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sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Outubro mal chegou à metade e volume de chuva já supera média mensal em MS

Em Campo Grande, choveu 272,8 mm na primeira quinzena, 81% acima da média histórica para o período

A primeira quinzena de outubro foi marcada por volumes expressivos de chuva em Mato Grosso do Sul, com acumulados que superaram a média histórica esperada para o mês inteiro em grande parte do Estado. Entre os dias 1º e 15, os maiores registros foram observados em Itaquiraí, com 297,8 milímetros, Paraíso das Águas, com 294,6 mm, e Dourados, com 290,4 mm. Em Campo Grande, o volume chegou a 272,8 mm, o equivalente a 81% acima da média climatológica mensal.

Além de Itaquiraí, Paraíso das Águas e Dourados, outros municípios também registraram volumes próximos ou superiores a 280 mm na primeira metade do mês. Em Amambai, na estação Novo Horizonte, foram acumulados 281,6 mm. Em Maracaju, o volume chegou a 281,2 mm.

O levantamento mostra que, em algumas localidades, a chuva acumulada em apenas 15 dias superou em mais de 100% a média histórica de precipitação para todo o mês de outubro. O caso mais expressivo foi registrado em Corumbá, na estação da Fazenda São Cândido, onde o acumulado ficou 154% acima do esperado. Na área urbana do município, o excedente foi de 130%.

Em Paraíso das Águas, na Fazenda Ranchinho, o volume superou a média mensal em 117%. Já em Caracol, na Fazenda Ouro e Prata, o acumulado ficou 109% acima do esperado. Em Maracaju, a diferença chegou a 95%.

Outubro mal chegou à metade e volume de chuva já supera média mensal em MS

Os números evidenciam a concentração de volumes elevados de chuva em diferentes regiões do Estado logo no início de outubro, período que marca a transição para a estação chuvosa. Apesar do predomínio de acumulados acima da média, a distribuição não foi uniforme, e algumas localidades ainda registraram volumes inferiores ao esperado.

Os dados fazem parte de levantamento elaborado pela equipe técnica do Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul), vinculado à Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação). O balanço considera registros de estações meteorológicas e pluviômetros automáticos de diferentes instituições, entre elas o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), o Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) e a Ana (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico).

Capital acumula quase o dobro da média mensal – Em Campo Grande, todas as estações de monitoramento consideradas no levantamento registraram, nos primeiros 15 dias de outubro, volumes superiores à média histórica mensal de 150,6 mm. O maior acumulado foi observado no pluviômetro automático do Cemaden instalado na região do Córrego Anhanduizinho, com 272,8 mm, o que representa um excedente de 81%.

No Jardim Panamá, foram registrados 238,2 mm, volume 58% superior à média mensal. Na estação da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Aparecida Gonçalves Saraiva, o acumulado chegou a 235 mm, 56% acima do esperado. Já na estação do Inmet localizada na Embrapa Gado de Corte, foram contabilizados 221,6 mm, um excedente de 47%.

A média histórica utilizada para a comparação é baseada nos dados climatológicos do Inmet referentes ao período de 1981 a 2010, coletados na estação da Embrapa Gado de Corte.

A diferença entre os pontos de medição mostra que os volumes variaram conforme a região da cidade, mas todos os locais monitorados ultrapassaram a referência histórica mensal antes mesmo da segunda metade de outubro.

O acumulado elevado ocorre em um mês marcado por episódios de chuva intensa na Capital. Nos últimos dias, temporais provocaram transtornos em diferentes bairros, com alagamentos e problemas nas vias.

Outubro mal chegou à metade e volume de chuva já supera média mensal em MS
Córrego na Avenida Ricardo Brandão em Campo Grande próximo do limite durante chuva (. Foto: Paulo Francis)

Chuvas abaixo da média em algumas regiões – Apesar dos volumes expressivos na maior parte de Mato Grosso do Sul, o levantamento também identificou localidades onde a precipitação ficou abaixo da média histórica esperada para outubro. Os déficits se concentraram principalmente em municípios das regiões Norte e Nordeste do Estado.

Paranaíba apresentou o maior déficit entre os locais destacados, com volume de chuva 46% inferior à média mensal. Em Sonora, a diferença negativa foi de 34%. Na Fazenda São Luís, em Porto Murtinho, o acumulado ficou 21% abaixo do esperado, enquanto Camapuã registrou déficit de 15%.

Segundo o Cemtec, a menor ocorrência de chuva nessas áreas exige atenção em relação à umidade do solo e ao risco de incêndios florestais. Isso porque, mesmo com precipitações elevadas em boa parte do território estadual, a distribuição irregular pode manter condições mais secas em regiões específicas.

Monitoramento deve continuar nos próximos meses – Na avaliação técnica do Cemtec, os dados da primeira quinzena de outubro indicam o retorno de volumes significativos de chuva e o início da transição para o período chuvoso em Mato Grosso do Sul.

O órgão destaca que a concentração de precipitações intensas em intervalos curtos reforça a importância do acompanhamento contínuo das condições meteorológicas, da capacidade de infiltração da água no solo e da gestão dos recursos hídricos.

O cenário também exige atenção às diferenças regionais. Enquanto municípios já acumularam volumes superiores à média histórica mensal, outras localidades ainda apresentam déficit de precipitação, com possíveis reflexos sobre a umidade do solo e o risco de incêndios.

Os dados analisados abrangem o período de 1º a 15 de outubro de 2026 e foram reunidos a partir de estações meteorológicas e pluviômetros de diferentes instituições. O levantamento não representa uma previsão para o restante do mês, mas permite dimensionar o volume de chuva registrado até a metade de outubro e as diferenças entre as regiões do Estado.

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