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segunda-feira, 13 de julho de 2026

MPF recomenda detalhar presença de agrotóxicos nas contas de água de Dourados

Órgão quer mais clareza sobre riscos de contaminação e resultados das análises

A presença recorrente de resíduos de agrotóxicos no Rio Dourados, apontada pelo monitoramento da Embrapa Agropecuária Oeste, levou o MPF (Ministério Público Federal) a recomendar que a Sanesul (Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul) amplie as informações prestadas aos consumidores sobre a qualidade da água distribuída no município. O órgão quer que as faturas mensais e os relatórios anuais apresentem, de forma mais clara e detalhada, os resultados das análises, os riscos associados ao manancial e as medidas adotadas para garantir a potabilidade da água.

Segundo a assessoria de imprensa, a recomendação foi expedida após o MPF identificar inconsistências nas informações divulgadas pela concessionária. As faturas de água já continham um campo denominado “Descrição do Manancial”, no qual a empresa informava que a bacia do Rio Dourados está inserida em uma região com atividades agrícolas e pecuárias potencialmente capazes de provocar contaminação. No entanto, o mesmo texto afirmava que “não há riscos evidentes de sofrerem contaminações”. Para o MPF, a informação é contraditória diante dos resultados do monitoramento da qualidade da água realizado no rio.

Monitoramento – Os dados que embasam a recomendação fazem parte do Painel de Monitoramento de Resíduos de Agrotóxicos em Águas Superficiais de Mato Grosso do Sul, desenvolvido pela Embrapa Agropecuária Oeste. O levantamento aponta que o herbicida atrazina foi detectado em 84,44% das amostras coletadas no Rio Dourados. Até 24 de abril de 2026, das 630 amostras analisadas, 532 apresentaram resultado positivo para a substância.

O painel também revela um aumento na diversidade de pesticidas encontrados no manancial ao longo dos últimos anos. Em 2019, foram identificados 20 princípios ativos diferentes. Esse número subiu para 43 em 2025 e, somente nos quatro primeiros meses de 2026, já haviam sido detectados 38 tipos distintos de agrotóxicos.

Outro aspecto citado pelo MPF é a reclassificação da atrazina e do alaclor pela Iarc (Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer). Desde novembro de 2025, os dois herbicidas passaram a integrar o Grupo 2A, categoria destinada a substâncias consideradas provavelmente carcinogênicas para humanos.

O histórico de monitoramento também demonstra oscilações nas concentrações de atrazina registradas no Rio Dourados. O maior pico ocorreu em 28 de março de 2024, quando foi registrada concentração de 0,933 μg/L. Nos anos anteriores, os maiores valores anuais foram de 0,130 μg/L (2020), 0,188 μg/L (2021), 0,254 μg/L (2022), 0,666 μg/L (2023) e 0,207 μg/L (2025). Em 2026, até o período analisado, o maior registro foi de 0,456 μg/L.

Prazo – A recomendação estabelece prazo de 30 dias para que a concessionária adeque as informações prestadas aos consumidores. Entre as medidas previstas está a inclusão, nas contas de água, de um resumo dos resultados das análises dos parâmetros básicos de qualidade, além de alertas ostensivos sobre características do manancial que possam representar riscos à saúde e orientações sobre eventuais medidas preventivas. O MPF também recomenda a correção imediata da informação que nega a existência de riscos evidentes de contaminação.

As mudanças deverão alcançar ainda o relatório anual sobre a qualidade da água distribuída. O documento deverá apresentar uma descrição detalhada das condições da bacia hidrográfica, das possíveis fontes de contaminação, do número de amostras coletadas, dos resultados obtidos para os agrotóxicos monitorados, dos respectivos VMP (Valores Máximos Permitidos) definidos pelo Ministério da Saúde e das medidas preventivas ou corretivas adotadas pela empresa. Sempre que algum parâmetro ultrapassar os padrões de potabilidade, a informação deverá ser destacada de forma expressa.

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