenho gado, não tenho nada. Não troco minha profissão por nada, traz sustento à minha família. Por que eu vou ser Bolsonaro? Nós temos que ser Lula. Agora eu vejo pobre que depende de Bolsa Família contra o cara”, destacou.

Ao falar sobre as expectativas para os próximos anos, Eleilson destaca a necessidade de geração de empregos. “Dar emprego para o pessoal. Os projetos que ele falou que ia fazer, que ele cumpra, e deixa o velhinho trabalhar”, completou.

A expectativa por melhorias também aparece na fala do operador de máquina Uemerson do Carmo, de 40 anos. Embora tenha votado em Lula, ele demonstra pouca confiança na capacidade de atender às necessidades da população.

Nas ruas de Campo Grande, eleitores pedem mais emprego e melhoria na economia
Uemerson aguardando em frente de loja na Rua 14 de Julho (. Foto: Juliano Almeida)

“A gente tem que acreditar em nós mesmos e em Deus, porque independente de quem entrar, quem entra lá não está pensando nos pobres, está pensando neles mesmo”.

Uemerson afirma que espera avanços no mercado de trabalho e nos serviços públicos. “Para falar a verdade, a esperança é pouca. Hoje em dia o brasileiro já anda desacreditado. Eu tenho que acreditar em melhoria, mas a realidade hoje em dia é outra. Melhoria em emprego, saúde, educação, isso é o principal”, disse.

Entre os eleitores mais velhos, a preocupação também envolve a segurança financeira na aposentadoria. Aos 74 anos, a aposentada Elizabete de Barros votou em Lula e espera que o novo governo preserve os seus direitos.

Nas ruas de Campo Grande, eleitores pedem mais emprego e melhoria na economia
Elizabete fala com o portal enquanto compra frutas e verduras em banca no Centro (. Foto: Juliano Almeida)

“Ele não vai mexer na minha aposentadoria e vai fazer coisas boas para nós. Eu quero que melhore cada vez mais para nós. A gente trabalha 30 anos para aposentar”, comentou.

Outro lado – Entre os eleitores que escolheram Flávio Bolsonaro, a expectativa para os próximos quatro anos está relacionada principalmente à forma como o dinheiro público será administrado e à capacidade do governo de estimular o trabalho e a atividade econômica.

O aposentado Xavier Pinheiro, de 74 anos, acredita que o governo precisa priorizar a administração dos serviços e direcionar o dinheiro para áreas que tragam resultados.

Nas ruas de Campo Grande, eleitores pedem mais emprego e melhoria na economia
Xavier parado na faixa de pedestres conversando com a equipe de reportagem (. Foto: Juliano Almeida)

Apesar de não ter apoiado a esquerda, ele diz que deseja que o governo dê certo e reconhece que o resultado da eleição não elimina a necessidade de buscar melhorias para o país.

“Se procura um operário para fazer qualquer serviço, não encontra mais. Eu espero que ele mude a administração nesse sentido, pegar o dinheiro público e aplicar no lugar correto. Espero que seja bom para nós, não é porque eu não voto nele, que eu vou torcer contra ele”, destacou.

A preocupação com a falta de oportunidades também aparece na fala do comerciante Elvis Almeida, de 49 anos, que votou em Flávio.

Nas ruas de Campo Grande, eleitores pedem mais emprego e melhoria na economia
Elvis conversando sobre expectativa política (. Foto: Juliano Almeida)

“A gente sempre espera que possa fazer um governo para o povo, a gente vê ainda milhões de pessoas vivendo na pobreza, milhões de pessoas sem emprego. Já que ele aposta em politicas públicas, que realmente possa prevalecer em prol da população”, disse.

No setor empresarial, Elvis pontua a recuperação do mercado e a criação de oportunidades.

“Muitas empresas fechando, então, que ele possa olhar melhor para o mercado e que novos empregos sejam ofertados para a população. Melhores condições de vida é o que a gente sempre espera”.

A esperança, segundo o comerciante, está ligada à possibilidade de que as propostas apresentadas durante a campanha se transformem em ações concretas.

“A gente já sabe que esse governo tem um histórico dentro do país, então, a gente espera a mudança, que a gente possa ter novas perspectivas, como não foi o caso, a gente só pede a Deus que abençoe ele [Lula] e que ele possa cumprir com aquilo que prometeu e que a gente possa usufruir de tudo aquilo que ele propôs. A principal mensagem hoje é a esperança”, disparou.

Para o microempreendedor Jonatan do Amaral, de 36 anos, a economia deve ser uma das prioridades para melhorar outras áreas, como saúde e segurança.

Nas ruas de Campo Grande, eleitores pedem mais emprego e melhoria na economia
Jonatan dando entrevista ao Campo Grande News (. Foto: Juliano Almeida)

“A prioridade se chama economia, porque a economia bem, o Brasil todo fica bem, as coisas começam a girar na saúde, na segurança, porque quando o cidadão de bem tem dinheiro no bolso sempre vão trabalhar honestamente, mas tem uns que desespera e acaba partindo para o lado errado. Mas, a pessoa tendo dinheiro no bolso e tranquilidade financeira, vai conseguir estabilizar na família e não vai procurar maneiras erradas de sobreviver”, avaliou.

Jonatan também faz uma ressalva sobre os programas sociais. Ele afirma que não é contrário aos benefícios oferecidos pelo governo, mas defende que eles sejam acompanhados de oportunidades para que os beneficiários possam conquistar autonomia financeira.

“Não sou contra o Bolsa Família, não sou contra benefícios do governo, mas que esses benefícios não prenda a pessoa só naquilo”, finalizou.

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