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quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Seu cachorro pode morrer de calor; veja os sinais que exigem socorro

Veterinário alerta que hipertermia provoca convulsões, falência de órgãos e leva cães à morte

Um cachorro ofegante no quintal pode parecer apenas com calor, mas, em dias de temperaturas extremas, a situação pode evoluir rapidamente e terminar em morte. Em Campo Grande, o alerta é principalmente para animais deixados no sol, presos ou sem um lugar realmente fresco para se proteger.

“É extremamente perigoso e potencialmente fatal. Água disponível não garante a segurança do animal quando ele está exposto ao sol direto e retido em um local sem abrigo térmico adequado”, alerta o médico-veterinário Antonio Defante, da Clínica Bougelat.

Ele explica que os cães têm limitações para controlar a própria temperatura. Diferentemente dos humanos, possuem poucas glândulas sudoríparas e dependem principalmente da respiração ofegante para perder calor.

Em temperaturas muito altas, esse mecanismo pode não ser suficiente. É quando aparece o risco de hipertermia, com elevação acentuada da temperatura corporal e possibilidade de comprometimento de vários órgãos.

“O ponto crítico é quando a temperatura corporal retal atinge ou ultrapassa 40,5°C a 41°C. Podem ter convulsão e óbito”, explica Antonio.

Além da hipertermia, o calor excessivo pode provocar desidratação severa, desequilíbrio eletrolítico e insuficiência renal aguda. Em situações graves, também pode causar alterações na coagulação do sangue e sangramentos.

Quando o cachorro está pedindo socorro

Um dos primeiros sinais de perigo é a respiração extremamente rápida, ruidosa e sem descanso. Salivação excessiva ou muito viscosa também deve chamar a atenção.

“Gengivas e língua que passam de vermelho vivo para azuladas, arroxeadas ou pálidas indicam um quadro grave”, explica o veterinário.

Desorientação, andar cambaleante, fraqueza muscular e dificuldade para permanecer em pé também são sinais de emergência. Nos casos mais graves, podem surgir vômitos, diarreia, convulsões, perda de consciência e coma.

Alguns animais chegam à zona de risco mais rapidamente. Entre eles estão cães de focinho curto, os chamados braquicefálicos, como pug, bulldog e boxer, além de idosos, obesos, cardiopatas e animais com pelagem densa.

“Esses animais entram na zona de risco letal com muito mais rapidez, necessitando de resfriamento físico imediato e atendimento veterinário de urgência”, alerta Antonio.

Seu cachorro pode morrer de calor; veja os sinais que exigem socorro
Deixar o bichinho em local fresco dentro de casa é uma das dicas de segurança (. Foto: Thailla Torres)

Água no quintal não resolve sozinha

Deixar um pote cheio e sair de casa não significa que o cachorro estará protegido do calor durante todo o dia. “A água exposta ao sol aquece rapidamente, tornando-se morna ou quente. O cão deixa de consumi-la, acelerando o quadro de desidratação”, explica.

Outro perigo é manter o cachorro amarrado. Conforme Antonio, mesmo que exista sombra no quintal em determinado horário, ela muda de posição ao longo do dia.

“Quando amarrado ou preso em um quintal sem cobertura total, o animal fica impedido de acompanhar o deslocamento da sombra ao longo do dia, ficando encurralado na zona de insolação direta.”

A tentativa de fugir do sol ainda pode criar outro risco. Ao procurar um ponto mais fresco, o cachorro pode enrolar a guia ou corrente em objetos e ficar com uma área de movimentação ainda menor.

“Cães amarrados frequentemente enrolam a guia em obstáculos, reduzindo ainda mais o espaço de circulação ou sofrendo acidentes por enforcamento”, alerta.

A orientação do veterinário é direta: “O cão precisa estar com livre circulação pelo espaço seguro. Nunca deve permanecer acorrentado ou preso por guias em dias de calor severo”.

O ambiente ideal deve ser fresco e arejado, ter sombra abundante e água fresca disponível.

O chão pode machucar

Outro risco nos dias de temperaturas elevadas está debaixo das patas. Asfalto e concreto absorvem calor e podem provocar queimaduras nos coxins, as “almofadinhas” dos pés dos cães.

Segundo Antonio, o contato direto com essas superfícies muito quentes pode causar queimaduras de segundo e até terceiro grau.

Por isso, além de evitar a exposição ao sol, os tutores precisam redobrar a atenção com os horários dos passeios. E, se o cachorro começar a apresentar respiração muito acelerada, salivação intensa, alteração na cor da língua ou gengiva, fraqueza, desorientação ou dificuldade para ficar em pé, estes são sinais de que a vida do animal pode estar em risco e de que ele precisa de atendimento veterinário de urgência.

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