Cinco décadas de ensino jurídico podem ser contadas por números, títulos e conquistas acadêmicas. Na UNIGRAN, porém, a história do curso de Direito também se escreve pelas pessoas que passaram por suas salas de aula, ajudaram a consolidar sua trajetória e levaram para diferentes espaços da sociedade os conhecimentos construídos na Instituição. Essa dimensão humana esteve no centro da 47ª Semana Jurídica, realizada de 24 a 28 de agosto, em uma edição marcada pela celebração dos 50 anos da graduação.
Com o tema ‘50 Anos de Excelência no Ensino do Direito: Tradição, Inovação e os Desafios do Jurista do Século XXI’, o evento reuniu palestras, painéis, oficinas, atividades práticas, encontros científicos, lançamentos de obras e homenagens. A programação colocou em discussão questões que já transformam a prática jurídica, como inteligência artificial e Direito Digital, sem deixar de abordar temas sociais e humanísticos, entre eles a Lei Maria da Penha, o sistema penal, a mediação, a conciliação e a cultura da paz.
Mais do que recuperar a memória do curso, a Semana Jurídica promoveu um encontro entre gerações. Egressos, professores, integrantes do corpo técnico-administrativo e pedagógico, acadêmicos com destaque de desempenho e lideranças estudantis foram reconhecidos ao longo da programação. Também foi instituída a Distinção Jubileu de Ouro – 50 Anos do Curso de Direito da UNIGRAN, destinada a homenagear pessoas que contribuíram para a trajetória da graduação.
Na cerimônia dedicada aos professores eméritos, o diretor da Faculdade de Direito, professor Joe Graeff Filho, sintetizou o significado daquele momento ao falar sobre a passagem das gerações. Ao lado dos filhos, destacou que os 50 anos representam a continuidade entre aqueles que iniciaram a história do curso, os que hoje dão sequência a esse trabalho e aqueles que ainda virão.
“Há cinquenta anos, homens e mulheres começaram a plantar as sementes desta Faculdade de Direito. Plantaram salas de aula, conhecimento, valores e sonhos. E, acima de tudo, pessoas”, afirmou.
Para o diretor, reconhecer os professores que ajudaram a construir o curso representa também um dever de memória. “Ser professor é isso: é doar uma parte da própria vida para que outras vidas possam ir mais longe”, declarou.
Uma trajetória que também se tornou parte de Dourados
Durante a semana comemorativa, a história de Joe Graeff Filho também ganhou um capítulo especial. Em uma surpresa preparada pela Reitoria, o diretor recebeu da Câmara Municipal de Dourados o Título de Cidadão Douradense, em reconhecimento à trajetória construída na cidade e à contribuição dedicada ao ensino jurídico e à formação de gerações de profissionais.
Ao anunciar a homenagem, o Reitor Renato de Aguiar Lima Pereira destacou a relação construída por Joe com a UNIGRAN e com Dourados. “Sua trajetória em Dourados se confunde, em grande medida, com sua história na UNIGRAN”, afirmou. Para o Reitor, a homenagem representa o reconhecimento da cidade a quem, mesmo tendo nascido em outras terras, escolheu Dourados para construir sua vida e contribuir para o desenvolvimento da comunidade.
“Professor Joe, durante toda esta semana coube ao senhor homenagear. Agora chegou a nossa vez de homenageá-lo”, declarou Renato.
Histórias que representam a força da educação
Entre os egressos homenageados esteve o promotor de Justiça Fernando da Silva Souza Junior, integrante da etnia Terena e natural da Reserva Indígena de Dourados. Formado em Direito pela UNIGRAN, ele se tornou o primeiro promotor de Justiça indígena de origem sul-mato-grossense.
De volta à instituição onde iniciou sua formação, Fernando descreveu a homenagem como um reencontro com o jovem que um dia ocupou as salas de aula da universidade. “Passou um filme pela minha cabeça”, contou, ao lembrar das dificuldades, renúncias e dúvidas que marcaram sua trajetória.
