A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), avalia a possibilidade de promover uma minirreforma no secretariado municipal. A proposta partiu do vereador Beto Avelar (PP), líder da prefeita na Câmara Municipal, que defendeu mudanças em setores da administração que não apresentam os resultados esperados.
Segundo o parlamentar, Adriane ficou de estudar a sugestão, mas ainda não há nomes definidos nem prazo para eventuais substituições.
"Eu acho que tem, teve essa conversa e acho que tem possibilidade. O que falei com a prefeita, não só na condição de líder, é que é uma boa oportunidade de avaliar o secretariado, algumas secretarias que não vêm atendendo", afirmou Beto Avelar.
O vereador considera que a prefeita pode aproveitar o momento para reorganizar parte da equipe e melhorar o desempenho da administração. Ele ressaltou que a conversa não envolveu indicações de nomes ou pedidos de substituição de secretários específicos.
"Não foi ventilado nome, não foi falado nada disso. Ela ficou de fazer um estudo a respeito disso. É uma oportunidade, mesmo que seja uma minirreforma", declarou.
Nova estratégia – Para Beto Avelar, a eventual mudança precisa ir além da troca de titulares e contribuir para melhorar os resultados da Prefeitura. "Passei essa ideia para ela, verificando a oportunidade, que modifique, mude o rumo, para voltar a entrar nos trilhos", disse.
A discussão ocorre em meio às dificuldades financeiras enfrentadas pela administração municipal. Em março de 2025, Adriane determinou um contingenciamento de despesas, com meta de redução de pelo menos 25% em gastos com água, energia elétrica, combustíveis, impressão e serviços de terceiros. O decreto também restringiu contratações, gratificações e diárias, além de estabelecer a revisão de contratos para preservar recursos públicos.
Inicialmente previstas até junho, as medidas foram prorrogadas até dezembro de 2025. Em fevereiro de 2026, a prefeita voltou a editar um decreto de contenção de despesas, com restrições a contratações e novas metas de economia nos órgãos municipais.

Perda de ICMS – Beto Avelar também chamou a atenção para a redução da participação de Campo Grande na distribuição do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). Segundo ele, diminuir o tamanho da máquina pública não será suficiente para resolver os problemas financeiros da Capital.
"O problema da cidade não é só isso. O repasse do ICMS vem diminuindo. Não adianta só fazer o dever de casa, diminuir a máquina. Alguns servidores se sacrificando por questões de salários, mas a realidade, ano após ano…", afirmou.
A preocupação ocorre diante dos índices provisórios divulgados pela Sefaz (Secretaria Estadual de Fazenda) na quinta-feira (29). Campo Grande continuará com a maior participação individual na distribuição do ICMS entre os 79 municípios de Mato Grosso do Sul, mas sua fatia deverá cair de 12,11% em 2026 para 11,65% em 2027, uma redução de aproximadamente 0,46 ponto percentual.
Enquanto a Capital perde participação, municípios que receberam grandes investimentos industriais ampliam sua fatia. Três Lagoas, um dos principais polos de produção de celulose do Estado, passará de 7,54% para 7,67%, mantendo a segunda maior participação no rateio.
Ribas do Rio Pardo, que também recebeu investimentos bilionários na indústria de celulose, terá crescimento ainda maior. O índice do município passará de aproximadamente 1,90% para 2,80%, colocando a cidade na quinta posição entre as maiores participações do Estado.

