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quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Sem receber desde junho, anestesistas manterão atendimento na Santa Casa

Empresa Servan garante que continuará atendimentos mesmo com débitos acumulados e sem garantia de pagamento

A Servan Anestesiologia de Campo Grande informou que está cumprindo a decisão judicial que determina a manutenção dos serviços de anestesiologia na Santa Casa de Campo Grande por mais 45 dias. Em nota à imprensa, a empresa afirmou que continuará atendendo os pacientes durante o período estabelecido pela Justiça, apesar dos atrasos nos pagamentos pelos serviços prestados ao hospital.

Segundo a Servan, os profissionais estão sem receber pelos plantões desde junho de 2026. A empresa afirma que comunica formalmente a situação à Santa Casa desde o início de setembro, quando também alertou sobre a necessidade de planejar a transição do serviço para evitar problemas na continuidade dos atendimentos.

A manifestação ocorre após a Justiça determinar que a Servan e a Sedar (Serviço Especializado em Anestesiologia e Dor) mantenham os serviços no hospital por 45 dias. A decisão, assinada pelo juiz Eduardo Lacerda Trevisan, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos de Campo Grande, busca garantir tempo para que a administração provisória da Santa Casa encontre profissionais para substituir as equipes atuais.

Na nota, a Servan destacou que já havia decidido permanecer no hospital por mais 30 dias antes mesmo da ordem judicial. A decisão foi tomada em assembleia realizada em 1º de outubro, após pedido da Secretaria de Estado de Saúde, segundo a empresa.

Na ocasião, a continuidade dos atendimentos foi anunciada justamente na data em que estava previsto o encerramento do contrato. A empresa, no entanto, afirma que aceitou permanecer sem qualquer garantia de recebimento dos valores atrasados ou dos pagamentos pelos serviços que continuaria prestando.

“Essa inadimplência impõe dificuldades significativas aos profissionais que seguem prestando assistência à população”, afirmou a Servan, ao relatar o acúmulo dos débitos.

Apesar das dificuldades financeiras, a empresa declarou que manterá o compromisso com a assistência aos pacientes durante o período determinado pela Justiça.

“O respeito à decisão judicial e o compromisso com a vida caminham ao lado da necessidade de uma solução efetiva para os pagamentos pendentes e de condições adequadas para o exercício da medicina”, informou.

Impasse começou em setembro – A crise entre a Santa Casa e as empresas de anestesiologia se tornou pública em setembro, quando a Servan notificou formalmente o hospital sobre a intenção de encerrar o contrato em 1º de outubro. Na comunicação, a empresa alegou que os honorários médicos estavam sem pagamento desde maio, embora os profissionais continuassem trabalhando, inclusive durante noites, finais de semana e feriados.

Posteriormente, ao anunciar a permanência temporária, a Servan informou que a inadimplência ultrapassava três meses. Na manifestação mais recente, a empresa afirmou que não recebe pelos plantões desde junho.

A situação também envolve a Sedar, que havia comunicado o encerramento de suas atividades em 30 de setembro e informado não dispor de profissionais suficientes para assumir sozinha a demanda atendida pela Servan.

Antes de recorrer à Justiça, a direção da Santa Casa tentou negociar a regularização dos débitos. Em reunião realizada em 17 de setembro, foi apresentada uma proposta de pagamento das pendências referentes a maio, junho, julho e agosto, que somavam aproximadamente R$ 2,3 milhões. As negociações, porém, não resultaram em acordo definitivo.

Em 1º de outubro, a administração provisória do hospital, comandada por Luiz Alberto Hiroki Kanamura, acionou a Justiça para obrigar as duas empresas a manter os serviços por pelo menos mais 45 dias.

Ordem judicial prevê multa – Ao analisar o pedido, o juiz considerou que a interrupção dos serviços de anestesiologia poderia comprometer as atividades cirúrgicas da Santa Casa, incluindo procedimentos programados e atendimentos de urgência e emergência.

A decisão estabeleceu que o hospital mantenha, no mínimo, 14 anestesiologistas durante o dia e oito à noite e nos finais de semana. O prazo de 45 dias começa a contar a partir da intimação das empresas.

Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 30 mil para a empresa que desobedecer à ordem, inicialmente limitada a 15 dias, totalizando R$ 450 mil. O valor poderá ser aumentado em caso de resistência ao cumprimento da determinação.

O magistrado ressaltou que a decisão tem caráter temporário e não resolve a discussão sobre os valores devidos às empresas nem sobre a validade das rescisões contratuais. Essas questões deverão ser discutidas separadamente.

A medida busca impedir que a dificuldade de contratação de novos anestesiologistas comprometa o funcionamento do hospital enquanto a administração provisória procura uma solução para a continuidade dos serviços.

A Santa Casa ainda precisa organizar a substituição das equipes, estruturar as escalas e garantir profissionais suficientes para atender à demanda hospitalar, especialmente nos setores que dependem de anestesia para cirurgias, procedimentos obstétricos e exames.

Com a manifestação, a Servan reafirma que cumprirá a determinação judicial durante os 45 dias, mas condiciona a solução definitiva do impasse à regularização dos pagamentos pendentes e à garantia de condições adequadas de trabalho para os médicos.

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