Para ele, o significado da conquista ultrapassa a dimensão pessoal. “Ser o primeiro Promotor de Justiça indígena de origem sul-mato-grossense tem, para mim, um significado que vai muito além de uma conquista pessoal”, afirmou. Sua expectativa é que a própria história ajude outros jovens indígenas a enxergar a universidade e diferentes carreiras como possibilidades concretas.
A relação entre formação e trajetória profissional também esteve presente na homenagem à desembargadora Dra. Adenir Alves da Silva Carruesco, egressa da 11ª turma de Direito da UNIGRAN, formada em 1990. Com mais de três décadas de magistratura e tendo ocupado a Presidência e a Corregedoria do Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região, Adenir retornou à Instituição para receber a Distinção Jubileu de Ouro e encerrar a Semana Jurídica.
Ao falar sobre o retorno ao Centro Universitário, a desembargadora definiu a sensação como a de “um filho que à casa retorna”. Para ela, sua trajetória profissional foi construída sobre o alicerce proporcionado pela formação recebida na faculdade. “Uma instituição que acolhe, que acredita e que forma pode transformar o destino de uma pessoa”, afirmou.
O futuro do Direito
Adenir encerrou a programação com a palestra ‘Mediação, Conciliação e Cultura da Paz: O Novo Saber do Direito’, levando ao centro do debate uma questão que atravessou diferentes momentos da Semana Jurídica: como preservar a dimensão humana do Direito em uma realidade cada vez mais tecnológica.
Para a desembargadora, a inteligência artificial poderá auxiliar na pesquisa, na produção e na busca por soluções, mas não substituirá a capacidade humana de compreender o outro e perceber o contexto dos conflitos. “A máquina pode nos ajudar a chegar mais rápido à solução; mas é o humano que decide”, afirmou.
A discussão dialogou com outros temas contemporâneos apresentados durante a semana, como a fraude processual na era da inteligência artificial e as transformações do Direito Civil diante das novas tecnologias. Ao mesmo tempo, debates sobre a Lei Maria da Penha, o sistema penal e os métodos consensuais de resolução de conflitos reforçaram a necessidade de uma formação jurídica atenta às transformações sociais.
A programação também valorizou a produção científica, com o lançamento de obras jurídicas e de uma edição especial da Revista Jurídica da UNIGRAN dedicada aos 50 anos do curso. Os acadêmicos tiveram espaço entre os reconhecimentos, com homenagens aos estudantes que obtiveram os melhores resultados na Avaliação de Desempenho Institucional (ADI 2026), aos integrantes do Diretório Acadêmico 27 de Outubro e às acadêmicas responsáveis pela criação do podcast UNICAST.
Ao longo da semana, a Faculdade de Direito mostrou que celebrar cinco décadas de história não significa apenas olhar para o passado. Significa reconhecer quem ajudou a construir esse percurso e, a partir dessa memória, preparar as próximas gerações para um cenário jurídico em transformação.
A ideia esteve presente na fala de Joe Graeff Filho durante as homenagens aos professores. Ao se dirigir aos acadêmicos, o diretor destacou que uma carreira não se mede apenas pelo conhecimento acumulado ou pelos cargos alcançados, mas também pelo legado deixado na vida de outras pessoas.
“O verdadeiro sucesso não está apenas naquilo que conquistamos. Está, sobretudo, naquilo que deixamos nos outros”, afirmou.
A 47ª Semana Jurídica encerrou, assim, as comemorações dos 50 anos do Curso de Direito reafirmando uma trajetória construída por diferentes gerações. Uma história que começou há cinco décadas com o compromisso de formar profissionais e que hoje se projeta para o futuro, diante de novos desafios tecnológicos, sociais e éticos, mantendo no centro aquilo que deu sentido à sua origem: a educação como instrumento de transformação.

