Em nova rodada de negociações mediada pelo juiz Eduardo Lacerda Trevisan, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, a Prefeitura de Campo Grande, o Estado de Mato Grosso do Sul e a Santa Casa definiram a assinatura de um novo contrato. A medida ocorre um mês depois da Operação Antidotum, que prendeu a ex-presidente do hospital, Alir Terra e outros ex-diretores. O novo pacto vai durar 36 meses e terá incremento de R$ 4 milhões ao mês em relação aos valores anteriores, alcançando R$ 39 milhões.
Reunião hoje à tarde na sede da 2ª Vara ocorreu para discutir a continuidade e a regularidade dos serviços do hospital, que passa pela maior de suas crises. Conforme o magistrado, “é um incremento de mais R$ 4 milhões mensais. Mas, na verdade, o déficit da Santa Casa, mensal é de R$ 19 milhões. Então, não vai resolver o problema. Talvez consiga tirar o nariz para fora d'água, mas não vai resolver o problema”, declarou.
Segundo Trevisan, “a Santa Casa está numa situação terrível. Tem dívidas de mais de R$ 800 milhões. Talvez não haja no Brasil outra que esteja tão arrebentada como a nossa Santa Casa”, afirmou ao final da audiência, que, para ele, foi “razoavelmente satisfatória”, justamente porque houve incremento no repasse mensal, que era de cerca de R$ 35 milhões ao mês e agora passará a ser de R$ 39 milhões.
O contrato ainda não foi assinado e, conforme o secretário estadual de Saúde, Maurício Simões, houve um avanço substancial nas negociações. O titular da Saúde ainda comentou que esta recontratualização não resolve o problema da Santa Casa, até porque o hospital precisa “desenvolver um plano de regeneração econômico-financeira”.
Gastos – Na análise de Trevisan, a troca de comando do hospital, que está nas mãos do médico Luiz Alberto Kanamura, favoreceu o incremento e aumentou a segurança nas negociações. Ele avalia que o atual momento é resultado da operação de setembro e que o novo gestor tem cortado gastos. Entretanto, ele alerta.
“É necessário a sociedade entender: a Santa Casa é o maior hospital do Estado, tem mais de 600 e tantos leitos, e presta um atendimento que nenhum outro hospital conseguiria. É necessário salvarmos a Santa Casa. A caminhada vai ser longa, porque ela está afundada e precisamos tirá-la do buraco no qual ela se encontra”.

