A filha de Gilson Santana dos Santos, uma das vítimas dos homicídios investigados pela Operação Descarrilho, está entre as três pessoas mortas durante a ação policial deflagrada na manhã desta quinta-feira (15), em Nova Andradina, a 298 quilômetros de Campo Grande. Ela é a principal investigada pela morte do próprio pai e teria planejado o crime com integrantes do Comando Vermelho.
Conforme apurado pelo Campo Grande News, a mulher estava na companhia de João Lucas Santos Nunes, de 23 anos, e Wermheson Costa Anjos, de 18 anos, quando as equipes policiais chegaram para cumprir os mandados judiciais, em uma casa na Rua Bataiporã. Os três morreram durante a abordagem realizada por equipes da Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros).
Na residência, os policiais apreenderam três armas de fogo, munições e uma motocicleta. O material será analisado no decorrer das investigações para esclarecer os crimes.
Gilson foi encontrado morto a tiros na noite de 29 de setembro, no quintal de uma residência na Vila Maria Gonçalves, em Batayporã. O imóvel fica em uma esquina da Rua Manoel Jorge Simão. Moradores relataram ter ouvido vários disparos pouco antes de o corpo ser localizado. Informações preliminares apontaram que o autor dos tiros teria chegado e deixado o local em uma motocicleta.

Uma equipe da Secretaria Municipal de Saúde confirmou a morte, enquanto a Polícia Militar isolou a área até a chegada das equipes de investigação. A Polícia Civil e a Polícia Científica também foram acionadas para realizar os levantamentos. Na ocasião, não havia informações sobre suspeitos presos, e a autoria e a motivação do homicídio eram investigadas. Agora, a filha da vítima é apontada como principal investigada pelo crime e teria organizado a morte do próprio pai com integrantes do Comando Vermelho.
O segundo homicídio investigado ocorreu na noite de 5 de outubro, também na Vila Maria Gonçalves. Natalício Rodrigues dos Santos, de 42 anos, conhecido como “Pebinha”, foi morto a tiros na Rua José Eduardo de Barros. Segundo relatos de moradores, dois homens chegaram em uma motocicleta e atiraram contra ele. A vítima morreu no local.
Moradores disseram ter ouvido três ou quatro disparos, mas a perícia encontrou oito cápsulas de munição deflagradas na cena. Não havia informação oficial sobre quantos tiros atingiram Natalício. A Polícia Militar isolou a área, e equipes da Polícia Civil e da Polícia Científica realizaram os levantamentos.
Entenda – A Operação Descarrilho foi deflagrada para combater uma organização criminosa ligada ao tráfico de drogas e investigar homicídios em Batayporã. Conforme apurado pela reportagem, o grupo teria possível ligação com o Comando Vermelho, em meio à disputa entre facções criminosas na região.

A ação cumpre seis mandados de prisão e 16 de busca e apreensão em Batayporã, Nova Andradina e Bataguassu. A operação foi organizada a partir de elementos reunidos no inquérito policial e de levantamentos de inteligência. Os mandados foram expedidos pela Vara Única da Comarca de Batayporã, após representação da autoridade policial.
O objetivo é identificar todos os envolvidos nos homicídios, incluindo executores, participantes e possíveis mandantes, além de apreender armas de fogo, celulares e outros materiais que possam contribuir para as investigações.
Participam da operação equipes da Garras, da Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico), da Defron (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira), das SIGs (Seções de Investigações Gerais) de Nova Andradina e Bataguassu, da DAM (Delegacia de Atendimento à Mulher) de Nova Andradina e das delegacias de Ivinhema e Angélica.
A ação também conta com equipes da Força Tática do 8º Batalhão da Polícia Militar, de Nova Andradina, e apoio aéreo da CGPA (Coordenadoria-Geral de Policiamento Aéreo).
O nome Descarrilho faz referência à intenção de interromper a escalada de violência atribuída ao grupo criminoso na região. A investigação segue sob sigilo, e a Polícia Civil informou que divulgará o balanço da operação, com o número de prisões e o material apreendido, após o encerramento das diligências.

