A poucos dias do segundo turno das Eleições 2026, parte da preparação para a votação depende de uma tarefa que acontece longe dos olhos dos eleitores: a entrega das urnas eletrônicas aos presidentes de seção, que ficam responsáveis por guardar os equipamentos até o dia da eleição. Em Campo Grande, o procedimento começou nesta segunda-feira (19), com a distribuição dos materiais que serão utilizados nas seções eleitorais da 8ª Zona Eleitoral.
A entrega ocorre na Paróquia Nossa Senhora de Fátima, na Rua Frei Gregório, 537, no Jardim Monte Líbano. No local, os presidentes de seção retiram as urnas e os demais materiais necessários para a votação. O procedimento é oficial, divulgado em edital, e também permite que fiscais acompanhem a distribuição e verifiquem a entrega dos equipamentos.

De acordo com André Dias, servidor do TRE-MS (Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul) e chefe de cartório da 8ª Zona Eleitoral, a zona conta com 417 seções eleitorais, o que corresponde a 417 urnas. Outras duas ficam disponíveis para contingências, caso algum equipamento apresente falha durante o procedimento de entrega.
“É um procedimento oficial, divulgado em edital, que convoca os presidentes de mesa e permite a participação dos fiscais que quiserem acompanhar e verificar a entrega dos materiais e das urnas aos presidentes de mesa”, explicou.
Segundo André, a distribuição segue o mesmo padrão nas demais zonas eleitorais. Depois de retirar os equipamentos, os mesários ficam responsáveis por mantê-los em local seguro até o dia da votação.
A possibilidade de levar a urna para casa pode causar estranhamento a quem não conhece o procedimento, mas faz parte da logística eleitoral. O equipamento pode ser ligado, porém, só estará habilitado para funcionar no dia da eleição, a partir das 6h. Até lá, deve permanecer guardado para evitar danos.

Experiência de quem participa das eleições há décadas – Entre os presidentes de seção que compareceram para retirar o material estava Joaquim Macedo, de 66 anos, agente comunitário de saúde que atua na Escola Estadual Waldemir Barros da Silva, nas Moreninhas, onde será responsável pela seção 302.
Ele participa do processo eleitoral desde 2008 e também trabalhou no primeiro turno. Para Joaquim, a retirada e a guarda da urna são procedimentos tranquilos, que não representam motivo de preocupação.
“A gente chega aqui, pega todo o material e leva para casa. Mas é tranquilo. A urna não liga fora da hora, então pode ficar tranquilo. É seguro”, afirmou.
A experiência acumulada ao longo das eleições também permite que ele acompanhe de perto o comportamento dos eleitores. Na seção em que trabalhou no primeiro turno, dos 264 eleitores registrados, cerca de 30 a 32 não compareceram para votar.
O número, segundo ele, reforça o apelo para que os eleitores participem do segundo turno e façam suas escolhas nas urnas.
“Recomendo que escolham bem, porque a gente percebe que muita gente deixa de votar. Na minha seção do primeiro turno, que é a mesma agora, de 264 eleitores, faltaram só 30 ou 32. Então, é para o povo ir votar. Votar é democracia, votar é tudo, é escolha”, disse.

Presidente de seção há mais de 40 anos – Outro mesário que esteve no local foi Luiz Carlos Charão, de 62 anos, que trabalha na área administrativa, cursa Ciências Contábeis e acumula mais de quatro décadas de participação no processo eleitoral.
Presidente da seção 431, na Escola Estadual Dolor Ferreira de Andrade, no Bairro Maria Aparecida Pedrossian, ele afirma que participar de mais uma eleição é motivo de satisfação, justamente pela importância do processo democrático.
“É uma satisfação, porque a gente está participando do processo democrático do nosso país, o que é muito importante”, afirmou.
Assim como Joaquim, Luiz Carlos aproveitou a ocasião para incentivar a participação dos eleitores no segundo turno. Para ele, a escolha dos representantes não deve ficar nas mãos de quem comparece às urnas, enquanto outros deixam de exercer o direito ao voto.
“Faço até um apelo para que os nossos eleitores compareçam e não deixem os outros decidirem por eles. A gente tem que escolher, bem ou mal, alguém para governar o nosso país, para o melhor do nosso país”, declarou.
Questionado sobre a segurança do procedimento e a confiabilidade do equipamento, ele disse acreditar na urna eletrônica. A confiança também aparece entre os motivos que o levam a continuar participando das eleições após tantos anos.
Preparação começou com carga e lacração – A entrega aos presidentes de seção é uma das últimas etapas da preparação logística para a votação. Antes de chegar às mãos dos mesários, as urnas passam pelos procedimentos de carga e lacração realizados pela Justiça Eleitoral.
Em Campo Grande, o TRE-MS organizou o cronograma de preparação no Fórum Eleitoral, localizado na Rua Delegado José Alfredo Hardman Vianna, 180, no Parque dos Poderes.
A carga e a lacração da 8ª Zona Eleitoral ocorreram na terça-feira (13), até as 19h, sob responsabilidade do chefe de cartório André Dias. Na mesma data, também foi realizado o procedimento referente à 35ª Zona Eleitoral, entre as 12h e as 19h, com acompanhamento da chefe de cartório Kenia Magna.
Na sexta-feira e no sábado (16 e 17), das 8h às 19h, foi a vez das urnas das 53ª, 36ª, 44ª e 54ª Zonas Eleitorais, sob responsabilidade das chefes de cartório Viviane Pedroza, Edilva Escobar, Wilson Alencar e Eliana Custódio, respectivamente.
Com a conclusão dessas etapas, os equipamentos são distribuídos aos locais de votação, onde ficarão sob a responsabilidade dos presidentes de seção até o início da votação. A organização busca garantir que as urnas e os materiais estejam disponíveis para o funcionamento das seções no dia da eleição.
A entrega dos equipamentos, portanto, não é apenas uma etapa de transporte. É parte de uma operação que envolve a preparação das urnas, a distribuição dos materiais e a participação dos mesários, responsáveis por conduzir os trabalhos nas seções eleitorais.
Para quem está há anos nessa função, como Joaquim e Luiz Carlos, a rotina já faz parte do calendário democrático. Para os eleitores, é uma etapa pouco visível, mas necessária para que a votação aconteça conforme o planejamento da Justiça Eleitoral.

