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sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Violência nas quadras preocupa treinadores e mobiliza futsal de MS

Casos de agressões e ameaça resultaram em audiência propositiva de ações que garantam a paz no esporte

A violência nas arquibancadas e dentro das quadras de futsal tem preocupado professores e dirigentes esportivos de Mato Grosso do Sul.

Xingamentos, discussões e agressões envolvendo familiares de atletas colocam em risco a segurança de crianças e adolescentes e desafiam profissionais que defendem o esporte como ferramenta de educação.

Em entrevista para o Campo Grande News, o fundador da Escolinha Pelezinho, Júlio Cesar de Souza, afirma que um dos principais desafios das competições de base é conscientizar os familiares sobre o papel educativo do esporte. Segundo ele, os conflitos mais preocupantes não começam entre as crianças, mas entre os adultos que acompanham as partidas.

“A briga não acontece entre as crianças, a briga é entre os pais. Está insano, sabe? Os pais deveriam entender que a criança está ali para se divertir. Nós estamos ali para educar. Mas eu tenho que educar pai”, afirmou.

Júlio relata que xingamentos contra árbitros, discussões com torcedores adversários e agressões prejudicam o ambiente esportivo e servem de exemplo negativo para os jovens. Ele cita episódios de violência em competições realizadas em diferentes estados, incluindo situações que terminaram com a suspensão de partidas e campeonatos.

Dentro das escolinhas, ele destaca a importância de ensinar as crianças a lidar com a derrota e compreender que o resultado não deve se sobrepor ao aprendizado.

Mudança de comportamento – Para o professor Warley Wagner Mateus Ribeiro, o enfrentamento da violência exige uma mudança de comportamento de todos os envolvidos, especialmente dos adultos que servem de referência para os atletas.

O professor afirma que cobranças excessivas, ofensas e manifestações de intolerância podem provocar insegurança e ansiedade nas crianças. Por isso, defende que as arquibancadas sejam espaços de incentivo, respeito e valorização do esforço, independentemente do resultado.

“Não podemos exigir das crianças atitudes de respeito se nós, adultos, não estivermos dispostos a demonstrá-las”, destacou.

Violência nas quadras preocupa treinadores e mobiliza futsal de MS
Professor de Educação Física e Treinador de Futsal Warley Wagner Mateus Ribeiro (. Foto: Divulgação)

Warley também avalia que a rivalidade faz parte do esporte, mas não pode ultrapassar os limites do respeito. O professor relata ter presenciado situações graves de violência no esporte, incluindo um episódio em uma partida de futebol amador em que um jogador expulso retornou ao local armado e ameaçou o árbitro.

A experiência o levou a refletir sobre as consequências da perda de controle emocional durante as competições. Para ele, o objetivo não é procurar culpados, mas construir soluções coletivas que garantam a segurança física e emocional dos atletas.

Audiência Pública – Para discutir o problema, representantes da modalidade participaram de uma audiência pública na noite de quarta-feira (28), em Campo Grande, que definiu ações para incentivar uma cultura de paz nas competições.

O encontro, realizado no auditório da Fetems (Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul), teve como tema “Deixa Eu Jogar em Paz – Uma Cultura de Paz nas Quadras de Futsal”. Entre os encaminhamentos está a elaboração colaborativa de uma cartilha de boas condutas.

A audiência foi organizada e presidida pelo professor de Educação Física e treinador de futsal Warley Wagner Mateus Ribeiro. Participaram representantes da Fundesporte (Fundação de Desporto e Lazer de Mato Grosso do Sul), da Federação de Futebol de Salão de Mato Grosso do Sul, do CREF (Conselho Regional de Educação Física), de sindicatos, da Câmara Municipal, de escolas, de escolinhas esportivas e da arbitragem.

Violência nas quadras preocupa treinadores e mobiliza futsal de MS
Treinadores de futsal, árbitros e representantes de entidades esportivas presentes na audiência pública “Deixa Eu Jogar em Paz – Uma Cultura de Paz nas Quadras de Futsal”(. Foto: Divulgação)

Entre as principais medidas definidas na audiência está a elaboração de uma cartilha de boas condutas, construída com a participação de professores e técnicos. O documento deverá reunir orientações para atletas, familiares, treinadores, árbitros, dirigentes, torcedores e organizadores.

A proposta é estimular o respeito mútuo, prevenir conflitos e reforçar as responsabilidades de cada participante das competições. Também foi discutida a criação de um fórum permanente de diálogo entre os diferentes segmentos do futsal.

Confusão em Campo Grande – Um dos episódios mais graves registrados recentemente em Mato Grosso do Sul ocorreu em setembro, durante a Copa ABC de Futsal, no ginásio do Colégio ABC, em Campo Grande. Uma partida entre meninos de até 12 anos, disputada entre o Colégio Batista e o Mussi Sports, terminou em confusão envolvendo torcedores e arbitragem.

Uma discussão levou à interrupção da partida. Conforme informações apuradas na ocasião, um torcedor teria ameaçado sacar uma arma em direção ao árbitro da partida, que correu para longe da arquibancada. Instantes depois, imagens da transmissão mostraram o árbitro com uma arma nas mãos.

Após o episódio, a responsável pela competição tomou a decisão de realizar o restante das partidas da competição com os portões fechados. Pais, familiares e torcedores ficaram impedidos de acessar as arquibancadas.

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