A Prefeitura de Dourados, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas), elaborou um diagnóstico sobre a população migrante, refugiada e apátrida no município. O documento reúne informações sobre perfil sociodemográfico, distribuição territorial, inserção no mercado de trabalho e acesso aos serviços públicos, oferecendo subsídios técnicos para o planejamento de ações e o desenvolvimento de uma política municipal contínua.
Os dados demonstram a presença expressiva dessa população na rede pública. Em 2025, os registros municipais contabilizaram 60.364 atendimentos a migrantes na Atenção Primária à Saúde, com 7.541 pessoas distintas atendidas. Na Rede Municipal de Ensino, foram registrados 1.646 estudantes migrantes, dos quais 94% eram venezuelanos. No mesmo ano, o Centro de Atendimento ao Imigrante (CAI) e o Projeto Bienvenido contabilizaram 2.684 registros de atendimento.
O diagnóstico também aponta a importância da articulação entre os setores municipais e da continuidade das ações de acolhimento, orientação, regularização documental e inclusão social. Entre as recomendações estão o fortalecimento do atendimento multiprofissional, a ampliação do acesso aos serviços nos territórios e a criação de mecanismos permanentes de acompanhamento dos resultados.
O estudo considera a migração um fenômeno estrutural e permanente no município. Entre as recomendações está a transformação da resposta emergencial do Projeto Bienvenido em uma política municipal contínua, intersetorial e cofinanciada, com recursos federais, por exemplo, e com acompanhamento por meio de indicadores que permitam avaliar as necessidades da população e os resultados das ações implementadas.
A secretária municipal de Assistência Social, Shirley Flores Zarpelon, explica que o diagnóstico transforma dados de diferentes áreas em subsídios para que o Município conheça melhor as necessidades da população migrante, qualifique o atendimento e planeje políticas públicas integradas. “Este trabalho visa mapear o perfil, as principais demandas e a realidade sócio-econômica da população migrante e refugiado ignorados”, diz ela.
De acordo com a secretária, o diagnóstico servirá também de base técnica para o fortalecimento e a formulação de políticas públicas integradas nas áreas de assistência social e outras. “A elaboração do diagnóstico municipal sobre migrantes, refugiados e apátridas deixa de ser um mero levantamento de dados para se consolidar como pilar estruturante do planejamento para a garantia de direitos e da vigilância sócio-assistencial em Dourados”, destaca.
DESAFIOS PARA POLÍTICAS PÚBLICAS
Dourados reúne 9.197 registros de migrantes internacionais entre 2010 e 2025, o equivalente a 24,2% dos registros de Mato Grosso do Sul no período. Os dados integram um diagnóstico sobre a população migrante, refugiada e apátrida no município, que destaca a necessidade de políticas públicas permanentes para atender às demandas dessa população.
O levantamento aponta que a população migrante é predominantemente jovem, organizada em núcleos familiares e majoritariamente venezuelana, representando 88% dos atendimentos registrados pelo Centro de Atendimento ao Imigrante. A maioria chega ao município por conta própria, e a concentração residencial é observada em bairros como Jardim Água Boa, Vila São Francisco, Vila Industrial, Jardim Guanabara e na região do Parque das Nações.
No mercado de trabalho, a inserção ocorre principalmente na indústria, com remunerações de até dois salários mínimos. O estudo também identifica o subaproveitamento das qualificações profissionais dos migrantes, indicando desafios para a integração econômica dessa população.
A assistência social aparece como uma das principais demandas no período inicial de chegada. Segundo o diagnóstico, 58,8% dos migrantes atendidos não possuíam Cadastro Único. A Casa da Acolhida e o Centro POP também registram demanda crescente, reforçando a necessidade de ampliar a capacidade de atendimento e articulação entre os serviços públicos.Na saúde, a Atenção Primária realizou 266.028 atendimentos a 15.133 migrantes entre 2018 e setembro de 2026. Na educação, o número de matrículas de estudantes migrantes na rede municipal passou de 55, em 2018, para 1.351, em 2024, evidenciando o crescimento da presença dessa população nos serviços públicos.

