A PF (Polícia Federal) apreendeu jet ski, uma van e quatro veículos de passeio durante a Operação Rota Clandestina, em Campo Grande, nesta terça-feira (16).
Conforme apurado pelo Jornal Midiamax, entre os veículos de passeio apreendidos estão um Tiggo e um Ônix. Mais cedo, o ‘cabeça’ do esquema de contrabando foi preso preventivamente no bairro Universitário.
Durante o cumprimento dos 13 mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão em Campo Grande, os policiais estiveram em uma distribuidora do ramo de produtos de domicílio no bairro Caiçara.
O proprietário da distribuidora foi alvo de mandado de busca e apreensão e conduzido à sede da PF na Capital. Segundo explicou o advogado Guilherme Cury à reportagem, além da distribuidora, o homem possui uma transportadora, usada para utensílios domésticos e distribuição para outros estados, como o Norte, Nordeste, Goiânia e Paraná.
“O que consta no mandado é operação relacionada a cigarro. Aqui é uma empresa de produtos para domicílio, que é o ramo que ele trabalha. Ele não entendeu o que está acontecendo, trabalha há mais de 30 anos com a distribuidora”, afirmou o advogado.
Além de Campo Grande, outro mandado é cumprido em Santa Luzia, Minas Gerais.
Movimentação superior a R$ 76 milhões
As investigações começaram após a equipe de inteligência da PF identificar indícios da atuação de um grupo de contrabando de cigarros.
Foram identificadas 12 grandes apreensões com mais de mil maços de cigarros e movimentação financeira superior a R$ 76 milhões. O grupo adquiria os produtos no Paraguai e introduzia de forma clandestina no Brasil.
Em seguida, os cigarros eram guardados em depósitos clandestinos em Campo Grande e distribuídos para os outros estados com veículos adaptados. A PF identificou transportadoras vinculadas ao grupo e documentação fiscal fraudulenta para simular legalidade.
As investigações apontaram também que havia lavagem de dinheiro com uso de empresas de fachada, interpostas “laranjas” e movimentações incompatíveis com a renda declarada.
Os criminosos faziam operações ilegais de remessa de valores ao exterior para pagamento de fornecedores no Paraguai e escondiam patrimônio em nome de terceiros.
Logística
A organização criminosa atuava de forma estruturada, com divisão de tarefas e hierarquia definida, dividindo-se entre Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.
A logística era definida em aquisição de cigarros na região de fronteira com o Paraguai; transporte fracionado em veículos para reduzir riscos de apreensão; armazenamento em imóveis e estabelecimentos comerciais; distribuição em larga escala para outros estados; utilização de empresas de fachada e documentos fiscais fraudulentos para dar aparência de legalidade e uso de sistemas informais de remessas financeiras e contas de terceiros para ocultação de valores.
Rota Clandestina
O nome da operação faz referência ao uso de rotas alternativas e meios clandestinos empregados pelo grupo para internalizar os cigarros no país e distribuí-los para outras unidades da federação.

