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sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Desmatamento no Cerrado de Mato Grosso do Sul cai 23,3% em um ano

Área de vegetação nativa derrubada passou de 272,53 km² para 208,93 km², segundo levantamento do Inpe

O desmatamento no Cerrado de Mato Grosso do Sul caiu 23,3% entre agosto de 2025 e julho de 2026. A área de vegetação nativa suprimida passou de 272,53 km² para 208,93 km², redução de 63,6 km² em um ano, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (16) pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Os números fazem parte do Prodes (Projeto de Monitoramento do Desmatamento por Satélite), que acompanha a perda de vegetação nativa nos biomas brasileiros. No mesmo período, o Cerrado registrou a menor área desmatada desde o início da série histórica, em 2001.

Em Mato Grosso do Sul, a redução ficou próxima da média nacional do bioma, de 23,8%. O Estado respondeu por aproximadamente 3,8% de toda a área desmatada no Cerrado brasileiro no período.

Apesar da queda, os 208,93 km² de vegetação perdida em MS equivalem a cerca de 20,9 mil hectares. O levantamento considera a supressão de vegetação nativa, incluindo formações florestais, savânicas e campestres.

Queda nacional – Em todo o Cerrado, o desmatamento passou de 7.235,27 km², no ciclo anterior, para 5.516,69 km² entre agosto de 2025 e julho de 2026. A redução foi de 23,8%, levando o indicador ao menor patamar da série histórica.

O Maranhão concentrou a maior área desmatada, com 1.718,59 km², seguido por Tocantins, com 1.263,06 km², e Piauí, com 625,24 km².

Os três estados, junto com a Bahia, integram a região conhecida como Matopiba, que respondeu por 74,3% do desmatamento registrado no Cerrado.

Entre os estados do Centro-Oeste, Mato Grosso registrou 454,52 km² de vegetação suprimida, praticamente o mesmo volume do período anterior, com redução de 0,2%. Goiás teve queda de 8,9%, passando de 230,97 km² para 210,37 km².

Mato Grosso do Sul apresentou, portanto, a maior redução percentual entre os três estados da região com dados individualizados no levantamento.

Amazônia – O desmatamento também caiu na Amazônia Legal, onde a área atingida passou de 5.731 km² para 3.335 km², redução de 41,8%.

Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, o resultado é o menor da série histórica iniciada em 1988. O recorde anterior havia sido registrado em 2012, quando foram desmatados 4.571 km².

O Pará concentrou a maior área desmatada, com 1.130 km², seguido por Mato Grosso, com 849 km², e Amazonas, com 525 km².

Diferentemente dos dados do Cerrado, que já estão consolidados, a taxa apresentada para a Amazônia é uma estimativa baseada em imagens prioritárias de satélite. O resultado definitivo será divulgado no primeiro semestre de 2027.

Monitoramento – O governo federal atribui a redução do desmatamento a medidas de fiscalização, monitoramento por satélite e ações de conservação da vegetação nativa.

Entre 2023 e 2026, o Ibama realizou 76.095 ações de fiscalização em todo o País e aplicou R$ 11,8 bilhões em multas por infrações contra a flora.

O Ministério do Meio Ambiente também anunciou investimentos de R$ 147,6 milhões para ampliar o monitoramento dos biomas brasileiros, com uso de inteligência artificial e integração dos sistemas de acompanhamento por satélite.

O Prodes identifica a retirada da vegetação nativa, mas não diferencia automaticamente desmatamentos autorizados daqueles realizados de forma ilegal. Para verificar a regularidade de cada área, é necessário cruzar os dados com licenças e outras informações ambientais.

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