Setembro teve rajadas de vento superiores a 100 km/h em dois pontos de monitoramento de Mato Grosso do Sul. O maior registro foi em Amambai, na região de Novo Horizonte, onde o vento chegou a 108,7 km/h. Na ocasião, o temporal derrubou uma moega, estrutura usada para receber e direcionar grãos, na CBS Armazéns, às margens da MS-289, e chegou a retorcer partes da estrutura metálica da cobertura.
Em Anaurilândia, na Fazenda Santo André, a máxima atingiu 106,9 km/h. Os dados integram o boletim mensal do Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima), que também aponta umidade relativa do ar de apenas 17% em Paranaíba, a menor entre os registros apresentados para o mês.
O levantamento reúne medições realizadas entre 1º e 30 de setembro de 2026. Os mapas de extremos de vento e umidade foram elaborados com dados do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) e da Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação).
Depois de Amambai e Anaurilândia, os maiores registros de rajadas foram em Naviraí, na Fazenda Santa Helena do Pindó, e em Três Lagoas, ambos com 94,7 km/h. Corumbá, na Fazenda São Cândido, completa a lista dos cinco pontos com maiores velocidades, com 88,6 km/h.
Ar mais seco no leste e nordeste – Além das rajadas, o levantamento mostra os menores índices de umidade relativa do ar registrados no Estado. Paranaíba aparece com 17%, seguida por Costa Rica e pelo ponto de medição da Fazenda Vateirobó, em Figueirão, ambos com 18%. Cassilândia e Três Lagoas registraram 19%.
Esses números correspondem aos mínimos observados durante setembro, e não à umidade média de cada município ao longo do mês. Parte das localidades com os menores índices de umidade também aparece no balanço de chuva com volumes abaixo da média histórica. Costa Rica acumulou 33,2 milímetros, diante de uma referência de 75,1 milímetros, o que representa déficit de 56%. Em Figueirão, na Fazenda Vateirobó, foram 36,2 milímetros, 52% abaixo da média de 75,1 milímetros.
Cassilândia registrou 42,6 milímetros, volume 43% inferior à média histórica. Em Paranaíba, o acumulado foi de 51,2 milímetros, 12% abaixo da referência de 58,4 milímetros.
Temperatura na Capital – O boletim também permite distinguir os extremos de temperatura do comportamento médio do mês. Em Campo Grande, a avaliação do Cemtec indica que as temperaturas ficaram próximas da normal climatológica em setembro.
A temperatura mínima média ficou 1,2°C acima da referência histórica, enquanto a máxima média foi 0,3°C inferior. A comparação utiliza os dados climatológicos de 1981 a 2010 da estação do Inmet localizada na Embrapa Gado de Corte. Os resultados mostram que, mesmo com episódios de calor no Estado, o comportamento médio das temperaturas na Capital teve diferenças entre as mínimas e as máximas.
Próximo trimestre – Para outubro, novembro e dezembro, o Cemtec aponta, de forma geral, tendência de chuva acima da média climatológica em Mato Grosso do Sul. Os valores de referência para o trimestre variam de 300 a 500 milímetros, conforme a região. Também há sinal consistente de temperaturas acima da média histórica, cuja referência varia entre 22°C e 26°C no Estado.
Na análise sobre o El Niño, o documento indica intensidade muito forte no trimestre de outubro a dezembro, com manutenção dessa condição entre novembro e janeiro. Entre os impactos apontados estão temperaturas acima da média, ondas de calor mais frequentes e tempestades mais intensas, com ventos fortes, raios e possibilidade de granizo. O Cemtec ressalta que o fenômeno atua de forma indireta e interage com outros sistemas atmosféricos.

