O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) pede à Justiça uma indenização de R$ 10 milhões por danos morais coletivos em um processo que envolve o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa e outros 22 denunciados. Segundo a acusação, o grupo desviava drogas apreendidas em operações policiais para abastecer novamente o mercado ilegal em Mato Grosso do Sul.
O pedido integra a denúncia protocolada em 9 de outubro. Preso na Operação Infiltrados e afastado do cargo, Hoffman é apontado pelos investigadores como uma das lideranças da organização, que teria utilizado a estrutura da Polícia Civil para viabilizar os crimes.
À época de parte dos fatos investigados, o delegado chefiava a Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar), responsável pelo combate ao tráfico de drogas no Estado.
Conforme o Gaeco, os policiais envolvidos deixavam de registrar parte dos entorpecentes apreendidos ou retiravam drogas diretamente do depósito da delegacia. O material seria repassado a traficantes ligados ao esquema, encarregados da comercialização.
A acusação identifica Lucas da Silva dos Santos, conhecido como LK, como o responsável pela articulação entre os agentes públicos e os traficantes. Ele forneceria informações sobre carregamentos que seriam interceptados, negociaria a quantidade de droga desviada e coordenaria as vendas.
O Gaeco sustenta que Hoffman conhecia o funcionamento do esquema e exercia papel central nas atividades. A denúncia atribui aos envolvidos crimes relacionados à organização criminosa, tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro, além de apontar suspeitas de interferência em investigação criminal.
Além da reparação financeira, o órgão pede a condenação dos denunciados.

